sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

REFLEXÃO 9



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

História nas séries iniciais

O conceito de história como ciência que estuda o passado não contempla toda diversidade de relações que essa área do conhecimento traz embutida na forma como seus conceitos estruturais são trabalhados na escola.
O processo do trabalho com história, sempre esteve atrelado à ideia de educação e sociedade que se quer manter ou modificar. Por isso, por muito tempo a noção de nacionalismo com um ensino dessa disciplina centrado nas datas comemorativas e nos fatos a ela relacionados, predominou nas escolas.
Essa tradição, ainda presente nas escolas, tinha por objetivo formar uma ideia de pertencimento à uma nação e naturalização das relações de poder que nela se mantém.
Felizmente, à partir da nova LDB e dos PCNS, busca-se assumir uma nova perspectiva para o trabalho com essa disciplina. Preocupa  mais em relacionar os problemas históricos relativos ao tempo e ao espaço com o cotidiano do aluno fazendo-o perceber as mudanças, permanências, simultaneidades e rupturas, a partir do seu entorno. Busca-se assim, auxiliá-los a construir sua identidade individual, família, social e coletiva, reconhecendo e respeitando as diferenças entre a sua e outras culturas.
A construção dos conceitos de tempo, sujeito, espaço e acontecimento histórico precisam ser construídos a partir da valorização do cotidiano social que permeia a vida dos alunos e sua relação com a experiência histórica de outros grupos, lugares e tempos.
Assim atenderemos a um dos objetivos do ensino de História presentes no PCN: “Dentro dessa perspectiva, o ensino de história tende a desempenhar um papel relevante na formação da cidadania, envolvendo a reflexão sobre a atuação do indivíduo em suas relações pessoais, com o grupo de convívio, suas afetividades e sua participação no coletivo” (Parâmetros Curriculares Nacionais – História e Geografia).





      Reflexão sobre a postagem
      Em tempos em que se fala sobre doutrinação ideológica nas escolas e questiona-se o papel das aulas de História no processo de escolarização é preciso reforçar seu papel indispensável na formação de cidadãos. Não cidadãos que vão ser. Mas como cidadãos que já são.
       Ser cidadão compreende  construir uma identidade dentro da sociedade. Identidade essa que  se forma pela compreensão dos processos que nos fazem estar aqui, nesta situação, neste tempo. Sem a compreensão que aquilo que somos é resultado de ações e relações que se deram e se dão no tempo e no espaço nos torna objetos da história de relações de poder que se  mantém.
    Para exercer plenamente a cidadania é preciso essa compreensão sobre esses processos a fim d intervir com consciência, responsabilidade e criticidade na própria história e na história da sociedade. Como  lembra Caniato, ( 1997. P.65) :
     A escola deve ser o lugar onde de maneira mais sistemática e orientada, aprendemos a Ler o Mundo e a interagir com ele. Ler o mundo significa aqui poder entender e interpretar o funcionamento da Natureza e as interações dos homens com ela e dos homens entre si. Na escola podemos exercitar, aferir e refletir sobre a ação que praticamos e que é feita sobre nós. Isso não significa  que só na escola se faça isso. Ela deve ser o lugar que praticamos a leitura de Mundo e a interação com ele de maneira orientada, crítica e sistemática.

    REFERÊNCIAS
     CANIATO, Rodolpho. Com Ciência na Educação. 3ª reimpressão. Campinas: São Paulo. Papirus, 1997


Reflexão 8


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Geografia nas séries iniciais
Assim como em história, em Geografia também ainda buscamos nos desfazer de uma concepção fragmentada e pronta de seu ensino. Entendemos por longo do tempo que ensinar geografia se centrava em descrever os locais e regiões como entes ímpares e completos em si.
A partir da década de 1970, no Brasil, iniciou-se um processo de renovação do ensino de geografia à fim de abordar as relações dinâmicas que ocorrem nos espaços na sua totalidade à partir do cotidiano dos alunos.
Assim podemos abordar o ensino de geografia nas séries iniciais sob a perspectiva do letramento.
Segundo Magda Soares: “(...) alfabetizar e letrar são duas áreas distintas, mas não inseparáveis, ao contrário do ideal: seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo se tornasse ao mesmo tempo alfabetizado e letrado” (Soares, Magda, 2004 p)
Relacionando o domínio da leitura e da escrita às práticas sociais enfatiza-se a importância do ensino fundamental. Leitura de mapas, gráficos tabelas, informações jornalísticas estão presentas no cotidiano dos alunos e fazem parte do “mundo” da geografia. Portanto, é imprescindível o trabalho com essas ferramentas para contribuir na consolidação do processo de letramento.
Assim. O ensino de geografia deve propor os meios que permitam aprender e interpretar p espaço geográfico e se reconhecer como participantes desse espaço, que é dinâmico em constante transformação.

“O lugar e onde estão as referências pessoais e o sistema de valores que direcionam as diferentes formas de perceber e constituir o espaço geográfico. É por  intermédio dos lugares que se dá a comunicação entre o homem e o mundo”
              REFLEXÃO SOBRE A POSTAGEM
   É no início de sua escolarização que a criança apropria-se  de linguagens diferente daquelas restritas ao seu cotidiano. Linguagens essas necessárias para compreensão do mundo e da sociedade.
    Essa aprendizagem precisa ser feita partindo-se da própria criança, daquilo que ela já sabe para ampliar suas aprendizagens e faze- las realmente significativas.
    Entendo alfabetização e letramento como capacidades distintas e ao mesmo tempo relacionadas, alfabetizar letrando pressupõe lidar com linguagens matemáticas, espaciais, cartográficas, científicas entre outras. Como explica MORAES (2007. P. 1):
      “É o modo de aprender a aprender, de construir competências de uso de linguagem, de saber lidar com o conhecimento para solução de problemas, criando- se nesse movimento a possibilidade de se intervir nas realidades sociais”
        É dentro dessa perspectiva de apropriação de linguagens espaciais e cartográficas que se justifica a importância do ensino de Geografia nas séries iniciais. Ressalto sempre á partir do que que a criança já sabe e a partir de situações didáticas concretas, preferencialmente que envolvam o lúdico.

          REFERÊNCIAS
           MORAES, Roque. Participando de jogos de aprendizagem: a sala de aula como pesquisa. In; Anais do VII Seminário: escola e Pesquisa Um encontro possível. Universidade de Caxias do Sul. Outubro de 2007
           SOARES, Magda .Alfabetização e letramento; um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica. 2004. p. 124

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

REFLEXÃO 7


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Ciências nas séries iniciais

   Entendendo a aprendizagem como um processo ativo que demanda de quem aprende motivação e dedicação, fica evidente que o novo papel do professor de quem aprende junto, quem ajuda os alunos a construir conhecimentos novos ou a reelaborar conhecimentos prévios.
   Dentro dessa perspectiva o trabalho com Ciências nas séries iniciais oferece inúmeras oportunidades de estimular a curiosidade e a observação.
   Segundo os "Elementos conceituais e metodológicos para definição dos direitos se aprendizagem":
   "As crianças, antes mesmo do início de suas vidas escolares, já participam de conversas sobre questões relacionadas as Ciências, vivenciam fenômenos da natureza e fazem uso de aparatos tecnológicos. Quando falamos em alfabetização, é preciso considerar o papel da educação em Ciências da Natureza neste processo: temas instigantes atraem a atenção e o interesse dos estudantes para aprendizagem de ciências e também para aprendizagem da leitura e da escrita, trabalhando com atividades em que a criança seja convidada a se expressar perante os problemas que traz para a sala de aula ou a que a ela são propostos" (p101)
   Pode então o professor contribuir para que os alunos sejam autores de resultados e relatos de suas investigações, e leitores de textos sobre assuntos diversos, sejam envolvidos em atividades que se utilizam de formas variadas para registrar e representar o conhecimento, como desenhos, tabelas e gráficos no relato dos fenômenos estudados. Também pode estimular o uso de fontes variadas, incluindo entrevistas com a comunidade, consulta a livros periódicos e fontes digitais.
   Afinal, o objetivo de estudo é o ambiente e o próprio ser (aluno) nesse ambiente. Então a possibilidade de motivar e estimular a aprendizagem são inúmeras.


 REFLEXÃO SOBRE A POSTAGEM
        Em uma prática que se quer interdisciplinar os temas relacionados às ciências da natureza são excelentes motivadores de aprendizagens significativas.
    Observar o ambiente em que se vive, compreender suas transformações, experimentar relações, são atividades que motivam as crianças a saber mais especialmente quando instigadas e mediadas por um professor que as desafias a saber mais.
         Além disso é consenso entre educadores atentos ao mundo é à sociedade moderna a importância de desenvolver desde cedo, nas crianças o espírito científico de quem questiona, duvida, experimenta, pesquisa,

            Considerando que a Ciência e a Tecnologia desempenham um papel muito importante na escola elementar, em 1983, a UNESCO elencou algumas justificativas para a inclusão desses temas nos currículos escolares (UNESCO apud HARLEN, 1994, p. 28-29): 4
             • As ciências podem ajudar as crianças a pensar de maneira lógica sobre os fatos cotidianos e a resolver problemas práticos simples.
           • As ciências, e suas aplicações tecnológicas, podem ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas. As ciências e a tecnologia são atividades socialmente úteis que esperamos sejam familiares às crianças. Dado que o mundo tende a orientar-se cada vez mais num sentido científico e tecnológico, é importante que os futuros cidadãos se preparem para viver nele.
             • As ciências podem promover o desenvolvimento intelectual das crianças.
              • As ciências podem ajudar positivamente as crianças em outras áreas, especialmente em linguagem e matemática.
            • Numerosas crianças de muitos países deixam de estudar ao acabar a escola primária, sendo esta a única oportunidade de que dispõem para explorar seu ambiente de um modo lógico e sistemático.
           • As ciências nas escolas primárias podem ser realmente divertidas. http://educonse.com.br/2011/cdroom/eixo%205/PDF/Microsoft%20Word%20-%20O%20ENSINO%20DE%20CIeNCIAS%20NATURAIS%20NAS%20SeRIES.pdf
         Numa escola que se quer cidadã e capaz de formar pessoas capazes de compreender o mundo para nele intervir, o trabalho com ciências da natureza desde a educação infantil está mais do que justificado.

       

       

REFLEXÃO 6


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Vivências na escola

Os estudos da Pedagogia neste semestre me fizeram revisitar algumas vivências que tive enquanto aluna e também nesses muitos anos como professora.
O mais desafiador foi encontrar na minha história, uma razão para eu ter escolhido ser professora. Confesso que não encontrei uma resposta definitiva. Só lembro-me da minha professora primária como uma mulher muito rígida, elegante e respeitada por toda comunidade. Eram anos de ditadura (1975), numa região onde mulheres e crianças não tinham voz, e a professora Ida era a exceção. Talvez fosse a chama da rebeldia que me fizesse querer ser professora. Ou a ambição de ser ouvida e respeitada.
Ao longo de minha trajetória estudantil encontrei os mais diversos modelos de professores. Os que lembro com mais carinho foram aqueles que conseguiram despertar em mim a paixão pela leitura e a crença de que eu também era capaz de escrever bem. Eram professores exigentes e por isso conseguiam me desafiar a ler e escrever sempre melhor. Mas eram também apaixonados por aquilo que faziam. E mais ainda, acreditavam em nós.
Penso ser essas características necessárias para ser um bom professor: desafiar os alunos, amar o que todos podem sempre fazer um pouco melhor, inclusive nós mesmos.
Experiências negativas não me lembro de nenhuma em especial. Se as tive acho que serviram para melhorar minhas aprendizagens. Sempre foi com bastante esforço, superando preconceitos, abrindo mão de algumas coisas, mas sempre ficou a sensação de que valeu a pena.
Como professora, experiências felizes e não tão felizes fazem parte do nosso dia-a-dia. Cada nova aprendizagem, cada aluno que se descobre capaz, cada novo encontro, os reencontros, as despedidas fazem dessa profissão a mais surpreendente, a mais frustrante e também a mais compensadora. Pode ser a mais estressante, mas nunca é tediosa. Não descobri exatamente o que me fez decidir professora, mas é por tudo isso que sei que foi a decisão certa

     REFLEXÃO SOBRE A POSTAGEM
   A trajetória profissional de um professor, como de outros profissionais que lidam com outras pessoas, exigem determinadas características que  os diferenciam de outros profissionais. Entre elas destaco:
       Flexibilidade- é a capacidade de lidar com situações imprevistas, de se adaptar-se ao inesperado, ao inusitado e especialmente aos conflitos que surgem no dia a dia. A flexibilidade precisa estar aliada à criatividade para ( re-) criar,( re) pensar ( re) organizar sua prática.
        Para tanto se faz necessária outra característica que é a disponibilidade e a vontade de aprender sempre. Aprender não apenas na formações mas aliando estas á  prática, refletindo, experimentando, pesquisando e ouvindo com atenção especial seus alunos, seus pares, sua comunidade.
            [...] inquietação, curiosidade e pesquisa. O conhecimento não está acabado; exploração de "seu" saber provindo da experiência através da pesquisa e reflexão sobre a mesma; domínio de área específica e percepção do lugar desse conhecimento específico num ambiente mais geral; superação da fragmentação do conhecimento em direção ao holismo, ao inter-relacionamento dos saberes, a interdisciplinaridade; identificação, exploração e respeito aos novos espaços de conhecimento (telemática); domínio, valorização e uso dos novos recursos de acesso ao conhecimento (informática); abertura para uma formação continuada .MASETTO. 1994, p.96
    Outra característica que determina a marca que o professor irá deixar em seus alunos é a generosidade, Não aquela da caridade, da piedade, mas a generosidade de quem acredita no outro, de quem desafia porque sabe das capacidades do outro. Generosidade que gera empatia, que gera solidariedade, que produz esperança.
        O compromisso com a aprendizagem de qualidade também é indispensável ao professor que se quer um bom profissional, mas acima de tudo um bom ser humano.

       REFERÊNCIAS
MASETTO, Marcos Tarciso. Pós-Graduação e formação de Professores para o 3° Grau. São Paulo: 1994



REFLEXÃO 5



terça-feira, 13 de outubro de 2015
  Pensar sobre a alfabetização é pensar no meu fazer profissional de todos os dias. Nenhuma turma, nenhum aluno, nenhum desafio é igual a outro. É um trabalho apaixonante, mas que exige que estejamos sempre nos avaliando, nos questionando, sempre nos reinventando.
  Sabemos que, a menos que haja alguma limitação funcional (síndromes, paralisia cerebral, etc.) todas as crianças são capazes de aprender a ler e a escrever. O desafio é descobrir a maneira de ajudar cada uma a fazê-lo, já que algumas parecem querer derrubar essa convicção.
  Em uma das escolas que trabalho, tenho uma turma de quarto ano. Avaliando a leitura deles, podemos observar que a maioria deles consegue apenas decodificar as palavras (alguns com bastante dificuldade); e apenas alguns conseguem encontrar informações diretas num texto.
  Tenho tentada inúmeras estratégias, tanto para melhorar a fluência da leitura, como a capacidade de interpretação (letramento), mas vejo poucos progressos. Parece que não consigo chegar até eles. Ficam apáticos e fazem tudo de qualquer jeito.
  Como chegar até eles? Como estimular essas crianças? Como dar a essas crianças, tão carentes de sonhos e ambição, as mesmas oportunidades daquelas que desde cedo tem o mundo da leitura e escrita como parte do seu mundo?



REFLEXÃO
         Três anos depois da postagem sobre os desafios da alfabetização observo a mesma realidade quanto a questão do letramento. Ou seja alunos que leem, mas não conseguem compreender o que leem. E isso se refere á leitura de um texto  ou um parágrafo. Muitas vezes eles não compreendem o enunciado de uma atividade.
        Entender essa dificuldade para ajuda-los a avançar  nas suas aprendizagens me desafia a pesquisar mais sobre o assunto e experimentar diferentes dinâmicas, mas percebo que os progressos são bastante lentos.
         A questão da interpretação em alguns casos deve- se à  lentidão na leitura ou leitura” travada”. Percebo que num enunciado com mais de uma ação, quando leram a segunda já não lembram a primeira.
        Outro fator que percebo interferir é a questão do vocabulário. Há palavras que para alguns são comuns, para outros não fazem sentido. Por exemplo, na realização de uma atividade uma aluna travou na questão: Qual é o assunto do texto? Depois de explicar algumas vezes e faze- la reler a questão  compreendi que ela não conhecia a palavra assunto. Essa palavra não fazia parte de seu vocabulário. Comecei a refletir então sobre o quantas vezes eles não entendem alguma coisa, não por não saber ler, mas por desconhecer o que estão lendo.
        Já se sabe que alfabetização e letramento são dois processos diferentes embora um esteja relacionado ao outro. Percebemos que nas práticas escolares, especialmente no ciclo de alfabetização se dá mais espaço á alfabetização no seu sentido de decodificar a escrita e se espera que com  isso a criança já de conta do uso social da escrita. E os professores do pós alfabetização (meu caso) imaginam que eles já sejam capazes de compreender desde um texto jornalístico, uma informação científica, um manual de um jogo ou qualquer outro gênero textual. Precisamos ter em mente que:
          Aprender a ler e a escrever significa adquiri uma tecnologia: a de codificar em língua escrita (escrever) e de decodificar a língua escrita (ler). Porem adquirir não é o suficiente, é necessário se apropriar dela. Isto significa fazer uso das práticas sociais de leitura e de escrita, articulando-as ou dissociando-as da prática de interação oral, dependendo de cada situação vivida.” ROSA, A (2012 p.17)
         Isso requer uma mudança nas práticas; precisamos mediar a interlocução entre a criança e o texto, para compreendermos o que ela entende e faze- las avançar.

         Os professores ainda precisam prestar atenção nas interpretações que os alunos fazem daquilo que observam para fornecer todas as orientações quando necessário. Há evidências de que a aprendizagem pode ser melhorada quando os professores prestam atenção nos conhecimentos e crenças que os alunos trazem e utilizam este conhecimento como ponto de partida para a instrução do conhecimento verdadeiro.” Rosa, A (2012 p. 87)
         REFERÊNCIAS
              ROSA, Caciací Santos de Santa. Leitura: uma porta aberta na formação do cidadão. Disponível em: http://www.secult.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espacoautorias/artigos/leitura%20-%20uma%20porta%20aberta....pdf. Acessado em 18/09/2013
          SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/18892732/Artigo-Alfabetizacao-e-Letramento-MagdaSoares1. Acessado em 05/10/2013.

POSTAGEM 4


   O desafio apresentado no início do curso de Pedagogia de se distanciar e lançar um novo olhar sobre a escola em que trabalhamos tem me levado, mais que tudo, a refletir sobre minhas práticas na escola.
   Sempre pautei meu trabalho pedagógico em ajudar meus alunos a construírem suas aprendizagens e criarem estratégias para resolverem os desafios que surgirem em suas caminhadas... Busquei sempre tornar suas aprendizagens significativas, partindo da realidade em que vivem e de suas experiências para aprofundar seus conhecimentos. Procurei manter a ética profissional, ajudar e aprender com meus colegas, interagir com a comunidade e buscar novos conhecimentos para aprimorar meu trabalho.
   No entanto, após as leituras iniciais do curso e desse olhar diferente que estou aprendendo a lançar sobre a escola, descubro que essa maneira de trabalhar, embora considere qualificada e comprometida com a individualidade de meus alunos, pouco tem contribuído para que esses indivíduos se reconheçam como coletivo, se tornem sujeitos da cultura que eles vivenciam e contribuam para construir uma sociedade que experiencie a diversidade e acabe com as desigualdades.

   Rever minha postura a essa altura da minha carreira parece um contrassenso; deveria estar me acomodando e me preparando para a aposentadoria. Mas os novos desafios estão conseguindo me mobilizar e fazer novos projetos, me reciclar e tentar contribuir, nessa comunidade, para fazer uma escola melhor.



       REFLEXÃO
   

     Acompanhar e dar conta das constantes e cada vez mais rápidas mudanças que  ocorrem na sociedade no período contemporâneo é sem duvida um dos maiores desafio da educação no geral e do professor em particular. E quando refiro a mudanças não estou falando apenas das mudanças tecnológicas que estão visíveis e presentes cada vez mais no cotidiano de nossas crianças e jovens.
    Refiro-me as mudanças nas relações sociais que essas tecnologias provocam e que muitas vezes ainda não conseguimos dar conta.
      Segundo Castells (2000 p. 17), “A revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo introduziram uma nova forma de sociedade, a sociedade em rede. Essa sociedade é caracterizada pela globalização das atividades econômicas decisivas do ponto de vista estratégico, por sua forma de organização em redes; pela flexibilidade e instabilidade do emprego e pela individualização da mão-de-obra. Por uma cultura de virtualidade real construída a partir de um sistema de mídia onipresente, interligado e altamente  diversificado.
       Com o acesso a informação cada vez mais fácil e rápido cabe à escola e ao professor ajudar as novas gerações a verificar, filtrar, selecionar as informações que  são relevantes e que irão ajuda- lo a intervir nessa sociedade. Nosso papel é mais do que formar usuários e consumidores das tecnologias, mas pessoas capazes de criar e recriar tecnologias que deem conta de suas necessidades, de seus projetos e de seus anseios. Pessoas que atuem em rede precisam ser pessoas solidárias, abertas ao novo e criativas.
       Como formar essas pessoas na escola? Que competências e habilidades são essenciais para esse mundo globalizado e ao mesmo tempo individualista? Como leva-los a perceber os múltiplos saberes que estão contemplados em um objeto ou fato?
       Dificilmente teremos uma resposta única, ou um caminho pronto. Mas alguns princípios acredito serem indispensáveis como alicerces de uma nova educação para um novo mundo em constante mudança.
   Uma educação cooperativa, interdisciplinar ,participativa e alicerçada no compromisso com a inclusão e aprendizagem de todos, no respeito e valorização da diversidade e também da individualidade de cada sujeito seriam pontos de partida para realmente a escola dar conta do seu papel de formadora de cidadãos.
      

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. v. 1.


POSTAGEM 3


quinta-feira, 14 de maio de 2015
Dia desses, assistindo uma reportagem no Jornal Nacional sobre as cheias do Rio Amazonas e seus afluentes, e as dificuldades das crianças das populações ribeirinhas em frequentar a escola, me chamou a atenção a fala de uma menina, cuja mãe faz o percurso de casa até a escola, oito vezes por dia, de canoa pelo rio, para não deixar os filhos faltarem aula. A menina afirmou que valia à pena o risco e o sacrifício para estudar e “um dia ser alguém na vida”.
Fiquei pensando:
- Se não estudar, ela não é ninguém?
- O que é para ela, “ser alguém na vida”?
- O que é para nós, professores, ser alguém na vida?
- Onde está o poder da escola em fazer essa menina que vive no “fim do mundo” (na visão cosmopolita que temos do mundo) em ser alguém?
- Na “era do conhecimento”, em que vivemos, qual o espaço que essas populações tem para “ser alguém”; passar a existir; ter espaço, sem deixar de ser quem são?

São questões para as quais estamos sempre refletindo, e não sabemos o que e como responder. Qualquer que seja a resposta, será sempre o início de novas reflexões, a busca de novos caminhos, a construção de novos saberes. Não os saberes técnico-científicos da sociedade moderna, mas os saberes da vida, que sempre se renovam

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     REFLETINDO SOBRE A POSTAGEM
     A Escola faz diferença na vida das pessoas? Que diferença? Ela contribui, especialmente nas comunidades populares, para uma mudança de vida, para o empoderamento desses grupos? Damos, nós professores, as respostas que esses grupos esperam de nós para ajuda-los a ser cidadãos?
    Essas questões sempre vem a tona quando se quer construir um projeto par educação, seja  o Projeto Político Pedagógico, seja o projeto de trabalho ou, como agora um Projeto de estágio.


BLOG 2018- POSTAGEM II


   A cidadania se aprende principalmente pela vivência e pela convivência. Ser cidadão é, antes de tudo, sentir-se como parte de uma sociedade. Não apenas usufruir dos direitos, mas também atuar como responsável pelo coletivo social e pelo ambiente.
   Se a pessoa se sente parte de um grupo, ela age para preservar e melhor o espaço desse grupo.
   A escola é o primeiro espaço, depois da família, onde o ser humano tem a possibilidade de conviver. Se, nesse espaço ele se sentir acolhido e ali for levado a refletir sobre o que faz, sobre o por quê e o como fazer, já será um grande aprendizado para a cidadania.
   Experiências de cooperação, de solidariedade e de autonomia na aprendizagem são, ao meu ver, imprescindíveis para se formar pessoas mais conscientes, mais críticas e também mais capazes de refletir sobre seus atos, de se colocar no lugar do outro e de ajudar na busca do bem comum.

   O que precisamos aprender, como educadores, é refletir como cada uma de nossas práticas pode ajudar nesse aprendizado.




"A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram.  Homens que sejam criadores, inventores, descobridores.  A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe."
Jean Piaget

         Muitas vezes, em minha prática e, mais ainda durante o estágio me veio essa indagação: “Como as atividades que eu proponho ajudam meus alunos a se constituírem como cidadãos?” “Como posso contribuir para que eles realmente se sintam como partes da sociedade e  que nela podem atuar ?” “Como leva-los a perceber que nossos atos e escolhas têm consequências que vão além  das paredes de nossas casas ou das ruas do nosso bairro?”
      Acho bem importante para essa reflexão  fazer referência ao que entendo com cidadania
e como cidadão. A referência a Paulo Freire e sua definição como meta da educação traz uma importante  ideia do que seria um cidadão. Ou seja um sujeito capaz de compreender como a sociedade se estrutura, analisar a quem essa sociedade serve e ser capaz de intervir nela para criar novas formas de  produzir sem explorar o outro e sem destruir o ambiente e estabelecer,novas e democráticas relações de trabalho e poder.
        Por isso ou seja para compreender porque as coisas estão de determinada forma ou são feitas de determinada maneira, acho importante o trabalho com linhas de tempo. Acredito que percebendo, por exemplo que as pessoas nem sempre produziram seu alimento como produzem hoje, nem sempre se locomoveram como atualmente, em outras épocas se vestiram ou falaram diferente do que falam hoje, as crianças comecem a se dar conta de que as coisas podem ser diferentes, que as transformações ocorreram e ocorrem por determinadas necessidades de alguns grupos. E sendo assim podem vir a ser diferentes.E que para ser diferente depende da efetiva participação dos “cidadãos” críticos, atuantes e livres.
      Entendo que meus alunos pré adolescentes ainda não são capazes de compreender toda essa trama que envolve cidadania, poder, interesses, mas começar  aperceber que existem mais de uma resposta que pode ser certa, ou mais de um caminho para se chegar a ela é fundamental para que no futuro não enrede na trama da verdade única ou de que as coisas são assim por que sempre foi assim.
!


BLOG 2018/2 POSTAGEM I


quarta-feira, 29 de abril de 2015
   Hoje, enquanto relia o livro "O menino que aprendeu a ver", da Ruth Rocha, comecei a refletir sobre a minha trajetória inicial no PEAD. Em muitas situações me sinto como aquele menino que olha e não vê. E, aos poucos vai descobrindo caminhos e sentidos.
   Ainda tenho uma longa caminhada, mas sinto que também já tenho algumas conquistas. Para quem se sentia analfabeta nos ambientes virtuais, ter criado um blog, enviar trabalhos no moodle e participar de fóruns virtuais, é como ler as primeiras páginas de um livro.
   A leitura do livro também me fez refletir sobre o desafio do professor alfabetizador na sociedade letrada em que vivemos. Temos a tarefa de iniciar as crianças no fantástico, desafiador e desacomodador mundo do conhecimento acumulado pela humanidade...
   A construção da escrita foi um processo que levou milhares de anos, desde os primeiros riscos nas paredes das cavernas, até a simbologia fonética dos alfabetos. E saber que uma criança é capaz de reconstruir essa trajetória em sete ou oito anos é deparar-se com a incrível capacidade que nós, seres humanos, temos de aprender, e de aprender a aprender.
   E nosso desafio é ainda maior porque, além de decodificar os símbolos do alfabeto, juntá-los para dar-lhes sentidos, precisamos ajudá-los a descobrir as funções sociais da escrita na nossa sociedade; o poder que a capacidade de se apropriar do conhecimento tem para transformar suas vidas.
   O poder, pro exemplo, que a Ruth Rocha teve, em uma história para crianças, de me fazer pensar e me questionar sobre o meu papel como professora que tem paixão por ver as crianças descobrirem a leitura e o compromisso de fazer isso de maneira cada vez melhor.


     A necessidade de um novo olhar sobre a prática pedagógica foi se evidenciando ao longo do trajeto da formação em Pedagogia à medida em que se aprofundavam as leituras, debates e reflexões sobre os desafio da educação nos dias atuais.
        Essa mudança no olhar se deu principalmente sobre o aluno e como ele constrói suas aprendizagens, como ele pensa determinado conhecimento, determinada atividade, sobre o que o estimula ( ou não) que expectativas ele traz, c0mo ele se vê como individuo e como sujeito no ambiente escolar
      Esse olhar se principalmente pela escuta e reflexão sobre suas falas. Pela reflexão do que pode estar por traz de determinada atitude, pelo questionamento, não de que interroga e julga, mas de quem quer junto encontrar caminhos para a aprendizagem.
   Uma nova forma de olhar, de escutar, de questionar esta exigindo uma nova postura, um jeito diferente de perguntar, e ouvir, um tom de voz diferente, uma  expressão não de quem tem as respostas, mas de quem quer encontra- las  junto, sem convicções petrificadas, sem juízo de valor entre certo e errado, entre bom e mau, entre “ eu que sei” e “ você que não sabe”.
    Um novo olhar que comtemple as individualidades e os ritmos de cada um, que avalie cada um pelo que aprendeu a partir do que já sabia e não por aquilo que não aprendeu daquilo que eu ache que deva aprender.
      Afinal “ se submetemos os diferentes ritmos dos alunos a um único tempo de aprendizagens, produziremos a diferenciação do desempenho dos alunos” FREITAS, 2004.
    Um novo olhar também sobre a escola e seus novos papeis numa sociedade que é do conhecimento, mas também é da superficialidade, da efemeridade, da descartabilidade de produtos, de sujeitos e de  sentimentos. È para essa sociedade que a escola tem a função de preparar. E é dessa sociedade, muitas vezes excludente, competitiva, consumista e individualista que nós e nossos alunos viemos. Muitas vezes de lugares sociais opostos e por isso conflitantes.
    Como a escola e o professor e escola podem mediar essa relação entre o sujeito que se quer crítico livre, consciente e que a sociedade exige consumidor, maleável  e  manipulável e ao mesmo tempo empreendedor e inovador?
    Por causa disso entendemos a educação  como” um processo contínuo, complexo e sútil, marcado por profundas contradições e processos coletivos e permanentes de formação de cada indivíduo, o que se dá na relação entre os indivíduos e entre este e a natureza”

REFERÊNCIAS
FREITAS LUIZ C. A avaliação e as reformas  dos anos  de 1990 Educação& Sociedade Campinas, 2004
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2180-8.pdf