domingo, 5 de agosto de 2018

Teoria e prática no trabalho pedagógico


           O professor é um profissional que precisa estar constantemente se re-construindo. A sociedade, os avanços técnico-científicos e especialmente as relações interpessoais estão sempre se reconfigurando. Para dar conta disso, a exigência de formação continuada é um dos requisitos para efetivar o trabalho pedagógico com seriedade e competência.
            A constante reflexão de prática embasada nas teorias do desenvolvimento e da sociologia, fundamentam um trabalho eficiente. Para Libâneo é fundamental perguntar: que tipo de reflexão o professor precisa para modificar sua prática, pois ele:
            “A reflexão sobre a prática não resolve tudo, a experiência refletida não resolve tudo. São necessárias estratégias, procedimentos, modos de fazer, além de uma sólida cultura geral que ajudam a melhor realizar o trabalho e melhorar a capacidade reflexiva sobre o que e como mudar.” (LIBANEO, 2005, p. 76)
            E Vasquez apud Saviani (1984, p. 76) complementa:
            “A teoria em si (...) não transforma o mundo. Pode contribuir para sua transformação, mas para isso tem que sair de si mesma e, em primeiro lugar tem que ser assimilada, pelos que vão ocasionar seus atos reais efetivos (...) Nesse sentido, uma teoria é uma série de mediações, o que antes só existia idealmente, como conhecimento da realidade ou antecipação ideal de sua transformação.”
            Realizar a formação superior aliada ao trabalho em sala de aula está sendo uma oportunidade ímpar de aliar teoria e prática. E acredito que o estágio curricular provocará ainda mais essa mediação, onde teoria e prática se complementam.

            Referências:
            LIBÂNEO, J.C. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo Cortez, 2005.
            SAVIANI, D. Escola e democracia. São Paulo. Autores Associados, 1984.

As TICs como ferramentas de aprendizagens nas séries iniciais

Temos o privilégio e o desafio de viver em um tempo onde os avanços tecnológicos, especialmente nas áreas de informação e comunicação, avançam e se aperfeiçoam de maneira cada vez mais rápida, que há algumas décadas era considerado impensável hoje está nas nossas casas.
Mas é isso, à primeira vista, é no mínimo surpreendente, com um pouco mais de atenção pode se tornar um problema. Primeiro porque o acesso a essas tecnologias não é universal e, ao contrário do que se pensa, ao invés de promover a igualdade de oportunidades à informação, conhecimento e técnica, parece criar uma distância ainda maior entre aqueles que controlam a tecnologia e aqueles que apenas consomem.
E também porque a maioria de nós não parece estar preparado para lidar de maneira consciente e crítica em meio a tanta informação.
1-      Aqui, a meu ver, entra o papel da escola. Ela precisa se apropriar dos avanços tecnológicos também para cumprir seu papel de formar pessoas críticas e autônomas e capazes de intervir nessa sociedade aparentemente tão conectada e tão desigual.
2-      Pierre Lévy defende que, no mar de informações em rede, é preciso auxiliar o aluno a definir prioridades, a filtrar e selecionar fontes confiáveis e sintetizar os argumentos escolhidos, a construir um discurso autoral que dialogue com outras referências.
3-      “A integração das TICs aos processos educacionais é uma das transformações necessárias para que esteja em sintonia com as demandas geradas pelas mudanças sociais típicas da sociedade contemporânea de economia globalizada e cultura mundializada.” (BELLONI, 2006, p.10).

Além disso as novas tecnologias quando usadas dentro de um planejamento sério e voltado para a aprendizagem, podem ser uma eficiente ferramenta para:
Ø  Facilitar a aprendizagem;
Ø  Torná-la mais lúdica e cooperativa;
Redimensionar o espaço escolar tornando-o aberto e flexív

Afetividade na educação

      “Educar é ajudar a criança a tomar consciência de si, dos outros, da sociedade em que vive e do seu papel dentro dela”. Nessa perspectiva o papel da escola deve ir muito além de transferir conhecimento. O conhecimento só faz sentido se colaborar nessa formação do sujeito autônomo, consciente e crítico nas suas escolhas.
      Nesse papel, o educador precisa ter consciência da importância da afetividade na construção da aprendizagem. 
      Para Nallon (1979), duas funções básicas constituem a personalidade: a afetividade e a inteligência. A afetividade está relacionada às sensibilidades externas e se orientam em direção ao mundo social para a construção da pessoa; a inteligência por sua vez vincula-se às sensibilidades externas e está voltada para o mundo físico para construção do objeto. 
      Portanto o educador precisa ter consciência das relações afetivas com sensibilidade nos momentos de mediação cotidiana e assim construir uma educação mais humana. 
      A sensibilidade é necessária para perceber os interesses e necessidades da criança especialmente nos momentos de aprendizagem para criar meios de efetivá-la. 
      Como em qualquer relação também haverão conflitos, é preciso, nesses momentos, que o professor intervenha, ampliando as possibilidades de negociação. Mas, em todas situações, o professor precisa manter o respeito ao educando e a sua capacidade. 
      “O que se diz, como se diz, em qualquer momento e porquê -da mesma forma que o que se faz- afetam profundamente a relação professor-aluno é, consequentemente influenciam diretamente no processo de inter-relação, o comportamento do professor em sala de aula, através de suas intenções, crenças, valores, sentimentos, desejos, afeta cada aluno individualmente.” (LEITE e TASSONI, p. 11). 

      Referências: 
      GALVÃO, Izabel Henri Nallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil; 2ª ed. Petrópolis – RJ, 1995.
      NALLON, Henry (1973/1975). O desenvolvimento cognitivo da criança a partir da emoção. Revista Didática Sistêmica, vol. 5/ dezembro de 2006. 
      LEITE, Sérgio Antônio da Silva, TASSONI, Elvira Cristina Martins. A afetividade em sala de aula: condições de ensino e mediação do

Planejamento no trabalho pedagógico

      Ao iniciar mais um semestre com a turma na escola às vésperas de iniciar o estágio curricular na formação do PEAD, acredito ser mais uma vez o momento de refletir sobre a importância do planejamento do trabalho pedagógico. 
      O professor Nélio Parra (1972) afirma que planejar consiste em prever e decidir sobre: o que pretendemos realizar; o que vamos fazer, como vamos fazer e o que e como devemos analisar a situação a fim de verificar se o que pretendemos foi atingido. Sendo assim o planejamento é um meio de se programar a ação docente e um momento de pesquisa e reflexão sobre a avaliação. 
      O planejamento das aulas deve atender aos objetivos propostos na PPP da escola, não só no que se refere aos conteúdos, mas especialmente ao que se refere à concepção de homem, sociedade e ensino-aprendizagem. 
Vasconcelos afirma que: 
      “(...) projeto pedagógico é um instrumento teórico metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, só que de uma forma refletida, consciente, sistematizadas, orgânica, e o que é essencial, participativa. É uma metodologia de trabalho que possibilita re-significar a ação de todos os agentes da instituição. “ (1995, p. 143). 
      A partir do PPP os professores vão construir seus planos de curso e seu planejamento de aula. 
      Além das especificações da PPP quanto aos objetivos, conteúdos, metodologia, é preciso levar em conta as especifidades de cada turma e até de cada aluno, que são, afinal, os sujeitos do processo. 
      O planejamento deve ter como características a coerência entre ideias e práticas faladas e feitas em sala de aula, a objetividade que tem a ver com a realidade da turma e materiais da escola e flexibilidade que é a consciência de que o planejamento escolar pode ser mudado de acordo com situações imprevistas que podem ocorrer. 
      É na aplicação prática e é a prática refletida que fundamenta a teoria. 

      Referências: 
      PARRA, Nelson. Planejamento de currículo. Revista Nova Escolq, n° 5, 1972. 
      VASCONCELLOS, C. S. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo. São Paulo: Libertad, 1995.

sábado, 4 de agosto de 2018

Ensino da matemática nas séries iniciais

     No último dia 30, a SMED de Nova Prata oportunizou uma formação aos professores de Ed. Infantil e Séries Iniciais sobre Ensino de Matemática nessas fases de escolarização com a professora Ana Cristina Souza Rangel. O encontro foi muito proveitoso e deixou um gostinho de “quero mais”.
     Também levou-me mais uma vez a questionar-me e refletir do porquê a matemática deixar a imagem de “bicho de sete cabeças” tão cedo em nossas cabeças. Digo tão cedo porque por coincidência, no dia seguinte ao propor aos meus alunos de 4° ano que trabalhássemos com situações-problema ouvi mais uma vez “Ah, profe! Eu não gosto de matemática.”, justificado por “Eu não entendo”, “É muito complicado”. 
     Lembrei então que eu também “odiava” matemática, decorava fórmulas e procedimentos, sem entender (até hoje) para que serviam. E me questionei: “Será que estou ensinando matemática do mesmo jeito que aprendi?”. Poxa, me esforço tanto para trazer situações da vida, materiais concretos, jogos, os quais nunca tive na minha escolarização.
     Embora há muito se concorde sobre a necessidade de mudanças no trabalho com matemática, desde a Ed. Infantil, estas ocorrem de maneira lenda. De modo que teremos gerações de alunos com aversão ou até fobia desta área de conhecimento. Então cabem aqui duas questões com as reflexões feitas à cerca delas: 
     1- Qual a função do ensino de matemática nas séries iniciais: 
     De acordo com os PCAs (1987): 
     “É importante que a matemática desempenhe equilibrada e indissociavelmente seu papel na formação de capacidades intelectuais, na estruturação do pensamento, na agilização do raciocínio dedutivo, na sua aplicação a problemas e situações da vida cotidiana e atividades do mundo do trabalho em outras áreas curriculares.” (BRASIL, 1997, p. 29). 
     A matemática, embora seja uma construção cultural, está presente na vida do ser humano, pois é a estratégia construída para fazer a intermediação entre a cultura, sociedade, moldar e exteriorizar esses conhecimentos e transformá-los em linguagem matemática; 
     2- Como desmistificar o ensino da matemática? 
     Não há formulas mágicas ou métodos infalíveis. Mas é preciso levar em conta alguns requisitos: 
     1° Conhecer o funcionamento dos processos psicológicos do desenvolvimento. Especialmente para ter em mente sempre que a criança das séries iniciais precisa do concreto para aprender. As crianças não aprendem conceitos numéricos com desenhos, nem com a simples manipulação do objeto. Aprendem pela abstração reflexiva à medida que atuam sobre o objeto. 
     2° Propor situações-problema interessantes e desafiadoras. O desafio mobiliza processos mentais importantes para aprendizagem.
      3° Apresentar o mesmo problema de múltiplas formas à fim de mediar os processos de conservação e transformação dos objetos. 
     Mas o mais importante é ouvir e observar o que as crianças falam enquanto realizam as atividades. A partir dali saberemos o que pensar para mediar novas aprendizagens.

Afetividade e aprendizagens

       Durante muito tempo se pensou a educação escolar como uma atividade quase totalmente cognitiva. Achava-se ou se queria que o sujeito, ao entrar na escola pudesse se desfazer de seu corpo, e de suas emoções e levar apenas seu cérebro.
       Hoje sabemos, e muito graças /ás pesquisas de Henri Wallon, que isso não é possível. Somos inteiros: mente e intelecto, e estamos inteiros nas relações que estabelecemos com o outro. Não poderia ser diferente na escolarização.
       De acordo com o Capelato (2005) “a afetividade é a dinâmica mais profunda e complexa da qual o ser humano faz parte”. Como desconsiderá-la, então, na aprendizagem?
       Mas também como mediar emoções, sentimentos e até mesmo paizões em grupos tão diversos? Especialmente sabendo-se que as relações de poder que ali ocorrem se construíram de maneira tão desigual: aquele que sabe, que tem o conhecimento, organiza, ensina, avalia e classifica aquele que não sabe.
       A meu ver, há dois imperativos de transformação para tornar o processo ensino-aprendizagem que forme integralmente o ser humano.
       Primeiramente, a aprendizagem não pode ser considerada uma atividade estalica. Se envolve um sujeito integral precisa de movimento, de afeto, até de conflitos porque a vida é feita deles e são eles que provocam mudanças.
       Também é urgente que a escola seja um espaço democrático onde todos envolvidos no processo possam dele participar, opinar, decidir. Assim se começa a levar em conta as necessidades de quem deveria ser o protagonista neste espaço o aluno.

       Referências:
       CAPELATTO, Ivan Roberto. Educação com afetividade, de São Paulo. Fundação Educar D’Paschoal (2005).