domingo, 6 de maio de 2018

Concepções pedagógicas e ideias de avaliação


O processo de avaliação na ação pedagógica se construiu como instrumento de medida, classificação e seleção. E consequentemente de exclusão.
            A partir da universalização do direito à escolarização e também a aprendizagem, muitos estudiosos e professores passaram a estudar e questionar essa forma de avaliar.
            A avaliação, antes vista como instrumento para avaliar os conteúdos aprendidos, passa a ser percebida como ferramenta pra compreender e aperfeiçoar o processo pedagógico.
            A avaliação não é uma etapa à parte do processo pedagógico. Numa visão construtivista ela “passa a representar a busca incessante pela compreensão das dificuldades do educando e a dinamização de novas oportunidades de conhecimento”. (HOFFMANN, 2005, p.19).
            Como dito anteriormente, o modelo pedagógico está estruturalmente relacionado com o modelo de avaliação que se pratica. E estes, relacionados ao modelo de sociedade, de homem e de educação que se quer construir.
Se, de acordo com as propostas pedagógicas, os projetos de educação e os discursos socializados em educação, queremos construir “sujeitos críticos, reflexivos, autônomos que atuem para construir uma sociedade justa e fraterna” a avaliação precisa ser um constante processo de reflexão e diálogo, de escrita e registro, de participação e questionamento, de compromisso e corresponsabilidade entre professor e aluno.
Sendo assim a avaliação ganha uma perspectiva diagnóstica e mediadora do processo de ensino aprendizagem.
Se a avaliação faz parte do processo é preciso concordar com Luckesi: “defino avaliação como um ato amoroso, no sentido de que avaliação, por si, é um ato acolhedor, integrativo, inclusivo”. (2008, p.176).
“A avaliação não é tudo; não deve ser o todo, nem na escola, nem fora dela; e se o frenesi avaliativo se apoderar dos espíritos, absorver e destruir as práticas, paralisar a imaginação, desencorajar o desejo, então a patologia espreita-nos e a falta de perspectiva, também.” (Meirieu, 1994).

Referências:
HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre; Mediação, 1993;
LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da Aprendizagem. São Paulo. Cortez, 2008;

Alfabetização crítica: mais reflexões


            A leitura do texto “Alfabetização e a pedagogia”, de Henry Girour provocou-me mais algumas reflexões à cerca das ideia que envolvem os conceitos de alfabetização funcional e alfabetização crítica.
            “Entendendo que alfabetização crítica está dialeticamente relacionada às ideias de Paulo Freire de leitura da palavra e do mundo, necessariamente também está ligada à auto-escrita e (re) escrita do mundo”.
            Para mim esta ideia está implícita quando o autor afirma que alfabetizar é mais do que se apropriar de suas histórias. É preciso que cada um vincule suas histórias à possibilidade de construção de uma sociedade verdadeiramente democrática.
            Nesse contexto, mais do que erradicar o analfabetismo funcional, a alfabetização crítica traz consigo o imperativo de se conhecer as relações de poder e conhecimento que produzem essa massa analfabeta e, à partir delas (re) construir novas relações de respeito e empowrement político destes.
            E, para o desenvolvimento dessa alfabetização crítica, é necessário uma pedagogia radical onde é preciso:
Ø  Compreender o currículo representativo do modelo de homem e sociedade que se quer construir e, a partir de sua reconstrução, pode possibilitar formas de transformação e empoderamento destes;
Ø  Se desenvolver condições pedagógicas que possam ouvir e legitimar as diversas vezes dos alunos;
Ø  Promover o diálogo crítico e respeitoso entre as diversas vezes que constituem o espaço pedagógico para desenvolver formas de solidariedade enraizadas nos princípios de confiança e compartilhamento e num compromisso com a melhoria da qualidade de vida humana.
A pedagogia radical não pode se desvirtuar dos princípios éticos que promovam o comprometimento individual e social na construção de uma comunidade emancipadora.
Não se trata pura e simplesmente de alfabetizar os analfabetos, mas de se construir uma educação onde não apenas se passe pela escola, mas que se construa nela possibilidades de libertação das relações opressoras e empowerment cultural político e humano.

Referências:
FREIRE, Paulo; Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo, Paz e Terra, 1996;
MACEDO, Lino de. O construtivismo e sua função educacional. Educação e Realidade. Porto Alegre, P. 25-31. 01 jun 1993.