domingo, 10 de dezembro de 2017

Ser professor na diversidade

    Já refletimos outras vezes sobre os desafios do professor em ser sujeito co-participante e cooperativo para a construção de uma educação que realmente inclua a todos.
    Nesse sentido sempre é pertinente revisitar os "saberes necessários à prática educativa" que Paulo Freire bem definiu como:
    "1.1 Ensinar exige rigorosidade metódica: significa dar condições ao educando em aprender criticamente, que sejam criadores, instigadores, inquietos, curiosos, humildes e persistentes; desse modo, não devemos estar certos de nossas certezas;
    1.2 Ensinar exige pesquisa: significa que todo professor ou professora é um pesquisador; pois o que faz um bom professor ou uma boa professora é a constante atualização, seu aprimoramento; visto que somos seres históricos e que fazemos história constantemente num mundo onde o conhecimento também tem sua historicidade;
    1.3 Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos: significa que o professor ou a professora deve mostrar ao seu aluno que sua experiência influencia a maneira como ele aprende os conteúdos instituídos e, faz com que ele possa refletir e agir sobre sua realidade, a fim de transforma-la;
     1.4 Ensinar exige criticidade: significa que o professor ou a professora deve ser crítico em sua prática; como age, como leva seu aluno a produzir seu conhecimento;
    1.5 Ensinar exige estética e ética: significa que o professor ou a professora deve estar comprometido com os resultados de sua ação pedagógica, visando a melhoria da qualidade de vida do aluno;
    1.6 Ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo: significa que o professor ou a professora tem o dever de dar exemplo, de falar o que realmente faz, de contribuir para o crescimento da cidadania;
    1.7 Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação: significa que o professor ou a professora deve estar livre de qualquer pré-conceito, de rejeitar qualquer proposta que não seja válida para seus alunos;
    1.8 Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática: significa que o professor ou a professora deve estar atento a sua prática de hoje e de ontem para que possa melhorar a próxima prática; e
    1.9 Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural: significa que o professor ou a professora deve assumir-se como ser pensante, histórico, social, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de reconhecer o outro, capaz de ter raiva e capaz de amar."
   

    Diante dos desafios e incertezas que permeiam a prática educativa em tempos de pós-modernidade, a busca desses princípios revelam a nossa ética da responsabilidade com a formação para autonomia, criticidade e cidadania.
    
    Referências:
    FREIRE, Paulo; Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa; 28° ed.; São Paulo; Paz e Terra, 2003.
    http://www.ufrrj.br/leptrans/arquivos/educador.pdf 

sábado, 9 de dezembro de 2017

Integração/inclusão

    Até fazer as leituras e reflexões da interdisciplina de "Inclusão de Pessoas com Necessidades Educacionais especial" não nos tínhamos dado conta da radicalidade das mudanças que o processo de inclusão demanda da escola e dos seus sujeitos, em especial, os professores.
    Embora os termos inclusão e integração semanticamente tenham significados parecidos, para os movimentos sociais que demandam a inclusão, eles têm acepções bem diferentes.
    As definições abaixo de autoria de Cláudia Nerneck, extraido do primeiro volume do Manual da Mídia Legal (apud MELERO, 2002) deixam claras essas diferenças:
    "Inclusão: a inserção é total e incondicional (crianças com deficiência não precisam “se preparar” para ir à escola regular).
    Integração: a inserção é parcial e condicional (crianças “se preparam” em escolas ou classes especiais para estar em escolas ou classes regulares).
    Inclusão: exige rupturas nos sistemas.
    Integração: pede concessões aos sistemas. Inclusão: mudanças que beneficiam toda e qualquer pessoa (não se sabe quem “ganha” mais; TODAS ganham).
    Integração: mudanças visando prioritariamente a pessoa com deficiência (consolida a ideia de que elas “ganham” mais).
    Inclusão: exige transformações profundas.
    Integração: contenta-se com transformações superficiais. 
    Inclusão: sociedade se adapta para atender às necessidades das pessoas com deficiência e, com isso, se torna mais atenta às necessidades de TODOS.
    Integração: pessoas com deficiência se adaptam às necessidades dos modelos que já existem na sociedade, que faz apenas ajustes.
    Inclusão: defende o direito de TODAS as pessoas, com e sem deficiência.
    Integração: defende o direito de pessoas com deficiência.
    Inclusão: traz para dentro dos sistemas os grupos de “excluídos” e, paralelamente, transforma esses sistemas para que se tornem de qualidade para TODOS.
    Integração: insere nos sistemas os grupos de “excluídos” que provarem estar aptos (sob este aspecto, as cotas podem ser questionadas como promotoras da inclusão).
    Inclusão: o adjetivo inclusivo é usado quando se busca qualidade para TODAS as pessoas com e sem deficiência (escola inclusiva, trabalho inclusivo, lazer inclusivo etc.).
    Integração: o adjetivo integrador é usado quando se busca qualidade nas estruturas que atendem apenas as pessoas com deficiência consideradas aptas (escola integradora, empresa integradora etc.).
    Inclusão: valoriza a individualidade de pessoas com deficiência (pessoas com deficiência podem ou não ser bons funcionários; podem ou não ser carinhosos etc.).
    Integração: como reflexo de um pensamento integrador podemos citar a tendência a tratar pessoas com deficiência como um bloco homogêneo (exemplos: surdos se concentram melhor; cegos são excelentes massagistas).
    Inclusão: não quer disfarçar as limitações, porque elas são reais.
    Integração: tende a disfarçar as limitações para aumentar a possibilidade de inserção.
    Inclusão: não se caracteriza apenas pela presença de pessoas com e sem deficiência em um mesmo ambiente.
    Integração: a presença de pessoas com e sem deficiência no mesmo ambiente tende a ser suficiente para o uso do adjetivo integrador."

    Referências:
    MELERO, M.L. Diversidade e Cultura: uma escola sem exclusões, Espanha: Universidade de Málaga, 2002.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Dislexia

    "O aprendizado da leitura e escrita constitui-se numa importante etapa do desenvolvimento integral do homem, sendo mesmo considerado como uma das tarefas de desenvolvimento psicossocial onde seu papel comunicativo, implicito na linguagem da qual forma parte indissolúvel a leitura e a escrita, permite que, segundo Freire (1973) e outros (...) o homem possa exercer de forma plena, liberta e consciente, seus papeis sociais e políticos (...) Souza Lobo Guzzo" (Apud RAPPORT, 1985, p.72,73).
    Considerado um distúrbio específico da aprendizagem (DEA), a dislexia se caracteriza pela incapacidade manifesta de forma significativa para aprender a ler no mesmo período de tempo com o mesmo ritmo que o demais colegas de turma, nas mesmas condições externas de ensino e em ausência de condições neurológicas relevantes que comprometam sua possibilidade de aprender.
    A dislexia geralmente é detectada e consequentemente diagnosticada em idade escolar, principalmente nas primeiras séries às partir da exigência da alfabetização.
    A educação dos alunos com dislexia traz desafios aos métodos e propostas curriculares das escolas.
    O aluno com TEA, especificamente a dislexia, precisa de avaliação, diagnóstico e acompanhamento de longo prazo por equipe interdisciplinar especializada. Mas isso está longe da realidade da grande maioria das escolas do país. E por isso, na maioria das vezes, a criança, as famílias e escolas tem que lidar com frustração de uma vida escolar marcada pelo fracasso na aprendizagem? não pela incapacidade do sujeito, pela falta de estímulo da família ou pela incompetência do professor. Mas pela falta de ferramentas adequadas para lidar com esses distúrbios. 

    Referências:
    DIAZ, Félix. O processo de aprendizagem e seus transtornos, EDUFBA, 2011 (p. 300 - 312)
    RAPPAPORT, Regina. et al. Psicologia da aprendizagem: São Paulo. Pedagógoca Universitária, 1985, V.9III

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

    Hoje nos parece que a escola disputa com os MCS, as redes sociais o interesses dos jovens. Realmente, as novas tecnologias permitem o acesso imediato a qualquer tipo de informação de forma mais interessante, pois provoca a gratificação sensorial: visual e auditiva. O telespectador não precisa do esforço da imaginação e da reflexão. E sem esse esforço acaba-se por "engolir" qualquer tipo de informação que já se vem pronta, embutida dos conceitos, pré-conceitos, opinião e ideologia de quem a produziu.
    Diante da realidade posta, à escola se impõe o papel de promover a reflexão sobre a informação, de compreender como é para que ela é produzida.
    "A educação escolar não se limita a fazer uma seleção entre os saberes e os materiais culturais disponíveis num dado momento, ela deve também, para torná-los efetivamente transmissíveis, efetivamente assimiláveis às jovens gerações, entregar-se a um imenso trabalho de reorganização reestruturação ou de transposição didática. " (Forquin, 19993, p. 16)
    "Ensinamos" não apenas por aquilo que planejamos com conteúdo a ser aprendido. As nossas atitudes, nossa postura, as relações que ocorrem dentro da escola dizem muito mais ao aluno do que aquilo que efetivamente consideramos como "aula".
    Concluímos então que é necessária uma mudança na cultura escolar, onde a organização das disciplinas, conteúdos, as práticas pedagógicas e a gestão passem por uma reconstrução com a participação de toda comunidade. Uma mudança que precisa ocorrer de dentro para fora, à partir da realidade de cada comunidade.
   
    Referências:
FORQUIN, Jean Claude. Escola e Cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Porto Alegre, Artes Médicas; 1993.