Nas turmas de EJA em que trabalho à noite, dou aula de Língua Portuguesa. Na semana anterior havia preparado uma aula sobre o gênero textual poesia com a música "O meu guri" do Chico Buarque. Meu objetivo era encontrar na letra da música as características desse gênero textual, além de fazer a interpretação do texto.
Depois da aula de Literatura do PEAD resolvi mudar a condução da aula e o resultado superou minhas expectativas.
Iniciei a aula questionando sobre os acontecimentos do domingo ( votação do impeachment na câmara dos deputados) e o que eles pensavam sobre isso. Eles foram bastante econômicos em suas falas até que um deles disse "Tá bom vamos ter aula ou ficar falando de política". Então encerrei a conversa e propus que ouvissem a música pois iríamos continuar trabalhando com os gêneros textuais.
Depois de ouvir e ler a letra, questionei sobre o que sentiram e o que entenderam da mesma. A manifestações e a conversa que seguiram foram riquíssimas e empolgantes. Conseguimos relacionar o texto com a realidade em que vivem. Ao final da aula um amoça, muito tímida e arredia disse que foi a melhor aula que tiveram. E eu conclui dizendo que passamos a aula inteira falando de política.
Na aula seguinte fizemos o estudo do gênero textual e a interpretação com muito mais interesse e participação.
Mas o resultado maior foi a oportunidade de ouvir meus alunos, além da situação formal de aula.
domingo, 24 de abril de 2016
O brincar do mundo pós-moderno (Ou refletindo porque nossas crianças não brincam como nós)
Após a aula presencial de Ludicidade as discussões e os vídeos assistidos, resolvi acompanhar o recreio nas escolas onde trabalho. Meu objetivo era registrar brincadeiras que ainda estivessem presentes no dia-a-dia de nossas crianças.
Mas, para minha tristeza não foi isso que vi: Os meninos na quadra correm atrás da bola e constantemente alguns param para agredir e xingar; enquanto as meninas correm pelo corredor se puxando de um lado para o outro. De brincadeira com alegria, espontaneidade e companheirismo, nem sinal.
Então comecei refletir e buscar causas para esse comportamento. Talvez esteja fazendo uma leitura um pouco restrita de uma situação. Mas acredito que podemos tirar algumas conclusões.
Primeiramente podemos concluir que o comportamento das crianças é uma reflexo da sociedade em que vivemos: Então o individualismo, a competição e a intolerância são marcas também presentes no brincar das crianças.
Podemos também associar à falta de brincadeiras de que as crianças são criadas cada vez mais sozinhas, acompanhadas apenas pela televisão e computador. Sendo assim elas tem dificuldade de socialização e cooperação. A falta de espaço, a insegurança podem estar colaborando com para essa individualização.
Os brinquedos prontos e estruturados que são d fácil acesso para as crianças também acabam por limitar sua criatividade e espontaneidade.
Enfim são inúmeras causas que poderiam justificar o fato de que nossas crianças já não sabem brincar.
O que é realmente de se lamentar é que a escola não oferece um contraponto a essa realidade. A crianças ficam três horas e meia confinadas nas salas de aula realizando atividades individuais e nas meia hora restante queremos que eles sejam alegres, espontâneos, companheiros...
Mas, para minha tristeza não foi isso que vi: Os meninos na quadra correm atrás da bola e constantemente alguns param para agredir e xingar; enquanto as meninas correm pelo corredor se puxando de um lado para o outro. De brincadeira com alegria, espontaneidade e companheirismo, nem sinal.
Então comecei refletir e buscar causas para esse comportamento. Talvez esteja fazendo uma leitura um pouco restrita de uma situação. Mas acredito que podemos tirar algumas conclusões.
Primeiramente podemos concluir que o comportamento das crianças é uma reflexo da sociedade em que vivemos: Então o individualismo, a competição e a intolerância são marcas também presentes no brincar das crianças.
Podemos também associar à falta de brincadeiras de que as crianças são criadas cada vez mais sozinhas, acompanhadas apenas pela televisão e computador. Sendo assim elas tem dificuldade de socialização e cooperação. A falta de espaço, a insegurança podem estar colaborando com para essa individualização.
Os brinquedos prontos e estruturados que são d fácil acesso para as crianças também acabam por limitar sua criatividade e espontaneidade.
Enfim são inúmeras causas que poderiam justificar o fato de que nossas crianças já não sabem brincar.
O que é realmente de se lamentar é que a escola não oferece um contraponto a essa realidade. A crianças ficam três horas e meia confinadas nas salas de aula realizando atividades individuais e nas meia hora restante queremos que eles sejam alegres, espontâneos, companheiros...
domingo, 17 de abril de 2016
Repensando nossa trajetória
"(...) fomos um dia o que alguma educação nos fez. E estaremos sendo, a cada momento de nossas vidas, o que fazemos com a educação que praticamos e o que os círculos de buscadores de saber com os quais nos envolvemos estão constantemente criando em nós e fazendo conosco" (Brandão, 2000, p 451).
A construção do blog de aprendizagem nos faz constantemente revisitar nossa trajetória como professores e também como alunos.
Essas reflexões possibilitam a descoberta de aspectos e vivências pessoais que foram decisivos na constituição de nossas práticas.
Temos consciência de que vivemos novos tempos que exigem de nós novas posturas. Mas sem dúvidas, aquelas experiências que foram significativas por nos ajudar a ser mais críticos, mais questionadores e sempre em busca de novas alternativas são as marcadas que carregamos na nossa prática.
A paixão pela leitura e pela pesquisa, acredito serem as marcas mais significativas que procuro compartilhar com aqueles quem assino e aprendo.
A construção do blog de aprendizagem nos faz constantemente revisitar nossa trajetória como professores e também como alunos.
Essas reflexões possibilitam a descoberta de aspectos e vivências pessoais que foram decisivos na constituição de nossas práticas.
Temos consciência de que vivemos novos tempos que exigem de nós novas posturas. Mas sem dúvidas, aquelas experiências que foram significativas por nos ajudar a ser mais críticos, mais questionadores e sempre em busca de novas alternativas são as marcadas que carregamos na nossa prática.
A paixão pela leitura e pela pesquisa, acredito serem as marcas mais significativas que procuro compartilhar com aqueles quem assino e aprendo.
domingo, 3 de abril de 2016
A crise e a educação
Impossível, nos dias atuais, ouvir os meios de comunicação, ou entrar numa conversa sem que se fale em crise. Parece que em todos os lugares, em todos os setores da sociedade, em todas dimensões de nossa vida imperam o negativismo a descrença, as incertezas e as dificuldades.
São as denúncias de corrupção na política, a inflação e desemprego na economia, as epidemias, falta de remédios e vagas na saúde, as enchentes numa região, seca na outra, transtornos climáticos.
Em nível mundial são os imigrantes na Europa, as guerras e guerrilhas na África e Oriente Médio, os atentados em qualquer lugar a qualquer hora...
E no nosso dia-a-dia é a violência, o medo, o stress, as incertezas.
Na sociedade é a intolerância, o preconceito, o individualismo, a instabilidade nas relações...
E a escola, como fica? O que ensinar se já, não sabemos o que é concreto. como ensinar crianças e jovens que não querem o esforço de descobrir para aprender? Para que ensinar se a sociedade em transformação dificulta os espaços para a manifestação, para a pesquisa, para a cooperação?
Se é verdade que é do caos que surge o novo, estamos sem dúvida na eminência de um novo mundo, com novos paradigmas, novos valores, novas relações.
Se serão melhores, mais justas, mais humanas, mais solidárias, depende das aprendizagens que fizermos do momento que vivemos.
E é essa nossa árdua, urgente e imprescindível tarefa enquanto professores. Preparar homens capazes de concretizar esse novo mundo. Homens sujeitos de sua história, atores de sua vida, protagonistas da esperança, da fraternidade e da sua felicidade.
São as denúncias de corrupção na política, a inflação e desemprego na economia, as epidemias, falta de remédios e vagas na saúde, as enchentes numa região, seca na outra, transtornos climáticos.
Em nível mundial são os imigrantes na Europa, as guerras e guerrilhas na África e Oriente Médio, os atentados em qualquer lugar a qualquer hora...
E no nosso dia-a-dia é a violência, o medo, o stress, as incertezas.
Na sociedade é a intolerância, o preconceito, o individualismo, a instabilidade nas relações...
E a escola, como fica? O que ensinar se já, não sabemos o que é concreto. como ensinar crianças e jovens que não querem o esforço de descobrir para aprender? Para que ensinar se a sociedade em transformação dificulta os espaços para a manifestação, para a pesquisa, para a cooperação?
Se é verdade que é do caos que surge o novo, estamos sem dúvida na eminência de um novo mundo, com novos paradigmas, novos valores, novas relações.
Se serão melhores, mais justas, mais humanas, mais solidárias, depende das aprendizagens que fizermos do momento que vivemos.
E é essa nossa árdua, urgente e imprescindível tarefa enquanto professores. Preparar homens capazes de concretizar esse novo mundo. Homens sujeitos de sua história, atores de sua vida, protagonistas da esperança, da fraternidade e da sua felicidade.
Novos olhares, novas posturas
Ao refletir sobre a reação de nós, professoras, alunas do Pead à tarefa que o professor apresentou, percebo o quanto ainda somos conformadas por conceitos de ensino-aprendizagem e avaliações que estão associados a uma concepção de escolarização como transmissão e devolução de conhecimentos.
A tarefa consistia em escolher uma colega para selecionar e comentar duas postagens nossas para adequá-las àquilo que construímos como parâmetros de uma boa postagem.
A resistência se deveu ao receio de que os comentários das colegas fossem no sentido de fazer uma crítica que "depreciassem" nossas postagens.
A meu ver esse receio está internalizado em nós, porque durante nossa formação, as nossas produções eram lidas apenas com o propósito de avaliar, no sentido de medir nossa capacidade de nos expressarmos com coerência e coesão. E, também na nossa prática, vemos a avaliação com esse objetivo.
É difícil para nós rompermos com essa ideia, nos expormos e aceitar que os comentários, e, até as críticas, vão nos ajudar a melhorar nossas produções e que outro olhar pode nos fazer vê-las sob uma nova perspectiva. Isso é aprendizagem reflexiva-interacionista. É aprender com a intervenção do outro.
Acredito que esse processo se dará a medida que tentamos ousar, aceitar e nos reinventarmos.
Somos frutos da formação que tivemos, mas isso não justifica que pensemos e façamos sempre do mesmo jeito.
Afinal sem essa disposição em reaprendermos, não faz sentido estarmos aqui!
A tarefa consistia em escolher uma colega para selecionar e comentar duas postagens nossas para adequá-las àquilo que construímos como parâmetros de uma boa postagem.
A resistência se deveu ao receio de que os comentários das colegas fossem no sentido de fazer uma crítica que "depreciassem" nossas postagens.
A meu ver esse receio está internalizado em nós, porque durante nossa formação, as nossas produções eram lidas apenas com o propósito de avaliar, no sentido de medir nossa capacidade de nos expressarmos com coerência e coesão. E, também na nossa prática, vemos a avaliação com esse objetivo.
É difícil para nós rompermos com essa ideia, nos expormos e aceitar que os comentários, e, até as críticas, vão nos ajudar a melhorar nossas produções e que outro olhar pode nos fazer vê-las sob uma nova perspectiva. Isso é aprendizagem reflexiva-interacionista. É aprender com a intervenção do outro.
Acredito que esse processo se dará a medida que tentamos ousar, aceitar e nos reinventarmos.
Somos frutos da formação que tivemos, mas isso não justifica que pensemos e façamos sempre do mesmo jeito.
Afinal sem essa disposição em reaprendermos, não faz sentido estarmos aqui!
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