terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A organização do trabalho pedagógico na alfabetização

   Ao entendermos a alfabetização como um processo de construção de aprendizagem que se dá pela interação do sujeito (aluno) com o objeto (lecto-escrita) e mediado pelo professor, temos clara a necessidade de organização do espaço da sala de aula e o planejamento do trabalho educativo.
   Mesmo sabendo que a maioria das crianças já tem contato com o mundo letrado antes de iniciar o ciclo de alfabetização, a escola é o lugar privilegiado para aprendizagem da leitura e da escrita. Na escola, a criança aprenderá a ler e escrever, não só para atender às necessidades básicas do cotidiano, mas também para se comunicar com os outros, para registrar ideias, para buscar informações, para ampliar as possibilidades de participação na vida social, para se divertir, para desenvolver a criticidade.
   Na escola, professores e alunos ensinam e aprendem em diferentes espaços e tempos. Também fora da escola, é importante explorar as escritas que existem na comunidade.
O diálogo é o elemento central nas práticas para uma organização adequada do trabalho pedagógico.      É através do diálogo que o professor incentiva, remodela o pensado e conduz a criança a participar ativamente do seu processo de aprendizagem. Através do diálogo, o professor oportuniza à criança a expressão de seus medos, anseios, curiosidades, permitindo que ela participe dos rumos do seu processo educativo como sujeitos de sua aprendizagem.
   Dialogando com as crianças, o professor pode pensar e organizar o trabalho educativo em função do que as crianças sabem, desejam e necessitam aprender.
   Na organização do espaço da sala de aula, é necessário que haja flexibilidade na disposição, com variação de atividades individuais, em pequenos grupos ou no grande grupo. Também é preciso disponibilizar uma diversidade de materiais portadores da linguagem escrita e de outras formas de linguagem. A configuração do espaço escolar – de modo a permitir a leitura e a produção de textos – é essencial. E é também, fundamental que a relação das crianças com a linguagem escrita seja mediada pelo professor.
    As sequências e os projetos didáticos devem ser flexíveis e abertos à participação das crianças, que revelam suas formas de aprender e suas necessidades de aprendizagem.
   Sem essa participação, nosso planejamento corre o risco de se tornar um conjunto de atividades mecânicas e rotineiras.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Ciências nas séries iniciais

   Entendendo a aprendizagem como um processo ativo que demanda de quem aprende motivação e dedicação, fica evidente que o novo papel do professor de quem aprende junto, quem ajuda os alunos a construir conhecimentos novos ou a reelaborar conhecimentos prévios.
   Dentro dessa perspectiva o trabalho com Ciências nas séries iniciais oferece inúmeras oportunidades de estimular a curiosidade e a observação.
   Segundo os "Elementos conceituais e metodológicos para definição dos direitos se aprendizagem":
   "As crianças, antes mesmo do início de suas vidas escolares, já participam de conversas sobre questões relacionadas as Ciências, vivenciam fenômenos da natureza e fazem uso de aparatos tecnológicos. Quando falamos em alfabetização, é preciso considerar o papel da educação em Ciências da Natureza neste processo: temas instigantes atraem a atenção e o interesse dos estudantes para aprendizagem de ciências e também para aprendizagem da leitura e da escrita, trabalhando com atividades em que a criança seja convidada a se expressar perante os problemas que traz para a sala de aula ou a que a ela são propostos" (p101)
   Pode então o professor contribuir para que os alunos sejam autores de resultados e relatos de suas investigações, e leitores de textos sobre assuntos diversos, sejam envolvidos em atividades que se utilizam de formas variadas para registrar e representar o conhecimento, como desenhos, tabelas e gráficos no relato dos fenômenos estudados. Também pode estimular o uso de fontes variadas, incluindo entrevistas com a comunidade, consulta a livros periódicos e fontes digitais.
   Afinal, o objetivo de estudo é o ambiente e o próprio ser (aluno) nesse ambiente. Então a possiibilidade de motivar e estimular a aprendizagem são inúmeras.Resultado de imagem para criança fazendo experiencia

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Geografia nas séries iniciais
Assim como em história, em Geografia também ainda buscamos nos desfazer de uma concepção fragmentada e pronta de seu ensino. Entendemos por longo do tempo que ensinar geografia se centrava em descrever os locais e regiões como entes ímpares e completos em si.
A partir da década de 1970, no Brasil, iniciou-se um processo de renovação do ensino de geografia à fim de abordar as relações dinâmicas que ocorrem nos espaços na sua totalidade à partir do cotidiano dos alunos.
Assim podemos abordar o ensino de geografia nas séries iniciais sob a perspectiva do letramento.
Segundo Magda Soares: “(...) alfabetizar e letrar são duas áreas distintas, mas não inseparáveis, ao contrário do ideal: seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo se tornasse ao mesmo tempo alfabetizado e letrado” (Soares, Magda, 2004 p)
Relacionando o domínio da leitura e da escrita às práticas sociais enfatiza-se a importância do ensino fundamental. Leitura de mapas, gráficos tabelas, informações jornalísticas estão presentas no cotidiano dos alunos e fazem parte do “mundo” da geografia. Portanto, é imprescindível o trabalho com essas ferramentas para contribuir na consolidação do processo de letramento.
Assim. O ensino de geografia deve propor os meios que permitam aprender e interpretar p espaço geográfico e se reconhecer como participantes desse espaço, que é dinâmico em constante transformação.


“O lugar e onde estão as referências pessoais e o sistema de valores que direcionam as diferentes formas de perceber e constituir o espaço geográfico. nÉ po intermédio dos lugares que se dá a comunicação entre o homem e o mundo”

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

História nas séries iniciais

O conceito de história como ciência que estuda o passado não contempla toda diversidade de relações que essa área do conhecimento traz embutida na forma como seus conceitos estruturais são trabalhados na escola.
O processo do trabalho com história, sempre esteve atrelado à ideia de educação e sociedade que se quer manter ou modificar. Por isso, por muito tempo a noção de nacionalismo com um ensino dessa disciplina centrado nas datas comemorativas e nos fatos a ela relacionados, predominou nas escolas.
Essa tradição, ainda presente nas escolas, tinha por objetivo formar uma ideia de pertencimento à uma nação e naturalização das relações de poder que nela se mantém.
Felizmente, à partir da nova LDB e dos PCNS, busca-se assumir uma nova perspectiva para o trabalho com essa disciplina. Preocupa mo nos mais em relacionar os problemas históricos relativos ao tempo e ao espaço com o cotidiano do aluno fazendo-o perceber as mudanças, permanências, simultaneidades e rupturas, a partir do seu entorno. Busca-se assim, auxiliá-los a construir sua identidade individual, família, social e coletiva, reconhecendo e respeitando as diferenças entre a sua e outras culturas.
A construção dos conceitos de tempo, sujeito, espaço e acontecimento histórico precisam ser construídos a partir da valorização do cotidiano social que permeia a vida dos alunos e sua relação com a experiência histórica de outros grupos, lugares e tempos.
Assim atenderemos a um dos objetivos do ensino de História presentes no PCN: “Dentro dessa perspectiva, o ensino de história tende a desempenhar um papel relevante na formação da cidadania, envolvendo a reflexão sobre a atuação do indivíduo em suas relações pessoais, com o grupo de convívio, suas afetividades e sua participação no coletivo” (Parâmetros Curriculares Nacionais – História e Geografia).


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Matemática nas séries iniciais

   Durante muito tempo, e ainda é assim na maioria das escolas, o ensino de matemática nas séries iniciais se resume a ensinar o sistema de numeração, cálculos e resolver situações-problema, onde se prioriza o trabalho com procedimentos, técnicas, com algarismos, definições e utilização de problemas padronizados e exercícios repetitivos. Esse tipo de abordagem leva os alunos a lidarem com técnicas e símbolos sem que entendam suas regras e lógicas.
   É bem verdade que usa material concreto para "introduzir os números e operações fundamentais"- material de contagem, material dourado, etc. Mas o aluno, nessa visão de ensino, precisa mesmo é treinar, decorar os procedimentos e a tabela. Ali entram os jogos com o objetivo principal de ajudá-los a memorizar.
   Acredito que se deva a essa forma de lidar com a matemática, que leve muitos alunos a ter com essa área do conhecimento uma relação, digamos assim, não muito amigável. (pavor em alguns casos)
   É importante destacar que nessa forma de ver o ensino de matemática há uma hierarquia temporal de conhecimento (conteúdos).
   Por exemplo: não se pode apresentar uma situação em que o aluno precise dividir seus objetos, sem que tenha sido trabalhado o algoritmo da divisão. Ou só posso trabalhar com valores monetários depois de "introduzir" os números decimais.
   Essas práticas tem resultado em resultados insatisfatórios na aprendizagem dos alunos o que indica sua incapacidade de dar significado às noções, à linguagem e aos processos trabalhados na escola e sua incapacidade de utilizar a matemática fora dela.
   Os PCNs e as diretrizes do PNAIC trouxeram o conceito de alfabetização em matemática, na perspectiva do letramento. Isto é, alfabetizada é a pessoa que participa ativamente de um mundo letrado, enfrentando os desafios e as demandas sociais que envolvem a compreensão e utilização da linguagem da matemática.
   A linguagem da matemática envolve os recursos de quantificação, ordenação, de medição, organização do espaço, das formas e de dados e informações, como gráficos, tabelas etc. Dessa forma, ensinar matemática passa pela utilização dessas ideias, procedimentos e das representações da matemática, dando a eles significado concreto.
   Remetemos aqui a constatação de Ausubel, de que para que uma aprendizagem ocorra ela deve ser significativa, o que exige que seja vista com compreensão de significados, relacionados as experiências anteriores, permitindo a formulação de problemas de algum modo desafiantes que incentivem a aprender mais, o estabelecimento de diferentes tipos de relações entre fatos, objetos, noções de comportamentos e contribuindo para a utilização do aprendido em diferentes situações.
   Sendo assim, na concepção de aprendizagem significativa em matemática deve ser, levar o aluno a perceber que a matemática está no dia-a-dia, nas brincadeiras, nos esportes, na natureza, nas nossas ações, na vida.
   Percebendo isso, acredito que a aversão à matemática pode se transformar numa relação prazerosa, onde o que cada um sabe ou percebe ajuda a construir o conhecimento de muitos.

Ref.
*Ausubel, D.P. A aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo, Moraes. 1982

sábado, 15 de outubro de 2016

Professor pesquisador

A  relação entre pesquisar/estudar é íntima e intensa. Ambos os processos se complementam e instrumentalizam uma prática educativa e ética. (Albuquerque, 2001, p 230.)
Fica cada vez mais evidente, tanto por aquilo que estudamos no PEAD, como pela observação na escola e mesmo na sala de aula, a necessidade de se repensar as nossas posturas e práticas na educação. Agora mesmo ouvindo uma fala de Pedro Demo, vemos como desde que começaram as avaliações institucionais da educação básica os índices não apresentam melhoras por mas que se criem  pareceres e normas para alterar essa realidade (Youtube- programa janelas dos saberes- Pedro Demo).
Desde o inicio de nossa prática sempre buscamos avaliar e renovar nosso fazer em sala de aula e  na escola. Mas parece que estamos sempre esmurrando a parede porque não se vê mudanças nos resultados. Me questiono agora se o que faltou não foi  realmente aprofundar os estudos e pesquisa sobre as práticas
Não basta aplicar novos métodos, técnicas É necessário, na nossa prática, adotar uma postura de professor que aprende. Aprende a pensar para melhor agir. Não seremos bons educadores se permanentemente não questionarmos, repensarmos  e qualificarmos nossas práticas
Para isso são necessárias algumas características que precisamos desenvolver em nós. Entre as mais importantes destaco:
Humildade para assimilar e respeitar os saberes diferentes dos nossos.
Disposição para o diálogo, especialmente para ouvir o outro.
A curiosidade epistemológica. para criar  o planejamento da nossa pesquisa e a busca e seleção do que é realmente essencial na nossa prática.
Cabe a nos professores nos tornarmos os produtores do conhecimento que nossa pratica exige. Afinal só ensinamos o que produzimos. E o aluno só aprende o que ele descobre.


domingo, 17 de julho de 2016

LIBRAS e cultura surda

  As aulas de LIBRAS no curso de Pedagogia foram daquelas que conseguem desestabilizar os conceitos que temos sobre um grupo social, com o qual temos pouco ou quase nenhum contato.
  Como a maioria das pessoas, eu via os surdos como deficientes: pessoas que, por sua limitação, são privados de possibilidades de aprendizagens que nós - ditos "normais" - temos. Achava que valia se utilizar de qualquer recurso técnico científico para trazê-los ao nosso mundo, e que o uso de LIBRAS era apenas um recurso para adaptá-los ao "mundo ouvinte".
  Aprendi que estava enganada. Ser surdo não significa ser limitado. Significa ser capaz de conhecer o mundo e interagir com ele de uma outra maneira, tão rica de possibilidades como as que nós, ouvintes, temos.
  LIBRAS também não é apenas um recurso de adaptação. É uma língua que permite a esse grupo interagir, aprender, ensinar e produzir sua cultura.
  Estou aprendendo a olhar diferente: me libertar dos preconceitos e reaprender a ver o surdo, não como incapaz, mas como alguém que consegue viver em meio a uma cultura que não é a sua, mas assim mesmo convive, supera os desafios e luta pelo direito de se expressar sem precisar deixar de ser quem são.

Literatura infantil e o prazer de brincar com as palavras

  A poesia infantil tem um poder quase mágico de brincar com as palavras e recriar um mundo de encantamento quando fala das emoções mais simples e espontâneas.
"Rir é sempre bom?
Risos há diversos
Vejam só alguns
Nestes poucos versos.

Nada há mais lindo
Que uma criancinha
Com sua risada
Toda em cascatinha."

In.: Chora é Choradeira, Risos e Risadas. 
Tatiana Belen Ky

  As situações mais comuns na vida das crianças ganham tom de graça.
"Lambada malvada,
Trombada bandida,
Pancada safada
Sai da minha vida"

In.: Dezenove poemas desengonçados. 
Ricardo Azevedo.

  Os objetos da criança viram brinquedos de falar.
"Essa casa é de caco
Quem mora nela é macaco
Esta casa é tão bonita
Quem mora nela é a cabrita. (...)"
ELIAS, José. Caixa mágica de 
surpresa. Paulus: São Paulo, 1984.

  Os desafios e conflitos encontram um desfecho:
"Comeu muito? Teve azia?
Levou um pito da tia?
Tirou nota que não queria?
Caiu problema que não sabia?
Brinque de poesia."
ELIAS, José. A poesia pede 
passagem. Paulus: São Paulo, 2001.

sábado, 16 de julho de 2016

E na escola, como estamos?

  Há alguns paradigmas no fazer escolar que, apesar dos estudos e experiências de que podem ser modificados, encontram muita resistência em ser mudados.
  Conceito I: alfabetizar depende de decorar alfabeto, sílabas e boquinhas. Então é preciso repetir exercícios de leitura de sílabas até a exaustão.
  O que aprendi: alfabetizar é um processo a ser construído através do contato e interação com o texto escrito - textos diversificados e significativos. Através do texto, é preciso provocar a reflexão sobre o funcionamento da escrita alfabética.

  Conceito II: a criança aprende matemática e resolver situações-problema fazendo (muitos) cálculos, decorando a tabela, fórmulas...
  O que aprendi: a criança aprende a matemática sendo desafiada a criar estratégias para resolver.

  Conceito III: as crianças não aprendem porque tem déficit de atenção, dificuldades de aprendizagem ou porque a família não acompanha.
  O que estou aprendendo: toda criança pode aprender. É preciso encontrar os estímulos adequados, valorizar suas conquistas e nunca deixar de acreditar. Com relação às famílias, é preciso fazer deles aliados da escolarização de seus filhos, resgatando a pareceria quando as escolas eram nas comunidades.

  Conceito IV: os textos literários são excelentes "pretextos" para se trabalhar conteúdos, valores e mudanças de atitudes.
  O que estou aprendendo: os textos literários devem estar permanentemente presentes no contexto escolar como o são: produções artísticas que expressam emoções, sentimentos, culturas, formas diversas de lidar com a linguagem e de se expressar. Eles abrem para as crianças um universo de possibilidades de representação e expressão ajudando-os a se tornarem capazes de lidar com seus sentimentos, curiosidades e criatividade. Isso, além de todas aquelas habilidades que a leitura permite.

  Conceito V: os jogos e brincadeiras na escola devem estar associados à aprendizagem de algum conteúdo.
  O que estou aprendendo: o brincar e o jogar fazer parte do desenvolvimento integral do ser humano, e por isso devem ter na escola um espaço significativo e desvinculado da aprendizagem de conteúdos. O brincar precede a aprendizagem de conteúdos porque ajuda a criar as condições da corporeidade para a aprendizagem. A criança que entra por inteiro no jogo tem condições de se entregar por inteiro na aprendizagem.
  
  A partir desses exemplos, podemos nos dar conta de que uma nova escola precisa ser construída. Não novos prédios, nem novos sujeitos. Mas sujeitos novos, reconstruídos por novos paradigmas, que faça dos aprendizes, autores de suas aprendizagens.

terça-feira, 28 de junho de 2016

E por falar em brincar

    Revendo as aprendizagens sobre o brincar e o desenvolvimento das crianças e observando as crianças nas escolas em que trabalho e até mesmo na minha casa, me deparei com alguns questionamentos:

  •     Se Piaget, Freud, Froebel, Vogostsk, chegariam as mesmas conclusões que chegaram na época que fizeram seus estudos.    
  •     As nossas crianças pós modernas superestimuladas intelectualmente e tecnologicamente não terão um rombo no seu desenvolvimento social e emocional justamente por cona desses estímulos cada vez mais precocemente apresentados a elas.
  •     E as crianças que não tem acesso a esses estímulos (e felizmente ainda brincam com seu corpo, com os companheiros e com recursos do ambiente) terão como competir intelectualmente com aqueles que praticamente nascem num mundo hiper-desafiador?
  •     Até que  que ponto as brincadeiras mediadas pelos professores nas EMEIs, onde as crianças chegam cada vez mais cedo, não tem no seu princípio objetivos pedagógicos? Isso não acaba por reprimir a espontaneidade e criatividade dos pequenos?
    Enfim, voltamos sempre àquela questão, para mim fundamental: que tipo de ser humano todo avanço tecnológico, científico que a humanidade tem alcançado está formando? Serão esses pequenos ainda capazes de sentir a emoção de ver a bolita que sai de seus dedos alcançar a outra que está no chão de terra e assim poder ficar com ela, só pelo prazer de brincar?

domingo, 5 de junho de 2016

Desafios na sala de aula e aprendizagens no PEAD

   A cada ano quando voltamos de férias, sempre encontramos uma nova turma, com novos desafios e novas relações a serem construídas. De início é até normal nos depararmos com alguns conflitos até nos conhecermos e criarmos laços. Outros conflitos vão ocorrendo durante, mas quanto melhor nos conhecemos, mais fácil fica lidar com eles.
   No entanto, neste ano, estou tendo muito mais dificuldade em estabelecer essas relações e criar vínculos com e entre a turma.
   É uma turma pequena (14 alunos) e mesmo assim não estou conseguindo realizar um bom trabalho.
   Eles estão muito desmotivados com o estudo, têm grande dificuldade de concentração, baixíssima tolerância com frustrações (se não conseguem fazer uma atividade na primeira tentativa, desistem, jogam tudo longe, choram...). Mas o mais preocupante é a agressividade entre eles: qualquer olhar ou palavra é motivo para se ofenderem e até "partirem para cima um do outro".
   Estou tentando buscar alternativas nas aprendizagens do PEAD: jogos cooperativos, atividades com música, com literatura. E agora estou estudando a possibilidade de trabalhar com projeto de aprendizagem.
   Está difícil! Só propor a atividade ou jogo já é uma batalha. Mas continuarei tentando. Afinal eles só tem 10 anos. Se não conseguirem se relacionar e colaborar agora, penso que mais adiante será ainda mais difícil.
   Pretendo nas próximas postagens apresentar algumas atividades desenvolvidas com eles.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Considerações sobre o ensino de libras na escola

    A aula de libras no PEAD foi mais uma daquelas que deixaram além de muitas aprendizagens, um gostinho de quero mais, um desejo se me aprofundar no assunto e de aprender essa língua.
    Inicialmente a "conversa" com uma pessoa que se expressa pela língua de sinais foi uma experiência ova para mim. E imaginar como as pessoas que nunca tiveram contato com a língua falada se expressem de maneira tão competente me faz pensar no quão ricas são as possibilidades que o cérebro humano tem de criar.
    Isso me remete à disciplina de corporeidade, vista no primeiro semestre. Que maravilhosa engenharia somos nós seres humanos? Até onde podemos chegar? É fantástico!
    Conhecer a história e a luta da comunidade surda pelo reconhecimento de sua língua, e pela -digamos assim- acessibilidade de sua comunicação também foi bastante interessante.
    Interessante no sentido de que, quando vemos um anúncio, por exemplo, traduzido em libras, dificilmente nos damos contato de todo processo que permitiu a inclusão daquela tradução nos MCS.
    Me convenci que o ensino de libras na escola regular deve ser o próximo foco dessa luta desde cedo, a libras como uma língua reconhecida e que permite a comunicação como outra língua estrangeira, ajudaria a quebrar alguns tabus e desfazer alguns mitos.
    Sonho com o dia em que diferenças físicas, culturais, sociais possam realmente fazer a riqueza de aprendizagens que elas possibilitam para fazer de cada um de nós pessoas mais completas.

Considerações sobre musicalidade humana

    Algumas aprendizagens feitas no PEAD me surpreendem por sua profundidade bem coimo por sua obviedade.
    Uma dessas constatações foi feita na aula presencial da disciplina de música.
    Entender a música como uma produção essencialmente humana. Foi a constatação. Nenhuma outra espécie é capaz de produzir música. Mesmo as espécies (aves, especialmente) que emitem um canto, o fazem por instinto, e produzem sempre os mesmos sons.
    Sendo assim, a música, bem como as outras formas de linguagem são habilidades, a nível cerebral, extremamente complexas, mas, ao mesmo tempo podem ser bastante facilitadas pelo constante com elas.
    A música não é inata ao ser humano. Isso significa dizer que todos podemos aprender música: qualquer forma de expressão musical.
    Para isso é preciso primeiramente o contato constante, evidentemente, mas prazeroso com a música.
    A escola pode colaborar com isso, especialmente na ed. infantil e séries iniciais, mas também com adolescentes e adultos, oportunizar esse contato lúdico e diversificado com produções musicais.
    O foco nunca deve ser formar músicos (instrumentistas, compositores, cantores) nem ensinar teoria musical para ser cobrada em provas e avaliações. Isso tiraria todo prazer que poderia advir de qualquer atividade.
    O objetivo do ensino de música nas escolas, na minha opinião, deveria ser o de apresentar algumas das possibilidades que essa arte possibilita de expressão, de criação, de relação com o outro e consigo mesmo: rodas cantadas, cirandas de roda, coreografias, produção de instrumentos, possibilidades de música com o corpo seriam algumas dessas atividades.
    Para isso faz-se necessário aos professores buscar aperfeiçoar a sua formação nessa área.

domingo, 15 de maio de 2016

Literatura infanto-juvenil na escola

        Após participar da aula presenciar e ler (várias vezes) o texto: Nas tramas da literatura infantil, tenho pensado muito sobre a forma em que as obras produzidas para crianças e adolescentes chegam na sala de aula.
    Percebo que geralmente o que prevalece na escolha das obras é a qualidade visual (imagens, cores, etc). Sempre fui muito crítica a essa forma de escolher. Acho que um livro deve primeiro encantar pela história (poesia, descrição, etc). As imagens são mais um recurso.
    Também temos a tendência de escolher o livro pela mensagem que ele traz. Também tenho ressalvas a esse motivo de escolha. Acho que um livro para ser "trabalhado" na escola deve levar a criança a viajar pela imaginação, ter vontade de ler e conhecer mais.
    Eu tenho feito uso dos livros em sequências didáticas exatamente como motivadores para conhecer e produzir novos textos.
    Além disso acho importante ler simplesmente para degustar o prazer de ouvir uma história.
    Gosto bastante das obras enviadas pelo PNAIC e lamento que tenham sido renovados os acervos, pois a essa altura do ano, minha turma de 2° ano já leu e relou todos os livros.
   

domingo, 24 de abril de 2016

Uma aula com poesia

   Nas turmas de EJA em que trabalho à noite, dou aula de Língua Portuguesa. Na semana anterior havia preparado uma aula sobre o gênero textual poesia com a música "O meu guri" do Chico Buarque. Meu objetivo era encontrar na letra da música as características desse gênero textual, além de fazer a interpretação do texto.
   Depois da aula de Literatura do PEAD resolvi mudar a condução da aula e o resultado superou minhas expectativas.
   Iniciei a aula questionando sobre os acontecimentos do domingo ( votação do impeachment na câmara dos deputados) e o que eles pensavam sobre isso. Eles foram bastante econômicos em suas falas até que um deles disse "Tá bom vamos ter aula ou ficar falando de política". Então encerrei a conversa e propus que ouvissem a música pois iríamos continuar trabalhando com os gêneros textuais.
   Depois de ouvir e ler a letra, questionei sobre o que sentiram e o que entenderam da mesma. A manifestações e a conversa que seguiram foram riquíssimas e empolgantes. Conseguimos relacionar o texto com a realidade em que vivem. Ao final da aula um amoça, muito tímida e arredia disse que foi a melhor aula que tiveram. E eu conclui dizendo que passamos a aula inteira falando de política.
   Na aula seguinte fizemos o estudo do gênero textual e a interpretação com muito mais interesse e participação.
   Mas o resultado maior foi a oportunidade de ouvir meus alunos, além da situação formal de aula.

O brincar do mundo pós-moderno (Ou refletindo porque nossas crianças não brincam como nós)

   Após a aula presencial de Ludicidade as discussões e os vídeos assistidos, resolvi acompanhar o recreio nas escolas onde trabalho. Meu objetivo era registrar brincadeiras que ainda estivessem presentes no dia-a-dia de nossas crianças.
   Mas, para minha tristeza não foi isso que vi: Os meninos na quadra correm atrás da bola e constantemente alguns param para agredir e xingar; enquanto as meninas correm pelo corredor se puxando de um lado para o outro. De brincadeira com alegria, espontaneidade e companheirismo, nem sinal.
   Então comecei refletir e buscar causas para esse comportamento. Talvez esteja fazendo uma leitura um pouco restrita de uma situação. Mas acredito que podemos tirar algumas conclusões.
   Primeiramente podemos concluir que o comportamento das crianças é uma reflexo da sociedade em que vivemos: Então o individualismo, a competição e a intolerância são marcas também presentes no brincar das crianças.
   Podemos também associar à falta de brincadeiras de que as crianças são criadas cada vez mais sozinhas, acompanhadas apenas pela televisão e computador. Sendo assim elas tem dificuldade de socialização e cooperação. A falta de espaço, a insegurança podem estar colaborando com para essa individualização.
   Os brinquedos prontos e estruturados que são d fácil acesso para as crianças também acabam por limitar sua criatividade e espontaneidade.
   Enfim são inúmeras causas que poderiam justificar o fato de que nossas crianças já não sabem brincar.
   O que é realmente de se lamentar é que a escola não oferece um contraponto a essa realidade. A crianças ficam três horas e meia confinadas nas salas de aula realizando atividades individuais e nas meia hora restante queremos que eles sejam alegres, espontâneos, companheiros...

domingo, 17 de abril de 2016

Repensando nossa trajetória

   "(...) fomos um dia o que alguma educação nos fez. E estaremos sendo, a cada momento de nossas vidas, o que fazemos com a educação que praticamos e o que os círculos de buscadores de saber com os quais nos envolvemos estão constantemente criando em nós e fazendo conosco" (Brandão, 2000, p 451).
   A construção do blog de aprendizagem nos faz constantemente revisitar nossa trajetória como professores e também como alunos.
   Essas reflexões possibilitam a descoberta de aspectos e vivências pessoais que foram decisivos na constituição de nossas práticas.
   Temos consciência de que vivemos novos tempos que exigem de nós novas posturas. Mas sem dúvidas, aquelas experiências que foram significativas por nos ajudar a ser mais críticos, mais questionadores e sempre em busca de novas alternativas são as marcadas que carregamos na nossa prática.
   A paixão pela leitura e pela pesquisa, acredito serem as marcas mais significativas que procuro compartilhar com aqueles quem assino e aprendo.

domingo, 3 de abril de 2016

A crise e a educação

    Impossível, nos dias atuais, ouvir os meios de comunicação, ou entrar numa conversa sem que se fale em crise. Parece que em todos os lugares, em todos os setores da sociedade, em todas dimensões de nossa vida imperam o negativismo a descrença, as incertezas e as dificuldades.
    São as denúncias de corrupção na política, a inflação e desemprego na economia, as epidemias, falta de remédios e vagas na saúde, as enchentes numa região, seca na outra, transtornos climáticos.
    Em nível mundial são os imigrantes na Europa, as guerras e guerrilhas na África e Oriente Médio, os atentados em qualquer lugar a qualquer hora...
    E no nosso dia-a-dia é a violência, o medo, o stress, as incertezas.
    Na sociedade é a intolerância, o preconceito, o individualismo, a instabilidade nas relações...
    E a escola, como fica? O que ensinar se já, não sabemos o que é concreto. como ensinar crianças e jovens que não querem o esforço de descobrir para aprender? Para que ensinar se a sociedade em transformação dificulta os espaços para a manifestação, para a pesquisa, para a cooperação?
    Se é verdade que é do caos que surge o novo, estamos sem dúvida na eminência de um novo mundo, com novos paradigmas, novos valores, novas relações.
    Se serão melhores, mais justas, mais humanas, mais solidárias, depende das aprendizagens que fizermos do momento que vivemos.
    E é essa nossa árdua, urgente e imprescindível tarefa enquanto professores. Preparar homens capazes de concretizar esse novo mundo. Homens sujeitos de sua história, atores de sua vida, protagonistas da esperança, da fraternidade e da sua felicidade.

Novos olhares, novas posturas

    Ao refletir sobre a reação de nós, professoras, alunas do Pead à tarefa que o professor apresentou, percebo o quanto ainda somos conformadas por conceitos de ensino-aprendizagem e avaliações que estão associados a uma concepção de escolarização como transmissão e devolução de conhecimentos.
    A tarefa consistia em escolher uma colega para selecionar e comentar duas postagens nossas para adequá-las àquilo que construímos como parâmetros de uma boa postagem.
    A resistência se deveu ao receio de que os comentários das colegas fossem no sentido de fazer uma crítica que "depreciassem" nossas postagens.
    A meu ver esse receio está internalizado em nós, porque durante nossa formação, as nossas produções eram lidas apenas com o propósito de avaliar, no sentido de medir nossa capacidade de nos expressarmos com coerência e coesão. E, também na nossa prática, vemos a avaliação com esse objetivo.
    É difícil para nós rompermos com essa ideia, nos expormos e aceitar que os comentários, e, até as críticas, vão nos ajudar a melhorar nossas produções e que outro olhar pode nos fazer vê-las sob uma nova perspectiva. Isso é aprendizagem reflexiva-interacionista. É aprender com a intervenção do outro.
    Acredito que esse processo se dará a medida que tentamos ousar, aceitar e nos reinventarmos.
    Somos frutos da formação que tivemos, mas isso não justifica que pensemos e façamos sempre do mesmo jeito.
    Afinal sem essa disposição em reaprendermos, não faz sentido estarmos aqui!
 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Recomeço

  Voltamos às aulas do PEAD já com um mês de aulas nas escolas. Manhã, tarde e... noite! Isso mesmo! Voltei a trabalhar na EJA.
  Mais um desafio, mas também mais uma oportunidade de observar, comparar, vivenciar e refletir sobre o que aprendemos no curso.
  Também a oportunidade reencontrar jovens, que há anos atrás foram meus alunos nas séries iniciais, deixaram de estudar por inúmeros motivos e agora, pressionados principalmente pelo mercado de trabalho, voltam à sala de aula.
  Se para nós o recomeço é sempre um desafio, para eles é maior ainda. E as expectativas que eles trazem com relação à escola também são muito maiores e mais concretas.
  Transcrevo aqui a fala de uma aluna, que ilustra essa expectativa:
"Me chamaram na (...) - empresa do município - mas eu não fui. Era para o turno da noite e eu teria que deixar de estudar, de novo. Três meses depois eles me dispensam e eu não consigo emprego porque não tenho estudo" (T.S. - 27 anos).

  Gostaria de ajudar esses jovens a, mais do que a se tornarem aptos a um bom emprego, a também fazê-los sentirem-se capazes de se apropriar de suas histórias e, a partir disso, transformarem suas vidas e da comunidade em que vivem.
  Entendo que assim se tornarão sujeitos da história e não apenas mão-de-obra e consumidores.

  Como disse inicialmente, mais um desafio...