terça-feira, 25 de outubro de 2016

Matemática nas séries iniciais

   Durante muito tempo, e ainda é assim na maioria das escolas, o ensino de matemática nas séries iniciais se resume a ensinar o sistema de numeração, cálculos e resolver situações-problema, onde se prioriza o trabalho com procedimentos, técnicas, com algarismos, definições e utilização de problemas padronizados e exercícios repetitivos. Esse tipo de abordagem leva os alunos a lidarem com técnicas e símbolos sem que entendam suas regras e lógicas.
   É bem verdade que usa material concreto para "introduzir os números e operações fundamentais"- material de contagem, material dourado, etc. Mas o aluno, nessa visão de ensino, precisa mesmo é treinar, decorar os procedimentos e a tabela. Ali entram os jogos com o objetivo principal de ajudá-los a memorizar.
   Acredito que se deva a essa forma de lidar com a matemática, que leve muitos alunos a ter com essa área do conhecimento uma relação, digamos assim, não muito amigável. (pavor em alguns casos)
   É importante destacar que nessa forma de ver o ensino de matemática há uma hierarquia temporal de conhecimento (conteúdos).
   Por exemplo: não se pode apresentar uma situação em que o aluno precise dividir seus objetos, sem que tenha sido trabalhado o algoritmo da divisão. Ou só posso trabalhar com valores monetários depois de "introduzir" os números decimais.
   Essas práticas tem resultado em resultados insatisfatórios na aprendizagem dos alunos o que indica sua incapacidade de dar significado às noções, à linguagem e aos processos trabalhados na escola e sua incapacidade de utilizar a matemática fora dela.
   Os PCNs e as diretrizes do PNAIC trouxeram o conceito de alfabetização em matemática, na perspectiva do letramento. Isto é, alfabetizada é a pessoa que participa ativamente de um mundo letrado, enfrentando os desafios e as demandas sociais que envolvem a compreensão e utilização da linguagem da matemática.
   A linguagem da matemática envolve os recursos de quantificação, ordenação, de medição, organização do espaço, das formas e de dados e informações, como gráficos, tabelas etc. Dessa forma, ensinar matemática passa pela utilização dessas ideias, procedimentos e das representações da matemática, dando a eles significado concreto.
   Remetemos aqui a constatação de Ausubel, de que para que uma aprendizagem ocorra ela deve ser significativa, o que exige que seja vista com compreensão de significados, relacionados as experiências anteriores, permitindo a formulação de problemas de algum modo desafiantes que incentivem a aprender mais, o estabelecimento de diferentes tipos de relações entre fatos, objetos, noções de comportamentos e contribuindo para a utilização do aprendido em diferentes situações.
   Sendo assim, na concepção de aprendizagem significativa em matemática deve ser, levar o aluno a perceber que a matemática está no dia-a-dia, nas brincadeiras, nos esportes, na natureza, nas nossas ações, na vida.
   Percebendo isso, acredito que a aversão à matemática pode se transformar numa relação prazerosa, onde o que cada um sabe ou percebe ajuda a construir o conhecimento de muitos.

Ref.
*Ausubel, D.P. A aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo, Moraes. 1982

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