segunda-feira, 29 de junho de 2015

Quem somos nós que ousamos querer ensinar aos outros

   Como qualquer se humano nos constituímos da carga genética, que além de nossas características físicas, também determinam alguns traços de nossa personalidade.
   Somos igualmente formados pela interação com o meio e com os grupos com quem interagimos basicamente através dos sentidos e da construção da linguagem.
   Também como toda espécies, somos influenciados pelo momento histórico em que vivemos, resultando de toda história da humanidade que nos antecedeu.
   Somos o resultado das reflexões e construções internas que fazemos à partir dessas vivências e interações.
   Também temos nossas necessidades, nossos sonhos, nossos desejos que buscamos satisfazer com o resultado de nosso trabalho.
   No entanto há algo a mais, que move um professor, além da trama interdisciplinar que nos constitui enquanto seres humanos, há esse desejo intenso de possibilitar ao outro o conhecimento, a experiência, a descoberta. É o prazer de dar o outro a chance de aprender aquilo que estamos sempre junto com eles reaprendendo: essa coisa mágica que é viver e reinventar a vida.
   Sem esse desejo de compartilhar, não é possível ser professor.

domingo, 28 de junho de 2015

Porque a educação não avança

   Fracasso nas reformas educacionais promovidas pelos governos de deve:
    Ø  Falta envolvimento no planejamento de quem realmente as põe na prática;
    Ø  Falta articulação entre as medidas;
    Ø  Falta um planejamento global que faça a ligação entre as ações;
    Ø  Falta continuidade nas ações.
   Exemplo:
   A formação do “pacto pela alfabetização” busca através da formação, instrumentalizar os professores para melhorar a qualidade e os índices de avaliação no processo inicial de escolarização. Traz novos referenciais para se trabalhar essa fase tão importante (a mais importante) da aprendizagem, no entanto, como a exigência da formação foi imposta aos professores alfabetizadores, sem saberem realmente do que se tratava, criou uma hostilidade inicial à proposta.

Além disso, os governos têm sido bastante ineficientes na sua contrapartida (bolsas dos professores, materiais pedagógicos, tempo para estudo). Isso aumenta ainda mais nossa resistência em cooperar e, quando parece que a “coisa está engrenando” param as formações, começa o diz que me diz que e vem à incerteza sobre a continuidade da proposta. Mais uma vez a educação refém da economia e da política.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Mais reflexões sobre as avaliações externas

   No último dia 16, estive participando de uma formação promovida pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Nova Prata, sobre "Qualidade no Ensino e na aprendizagem", com as professoras Jane Dal Pae Giugno e Maristela Farenzena, do Curso de Pedagogia da Universidade de Caxias do Sul.
   As falas e reflexões do encontro abordaram especialmente as questões das Competências e Habilidades avaliadas nas avaliações do MEC (Prova Brasil e ANA), no ensino fundamental.
   Analisar as habilidades e os saberes (conteúdos) necessários para se resolver algumas questões me ajudou a entender como essas questões são construídas e as estratégias que o aluno pode estar fazendo para assinalar determinada resposta.
   Mas ainda acho que esta forma de avaliação deixa de levar em conta  boa parte do processo que leva à aquisição de determinada habilidade. Os números mostram apenas o produto do processo e não a caminhada feita para chegar a esse resultado.
   Me parece que vamos acabar "treinando" os alunos a darem respostas iguais para as mesmas perguntas. Afinal, o que valem são os números...

Cultura Popular: Festas Juninas

   Estou trabalhando com o teme "Festas Juninas", e ao fazer a socialização de uma entrevista que as crianças fizeram com suas famílias - sobre como eram essas festas na sua infância - me dei conta de quantas coisas da nossa cultura vão se perdendo nesse turbilhão de "sociedade líquida", consumista, imediatista e descartável.
   Aproveitei e trouxe para a sala álbuns de fotos, que eram feitos na escola na segunda metade da década de 1990 e início da década de 2000. Foi fascinante ver os alunos encontrarem seus pais participando destes eventos, nas encenações da quadrilha. A maioria deles nunca viu uma fogueira junina ao vivo, e nem sabiam o que era "pau-de-sebo".
   Não acho que isso vá fazer grande diferença em suas vidas, mas como seria bom vê-los encantarem-se com coisas simples, como ensaiar uma apresentação junto com os pais e profes, passar a manhã de sábado pendurando bandeirinhas, fazendo molho para cachorro-quente ou carregando lenha para a fogueira.
   Os tempos são outros, as festas são outras, mas eu queria que eles tivessem essas experiências. Elas nos fazem dar mais valor às coisas.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Cultura e Mercado

   Pensar cultura como produto tira, esconde, nos alienia de todo processo que constitui a manifestação cultural.
   Analisar a forma como um grupo vive, convive, produz e se expressa apenas pelo momento presente, sem conhecer a construção histórica desse grupo dá uma visão bastante limitada de sua produção.
   Se entendermos a cultura como processo de produção da existência humana parece-me bastante difícil estabelecer um valor. É o mesmo que quantificar o valor de uma vida. No entanto, é o que a sociedade neoliberal faz: vincula vincula a cada grupo um valor de mercado. Os grupos e manifestações não "vendáveis" são excluídos tornados invisíveis e marginalizados.
   Cabe à escola oportunizar aos alunos o reconhecimento dos processos de construção de uma cultura e o contexto histórico em que essa construção se deu.
   Para exemplificar essa alienação da sociedade, lembrei-me do que aconteceu no último Festival Internacional de Folclore, em Nova Prata. Entre os grupos que aqui estiveram, havia um da África do Sul, constituído por um chefe tribal, com suas esposas e filhos. A apresentação era baseada em sons e gritos na língua dessa tribo e gestos repetitivos, imitando movimentos de animais.
   A maior parte dos espectadores achou a apresentação chata e até ridícula. No entanto, foi o único grupo que trouxe a expressão genuína de seu modo de vida. Os outros grupos fizeram apresentações maravilhosas e inesquecíveis, mas eram representações de algumas manifestações culturais. Sem conhecer o processo, não há como entender isso e, portanto, geralmente damos mais valor ao visual, ao espetáculo do que àquilo que eles expressam.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Novos Desafios

   O desafio apresentado no início do curso de Pedagogia de se distanciar e lançar um novo olhar sobre a escola em que trabalhamos tem me levado, mais que tudo, a refletir sobre minhas práticas na escola.
   Sempre pautei meu trabalho pedagógico em ajudar meus alunos a construírem suas aprendizagens e criarem estratégias para resolverem os desafios que surgirem em suas caminhadas... Busquei sempre tornar suas aprendizagens significativas, partindo da realidade em que vivem e de suas experiências para aprofundar seus conhecimentos. Procurei manter a ética profissional, ajudar e aprender com meus colegas, interagir com a comunidade e buscar novos conhecimentos para aprimorar meu trabalho.
   No entanto, após as leituras iniciais do curso e desse olhar diferente que estou aprendendo a lançar sobre a escola, descubro que essa maneira de trabalhar, embora considere qualificada e comprometida com a individualidade de meus alunos, pouco tem contribuído para que esses indivíduos se reconheçam como coletivo, se tornem sujeitos da cultura que eles vivenciam e contribuam para construir uma sociedade que experiencie a diversidade e acabe com as desigualdades.

   Rever minha postura a essa altura da minha carreira parece um contrasenso; deveria estar me acomodando e me preparando para a aposentadoria. Mas os novos desafios estão conseguindo me mobilizar e fazer novos projetos, me reciclar e tentar contribuir, nessa comunidade, para fazer uma escola melhor.

domingo, 7 de junho de 2015

Um a menos? Um a mais?

   Na última madrugada, um jovem do bairro foi assassinado...
   Certamente, amanhã, ouvirei dos colegas o que já ouvi de muitas pessoas, o que sempre se diz em situações como essa: “Um a menos pra incomodar”; “Não podia terminar de outro jeito”.
   O menino foi meu aluno na 1ª série, quando teve o pai (ex-presidiário) assassinado na porta de casa. Na adolescência se envolveu com drogas e desde então seu histórico (como de muitos outros), foi de infrequência escolar, reprovações, evasões, roubos, internações, agressões (esteve envolvido em um assassinato)... Nada que o fizesse parar! Na última semana ele completou 18 anos.
   Não consigo deixar de pensar naquele menino, sentado na minha frente, descobrindo os caminhos da alfabetização. Como esse e outros tantos meninos passam a ser considerados “feridas” da sociedade que precisam ser extirpadas para que possamos levar nossas vidas tranquilamente? Não foi essa sociedade que os fez assim?
   Não será um a mais na lista de nossos meninos que fizeram parte da nossa história e que acabam na criminalidade? Por que a sociedade moderna, com todas as conquistas, descobertas e tecnologias, ainda deixa nossos meninos se perderem e perderem a vida de forma tão trágica e primitiva?
   São tantos fatos parecidos todos os dias que já não damos importância. Ficamos anestesiados e consideramos um mal necessário. Até vermos um dos nossos, estendido, ensangüentado, deformado. Ai volta a definitiva: “O que podíamos ter feito por ele? O que podemos fazer para que a história não se repita?”


Para: Marcos, Marcelito, Vanderlei, Everton, João Henrique, Roger, Vinícius, Maico,Vanderbiu e tantos outros.