quarta-feira,
2 de novembro de 2016
História nas séries iniciais
O conceito de história como ciência que estuda o passado não
contempla toda diversidade de relações que essa área do conhecimento traz
embutida na forma como seus conceitos estruturais são trabalhados na escola.
O processo do trabalho com história, sempre esteve atrelado à
ideia de educação e sociedade que se quer manter ou modificar. Por isso, por
muito tempo a noção de nacionalismo com um ensino dessa disciplina centrado nas
datas comemorativas e nos fatos a ela relacionados, predominou nas escolas.
Essa tradição, ainda presente nas escolas, tinha por objetivo
formar uma ideia de pertencimento à uma nação e naturalização das relações de
poder que nela se mantém.
Felizmente, à partir da nova LDB e dos PCNS, busca-se assumir uma
nova perspectiva para o trabalho com essa disciplina. Preocupa mais em relacionar os problemas históricos
relativos ao tempo e ao espaço com o cotidiano do aluno fazendo-o perceber as
mudanças, permanências, simultaneidades e rupturas, a partir do seu entorno.
Busca-se assim, auxiliá-los a construir sua identidade individual, família,
social e coletiva, reconhecendo e respeitando as diferenças entre a sua e
outras culturas.
A construção dos conceitos de tempo, sujeito, espaço e
acontecimento histórico precisam ser construídos a partir da valorização do
cotidiano social que permeia a vida dos alunos e sua relação com a experiência
histórica de outros grupos, lugares e tempos.
Assim atenderemos a um dos objetivos do ensino de História
presentes no PCN: “Dentro dessa perspectiva, o ensino de história tende a
desempenhar um papel relevante na formação da cidadania, envolvendo a reflexão
sobre a atuação do indivíduo em suas relações pessoais, com o grupo de
convívio, suas afetividades e sua participação no coletivo” (Parâmetros
Curriculares Nacionais – História e Geografia).
Reflexão sobre a
postagem
Em
tempos em que se fala sobre doutrinação ideológica nas escolas e questiona-se o
papel das aulas de História no processo de escolarização é preciso reforçar seu
papel indispensável na formação de cidadãos. Não cidadãos que vão ser. Mas como
cidadãos que já são.
Ser cidadão compreende construir uma identidade dentro da sociedade.
Identidade essa que se forma pela
compreensão dos processos que nos fazem estar aqui, nesta situação, neste
tempo. Sem a compreensão que aquilo que somos é resultado de ações e relações
que se deram e se dão no tempo e no espaço nos torna objetos da história de
relações de poder que se mantém.
Para exercer plenamente a cidadania é
preciso essa compreensão sobre esses processos a fim d intervir com
consciência, responsabilidade e criticidade na própria história e na história
da sociedade. Como lembra Caniato, (
1997. P.65) :
A escola deve ser o lugar onde de maneira mais sistemática e orientada,
aprendemos a Ler o Mundo e a interagir com ele. Ler o mundo significa aqui
poder entender e interpretar o funcionamento da Natureza e as interações dos
homens com ela e dos homens entre si. Na escola podemos exercitar, aferir e
refletir sobre a ação que praticamos e que é feita sobre nós. Isso não
significa que só na escola se faça isso.
Ela deve ser o lugar que praticamos a leitura de Mundo e a interação com ele de
maneira orientada, crítica e sistemática.
REFERÊNCIAS
CANIATO, Rodolpho. Com Ciência na
Educação. 3ª reimpressão. Campinas: São Paulo. Papirus, 1997