Considero sempre relevante repensar sobre o papel do professor e da escola no contexto político e social que estamos vivendo.
Quando acessamos qualquer projeto relacionado à educação sempre é referido como objetivo a formação de cidadãos críticos, autônomos, conscientes e participativos. Isso requer do professor mais do que conhecimento técnico-metodológico sobre o ato de ensinar. Também não basta ter "vocação" para fazê-lo. Além dessas capacidades, a docência na modernidade requer uma responsabilidade político social com os sujeitos de sua ação.
Isso faz do "ser professor" uma das profissões mais complexas da contemporaneidade. Pedro Demo (2004) afirma que ser profissional da educação hoje é, acima de tudo, saber continuadamente renovar sua profissão.
Esse desafio se torna muito maior num tempo em que o projeto neoliberal de poder através de seus mecanismos de controle social faz dessa profissão uma das mais desvalorizadas e criticadas da sociedade.
Ao mesmo tempo em que se delega à escola e aos professores cada vez mais tarefas na formação das crianças, se retira dela recursos e autonomia para cumpri-las com qualidade. Para encarar esses desafios, se faz necessário que o professor desenvolva 4 aprendizagens fundamentais, que Delors define como: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.
Afinal como afirma Freire (1973)
"O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrata, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar a sua marca."
Referências:
DELORS, M. G. Ofício de mestre: imagens e autoimagens. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2000.
DEMO, Pedro. Revista Profissão Mestre. Curitiba, Paraná, ano 6. n° 61. p. 18- 26. Out. 2004.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 37ª. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2008.
segunda-feira, 29 de maio de 2017
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Trabalho em grupos: desafios e aprendizagens
Ao iniciar o trabalho com projeto de aprendizagem pude perceber o quanto as crianças tem dificuldade de trabalhar em grupo. Especialmente numa proposta tão desafiadora.
É fácil perceber a resistência que eles tem em compartilhar e cooperar.
E isso também é reflexo da forma como se trabalha na escola. A própria disposição dos alunos em sala (em filas) favorece o individualismo. E quando acontecem trabalhos em grupo, geralmente aqueles que "sabem mais" devem ajudar os que têm dificuldades.
Há bastante tempo que, nas turmas onde trabalho, procuro diversificar a disposição da turma: sentam em filas, em semi círculos, em grupos, em duplas. É claro que apenas isso não garante um trabalho diferenciado. Mas ao menos provoca desacomodação e faz com que experimentem diferentes posições frente aos colegas.
Não dá pra negar que no início essa forma de trabalho causa agitação, tumulto e alguma resistência. Mas com o passar do tempo, se torna natural.
A partir dos estudos de Lev Vigotsky, percebemos que as interações sociais são impulsionadoras do conhecimento e que a aprendizagem se dá na troca com o outro. E o nível hierárquico em que se dá essa troca interfere muito nessa aprendizagem. Enquanto o professor se coloca no papel de quem sabe e ensina, e o aluno deve obedecer e aprender, a relação se torna quase nula.
Já nos trabalhos em grupo, na relação com seus pares e o professor assumindo o papel de mediador, favorecendo a busca de estratégias para resolução de situações relacionadas ao contexto da criança, a aprendizagem torna-se verdadeiramente significantes.
Além disso, nos trabalhos em grupos o aluno desenvolve valores sociais importantes: o respeito, a compreensão, a solidariedade, o saber ouvir e falar.
A mudança não acontece de um dia para o outro, conflitos e tumultos vão acontecer. Mas isso também faz parte da aprendizagem.
É fácil perceber a resistência que eles tem em compartilhar e cooperar.
E isso também é reflexo da forma como se trabalha na escola. A própria disposição dos alunos em sala (em filas) favorece o individualismo. E quando acontecem trabalhos em grupo, geralmente aqueles que "sabem mais" devem ajudar os que têm dificuldades.
Há bastante tempo que, nas turmas onde trabalho, procuro diversificar a disposição da turma: sentam em filas, em semi círculos, em grupos, em duplas. É claro que apenas isso não garante um trabalho diferenciado. Mas ao menos provoca desacomodação e faz com que experimentem diferentes posições frente aos colegas.
Não dá pra negar que no início essa forma de trabalho causa agitação, tumulto e alguma resistência. Mas com o passar do tempo, se torna natural.
A partir dos estudos de Lev Vigotsky, percebemos que as interações sociais são impulsionadoras do conhecimento e que a aprendizagem se dá na troca com o outro. E o nível hierárquico em que se dá essa troca interfere muito nessa aprendizagem. Enquanto o professor se coloca no papel de quem sabe e ensina, e o aluno deve obedecer e aprender, a relação se torna quase nula.
Já nos trabalhos em grupo, na relação com seus pares e o professor assumindo o papel de mediador, favorecendo a busca de estratégias para resolução de situações relacionadas ao contexto da criança, a aprendizagem torna-se verdadeiramente significantes.
Além disso, nos trabalhos em grupos o aluno desenvolve valores sociais importantes: o respeito, a compreensão, a solidariedade, o saber ouvir e falar.
A mudança não acontece de um dia para o outro, conflitos e tumultos vão acontecer. Mas isso também faz parte da aprendizagem.
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