domingo, 29 de novembro de 2015

Institucionalização da infância

  De acordo com a interpretação de alguns gestores, a partir de 2016, todas as crianças que completarem quatro anos, deverão estar matriculadas e frequentando as escolas de ensino fundamental. Segundo eles, além de cumprir a determinação do plano nacional de educação, estarão oportunizando a essas crianças o pleno desenvolvimento de suas capacidades físicas, cognitivas e de socialização.
  É inegável que na sociedade pós-moderna o espaço e o tempo para as infâncias viverem como tal, são cada vez mais reduzidos. Além disso, cada vez mais entendemos a infância como um tempo de preparação para a vida adulta, e para isso a escola seria o espaço ideal. (Será?).
  No entanto, as reflexões da disciplina de "Infâncias de 0 a 10", fizeram-me levantar algumas questões que deixo aqui registradas:

  • É para serem adultas que as crianças brincam, interagem, se movimentam, procuram, perguntam...?
  • É desse tipo de espaço que elas precisam, ou mais uma vez nós, adultos racionais, estamos determinando o que é melhor para esses seres "incompletos e incapazes"?
  • Que espaço as crianças terão na escola para fazerem as próprias descobertas e se manifestarem espontaneamente?
  • Tem as escolas o espaço físico e os recursos necessários para essa faixa etária tão singular para essa faixa etária tão singular e ao mesmo tempo tão dinâmica?
  Mais uma vez, ficam as questões.

O desafio da alfabetização

   Ao fazermos um resgate da história da educação no Brasil, percebemos que a preocupação com o analfabetismo esteve presente em quase todos os programas e projetos pensados e implementados na área de educação no Brasil, especialmente no período republicano.
   Várias concepções, teorias e métodos de aprendizagem da alfabetização balizaram esses programas, conforme a ideologia e visão de sociedade que os governantes de cada período tinham.
   No entanto, ainda hoje nos deparamos com um índice de mais de 8% de analfabetos com mais de 15 anos no país. Isso corresponde a mais 13 milhões de pessoas, que não conseguem ler ou escrever um bilhete.
Mesmo entre aqueles que frequentam a escola, o número de crianças que terminam o ensino fundamental sem conseguir encontrar uma informação simples num texto ou redigir um pequeno texto é preocupante.
   A mais recente tentativa de reverter esse quadro é a implementação do "Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa - PNAIC".
A ideia do pacto é agregar toda sociedade na soma de esforços para melhorar os índices de alfabetização no país.
   A teoria de aprendizagem que o pacto implementa é interacionista - reflexiva que propõe a construção da aprendizagem através das interações dos alunos com a escrita e leitura com a mediação do professor.
   É um programa ambicioso no seu objetivo e seu maior desafio é fazer a proposta chegar a todas as partes do pais, onde em muitos lugares a realidade da própria escola é caótica.

sábado, 28 de novembro de 2015

Meu ambiente alfabetizador

Trabalho em grupos.
Material concreto e jogos para alfabetização matemática.

Jogo: batalha silábica.

Alfabeto e palavras significativas com as famílias silábicas.

Partes do corpo e mapa de conceitos.
Mapa de conceitos construído a partir do tema: os animais.
Gêneros textuais: poesia.
Calendário.
Nome dos numerais.


Formação de duplas.
















terça-feira, 24 de novembro de 2015

Construção da Aprendizagem da Leitura

   Foram bastante significativas para minha prática as aprendizagens sobre como se constrói a habilidade de leitura.
   Para mim era passivo que depois que se apropriava do sistema de escrita alfabética, a criança consegue ler e entender o que lê. E me deixava muito conquistada ver que muitos de meus alunos de 4° ano "liam" um texto mas tenham dificuldade de encontrar uma informação explícita no texto.
   Ao observar com mais atenção a leitura deles, percebi que a maioria ainda se encontra na etapa da decodificação ou conflito entre decodificação e significado.
   Como fazê-los avançar?

domingo, 22 de novembro de 2015

A História da Educação no Brasil: Dominação, Elitismo e Autoritarismo

   Ao fazermos um estudo sobre a história da educação no Brasil, desde o período colonial fica evidente que a organização, os projetos pedagógicos, as bases curriculares (o modelo de educação) quase sempre foram impostos hierarquicamente por aqueles que detinham o poder político e econômico.
   Nas escolas e reduções, o projeto pedagógico era baseado no "ratio studorium" que tinha o objetivo de instruir os povos nativos à moda europeia, promovendo a sua civilização e a elite colonial era instruída nos valores morais e cristãos.
   Com a expulsão dos jesuítas na segunda metade do século XVIII "reformas pombalinas", deram início a "laicização" da educação. No entanto a estrutura hierarquizada, autoritária e compartimentada das escolas se manteve.
   No início da república buscou-se a universalização e gratuidade do acesso à escola, porém a própria metodologia pedagógica se encarregava de excluir as camadas mais pobres da população do avanço na escolarização.
   Com o início da Era Vargas, os pioneiros da educação organizaram reformas na educação que visavam "preparar" os cidadão para a vida em sociedade (cada vez mais urbana) e para o mercado de trabalho.
   Um modelo diferenciado de educação foi implementado na década de 1960, em algumas cidades brasileiras. Era o movimento de Educação Popular idealizado por Paulo Freire e outros educadores que adotam suas concepções de ensino aprendizagem. Essa proposta de diferenciava por seu caráter democrático, crítico e participativo.
   No entanto, a ditadura militar veio e o movimento foi abortado. Voltou a prevalecer o autoritarismo, o didatismo e o pragmatismo na educação.
Com a volta da democracia (1985) e a nova constituição criou-se o espaço para a construção de um modelo de escola mais democrático e participativo. Essa construção dos PCN, com a implementação do FUNDEB, dos programas como PNDE, PNAIC e outros.
   A mais nova etapa dessa construção é a criação da Base sendo chamados a participar da elaboração da parte diferenciada da Base que pretende levar em conta a cultura e a realidade de cada escola.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A Criança, a Educação Infantil e o Ensino Fundamental

  Os pareceres que normalizam o ensino fundamental, a obrigatoriedade da educação infantil, bem como o ciclo de alfabetização são baseados nos princípios da continuidade e ampliação.
  Anteriormente a essas normatizações, a educação infantil era vista com objetivos assistencialistas e compensatórios que justificavam o fracasso escolar pela perspectiva da carência cultural e deficiências cognitivas e linguísticas.
  Esses paradigmas ainda norteiam as práticas de muitos educadores, tanto na educação infantil, como no ensino fundamental e o desafio de transformar requer muito estudo e um esforço de todos envolvidos nesse processo.
  No entanto, é preciso ter consciência de que o ingresso na escola, por si só, não assegura às crianças o acesso a um contexto de ensino que promova aprendizagens significativas, o que supõe uma escola preparada em termos físicos, materiais e com profissionais competentes.
  É preciso,não apenas ampliar o tempo de permanência das crianças, mas também garantir que elas tenham de fato, o direito de aprender em um ambiente no qual suas necessidade e interesses sejam respeitados.
  Esse direito pressupõe necessariamente o espaço para o lúdico em sala de aula. Não apenas o jogo e a brincadeira com objetivos didáticos, mas como expressão da espontaneidade e criatividade da infância. Essa necessidade nos remete à uma discussão bastante presente nos contextos educacionais: "É possível alfabetizar e letrar num ambiente lúdico que respeite a singularidade das crianças nessa etapa?"
  É possível, se fizermos em nossas práticas a articulação da aprendizagem da leitura e da escrita a momentos de brincadeiras e de exploração de outras linguagens.
  Essa articulação precisa ir se apresentando de maneira desde a Educação Infantil, pois "negar em qualquer etapa da educação institucionalizada, o contato com a linguagem escrita e sua notação é contrariar a própria realidade social em que a criança está inserida, visto que desde cedo, ela convive com vários materiais expressos de circulação e participa de distintas práticas e eventos de letramento.
  A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental pode ser mais ou menos traumática, conforme essa articulação entre lúdico e aprendizagem estiverem presentes nessas etapas da escolarização.

Reflexões sobre os ataques a Paris


  

  Acompanhando os meios de comunicação, somos bombardeados por cenas e comentários sobre o que aconteceu em Paris na última sexta-feira. Foram cenas de violência que nos deixaram em estado de choque. Principalmente por que aconteceram no centro de uma das cidades mais famosas do mundo e um dos berços das ideias iluministas, que preconizam o domínio da razão sobre as emoções e a fé.
  É inaceitável que em pleno século XXI ainda tenhamos que nos deparar com cenas como essa, de atos terroristas movidos pela intolerância, pelo maniqueísmo religioso e pela necessidade de impor a visão de mundo de quem comete esses atos. Nesse momento, parece que todo o desenvolvimento científico e tecnológico que a humanidade alcançou, de nada serviram para nos tornar mais solidários e capazes de conviver com aqueles que pensam diferente de nós.
  Com toda certeza, essas cenas são inaceitáveis e incompreensíveis. Foi uma verdadeira noite de pavor. Mas o verdadeiramente lamentável é que outros fatos, outras cenas não causem em nós o mesmo choque e a mesma indignação.
  É também inaceitável que todos os dias ainda morram centenas de pessoas (militares e civis) nos ataques, guerras e guerrilhas promovidas pela ganância daqueles que as promovem com o objetivo de vender armas e controlar regiões estratégicas pela abundância de recursos naturais.
  Também é inaceitável que outros milhares definhem e morram pela completa inexistência dos mínimos recursos para sobrevivência (alimentos, água potável, medicamentos, saneamento).
  Igualmente não podemos mais aceitar que outros tantos habitantes do planeta vivam em situação degradante de mendicância, escravidão, prostituição, simplesmente porque outros acham que alguns atributos os tornam merecedores de todo conforto e qualidade de vida, além de bens materiais em quantidade muito maior do que aquelas que são capazes de usufruir.
  Nossa racionalidade também deveria ser incapaz de aceitar as infâncias perdidas pela violência do tráfico de drogas; outras, sufocadas pelo materialismo e egoismo do mercado, que cria pais consumidores de atributos dos seus filhos.
  São os atentados invisibilizados pela sociedade pós-moderna que provocam os ataques grandiosos como o que aconteceu em Paris.
  E não serão contra-ataques - também grandiosos - que mudarão a realidade. É preciso investir nossa fé, nosso conhecimento, nossa prática, para que cada ser humano que nos é confiado, na porta de nossas escolas, saia dali um pouco mais feliz, um pouco mais confiante e um pouco mais capaz de construir um mundo melhor.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cultura Afro e Consciência Negra

  Haverá o dia em que trabalhar a cultura e a história afro-brasileiras será tão normal nas escolas, como é trabalhar a cultura européia ou americana.
  Enquanto esse tema precisa de lei federal e é tratado apenas às vésperas do 20 de Novembro, deixo aqui algumas sugestões de literatura infantil. Esses livros fazem parte do acervo enviado pelo MEC para o ciclo de alfabetização, mas podem ser usados também em outras turmas do Ensino Fundamental.

domingo, 8 de novembro de 2015

A ESCOLA E A INFÂNCIA


   Quanto mais pensamos sobre a escola, mais nos damos conta do quanto ela é um espaço artificial "criado" para preparar os sujeitos para a vida em sociedade.
   Na infância, período em que, para o desenvolvimento saudável, a criança precisa brincar, se movimentar, experimentar, cada vez mais cedo as colocamos pra dentro da escola.
   A justificativa é que, na escola ela terá atividades apropriadas para esse desenvolvimento. Isso está longe de ser real. Primeiramente porque as escolas não tem estrutura para esses seres tão pequenos e ao mesmo tempo tão carentes de espaços amplos e livres.
   Depois, as atividades desenvolvidas na escola, por mais "lúdicas" que possam parecer, são sempre pensadas, organizadas e mediadas por um adulto, que, mesmo inconscientemente, tem o objetivo de preparar para a aprendizagem. Aí já ficam fora a espontaneidade e a criatividade dos pequenos.
   É louvável a ideia de que a "educação infantil não deve imitar o ensino fundamental". É lógico então que o espaço e a organização da educação infantil também sejam diferentes, pensados para as particularidades das crianças menores de 6 anos.
   Também os profissionais que com elas interagem precisam ter uma visão diferente da organização desse precioso tempo que essas crianças estão nas escolas.
   Então, porque tirá-las das Emeis e colocá-las nas escolas dos grandes? Parece-me que há um grande contra-censo entre o que tem como objetivo da educação infantil e aquilo que se faz com as crianças e se cobra dos educadores.
   Mais uma uma vez as leis são feitas (como excelentes intenções) mas a estrutura fica por conta apenas da boa vontade e criatividade dos professores.
   Até quando?

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Alfabetização

  A 2ª produção é de um menino de 4 anos, que vive num ambiente onde a leitura e o contato com materiais sempre foi uma constante. Ele encontra-se no nível pré-silábico, relacionando a escrita com a garatuja.