"A inclusão é produto de uma educação plural, democrática e transgressora. Ela provoca uma crise escolar, ou melhor, uma crise de identidade institucional que, por sua vez, abala a identidade dos professores e faz com que seja ressignificada a identidade do aluno. O aluno da escola inclusiva é outro sujeito, que não tem uma identidade fixada em modelos ideais, permanentes, essenciais." MANTOAN. 2003, p.32
Toda mudança ou transformação assusta, desestabiliza e, muitas vezes, nos paralisa.
Temos consciência de que a mudança é necessária e urgente. E que o caminho que temos que percorrer é conflituoso.
Mas a ética da responsabilidade nos impulsiona a buscar uma educação libertadora humana e humanizante onde todo educando se sinta acolhido, respeitado e motivado a aprender.
A inclusão é um processo a ser socialmente construído. E só será numa escola democrática na sua organização e nas suas práticas.
Referências:
MANTOAN,Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? como fazer? São Paulo. Moderna, 2003 (Col. Cotidiano Escolar)
terça-feira, 28 de novembro de 2017
Diversidade, inclusão: novos paradigmas
Acolher a diversidade que compõe a sociedade numa escola inclusiva que oportunize aprendizagens a todos os sujeitos dentro de suas particularidades é o grande desafio da educação.
Enfrentar esses desafios significa romper com os paradigmas que se constituíram no processo de construção da escolarização: uma educação padronizada, para um público homogêneo que segrega e exclui quem foge aos padrões. Segrega e exclui de corpo presente: o sujeito está na escola mas a escola não o "vê".
A educação na e para diversidade numa perspectiva inclusiva deve garantir o acesso e permanência de todos, mas também a aprendizagem a todos os educandos.
Dentro desse contexto é urgente que se pense na escola como um espaço de oportunidade de debates, de estilos e ritmos de aprendizagens. Até mesmo um espaço de confrontos de ideias, sempre com respeito e espírito de quem quer construir, qualificar.
Fugir dessa perspectiva, fazer de conta que os conflitos não existem, que estão todos bem, aprendendo felizes em nada contribui para romper com a estrutura mantém a escola como agente (no mínimo conivente) de exclusão.
Precisamos, então, repensar a nossa própria prática, afinal, a maioria de nós não foi formado para ensinar alunos que aprendem de forma diferente:
Para contemplarmos as diferentes formas de aprender é preciso mudar o foco de como se avalia a aprendizagem: da centralização no resultado deve-se levar em conta também o processo na qual ela se deu. Para Vygostsky (1998) o trajeto percorrido pelo aluno é relevante para compreender seu desenvolvimento.
Diferente disso, a escola costuma não compreender as diferentes estratégias usadas pela criança para construir suas aprendizagens, ignorando os conhecimentos que ela traz e exigindo dela conceitos que ainda não é capaz de construir. E para piorar o quadro, as avaliações institucionais "cobram" saberes padronizados como se todos fizessem, ao mesmo tempo, as mesmas aprendizagens.
E a escola precisa dar conta dessas avaliações, pois à partir delas é estabelecido o IDEB que avalia a instituição como um todo. Isto é: precisa-se dar o resultado para obter os recursos necessários para qualificação para melhorar os resultados.
Referências:
VYGOTSKY, L.S.A formação social da mente; São Paulo: Martins Fontes, 1998.
Enfrentar esses desafios significa romper com os paradigmas que se constituíram no processo de construção da escolarização: uma educação padronizada, para um público homogêneo que segrega e exclui quem foge aos padrões. Segrega e exclui de corpo presente: o sujeito está na escola mas a escola não o "vê".
A educação na e para diversidade numa perspectiva inclusiva deve garantir o acesso e permanência de todos, mas também a aprendizagem a todos os educandos.
Dentro desse contexto é urgente que se pense na escola como um espaço de oportunidade de debates, de estilos e ritmos de aprendizagens. Até mesmo um espaço de confrontos de ideias, sempre com respeito e espírito de quem quer construir, qualificar.
Fugir dessa perspectiva, fazer de conta que os conflitos não existem, que estão todos bem, aprendendo felizes em nada contribui para romper com a estrutura mantém a escola como agente (no mínimo conivente) de exclusão.
Precisamos, então, repensar a nossa própria prática, afinal, a maioria de nós não foi formado para ensinar alunos que aprendem de forma diferente:
Para contemplarmos as diferentes formas de aprender é preciso mudar o foco de como se avalia a aprendizagem: da centralização no resultado deve-se levar em conta também o processo na qual ela se deu. Para Vygostsky (1998) o trajeto percorrido pelo aluno é relevante para compreender seu desenvolvimento.
Diferente disso, a escola costuma não compreender as diferentes estratégias usadas pela criança para construir suas aprendizagens, ignorando os conhecimentos que ela traz e exigindo dela conceitos que ainda não é capaz de construir. E para piorar o quadro, as avaliações institucionais "cobram" saberes padronizados como se todos fizessem, ao mesmo tempo, as mesmas aprendizagens.
E a escola precisa dar conta dessas avaliações, pois à partir delas é estabelecido o IDEB que avalia a instituição como um todo. Isto é: precisa-se dar o resultado para obter os recursos necessários para qualificação para melhorar os resultados.
Referências:
VYGOTSKY, L.S.A formação social da mente; São Paulo: Martins Fontes, 1998.
Sobre desenvolvimento e aprendizagem
Os estudos de Jean Piaget (1896-1980) sobre o desenvolvimento da aprendizagem dão suporte para as teorias interacionistas da psicogênese da cognição.
De acordo com esses estudos, a aprendizagem é fruto de processos internos do sujeito que se dão à partir das seguintes condições:
- Maturação: desenvolvimento biopsicoemocional do sujeito;
- Experiência física (agir sobre o objeto) e lógico-matemática (estabelecer relações);
- Transmissão social: a convivência com a cultura, interações e vivências;
- Equilibração: quando um novo conceito passa a fazer parte do sujeito;
A cognição é uma construção interna que se dá por uma construção interna que se dá por uma demanda do meio. Entendo ali, o papel do professor: estimular, mediar, questionar, desestabilizar à fim de provocar a ação e reflexão.
Essa constatação provoca uma mudança no foco do processo de escolarização: o objetivo que era o ensinar passa para o de aumentar a capacidade de aprender.
Ficam alguns questionamentos:
- Como a espistemologia psicogenética compreende as crianças com défict de aprendizagem, as que não se alfabetizam (ou se alfabetizam muito tarde) ou aquelas com Transtornos Gerais do Desenvolvimento?
- Como ajudar, estimular essas crianças?
terça-feira, 21 de novembro de 2017
Inclusão, diversidade, desafios
Ao nos aprofundarmos nos estudos sobre diversidade e inclusão, e ao observar as relações que acontecem na escola e na sociedade nos damos conta do desafio que é construir uma educação verdadeiramente democrática, que oportunize aprendizagens autonomia a todos.
Não se)_ pode negar que houveram avanços nas últimas décadas. Algumas na própria legislação que ordena a educação com os decretos 10.639/08 que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História da África e das culturas afro-brasileiras no currículo da escolas e a lei que prevê a inclusão de pessoas com deficiência na rede regular de ensino. Outros pelas iniciativa e organização da própria comunidade escolas.
No entanto também é verdade que a realidade da maioria das escolas está longe de atingir os objetivos previstos na lei.
A escola, em geral, ainda mantém o modelo sólido e estruturado que marcou sua elaboração e construção: aquele que impõe um único modelo de cultura, privilegiando determinados padrões e saberes, e "transmitindo conhecimentos prontos e moldados".
É essa estrutura, que apesar de aceitar a diversidade acaba por excluir quem não atinge os padrões de aprendizagens verdadeiras e significativas.
"É facil perceber como, a escola, filha privilegiada do Iluminismo moderno, exerceu e continua exercendo um poderoso influxo etnocêntrico. A escola está reforçando de maneira persistente a tendência etnocêntrica dos processos de socialização, tanto na delimitação dos conteúdos e valores do currículo que refletem a história da ciência e da cultura da própria comunidade como na maneira de interpretá-los como resultados acabados, assim como na forma unilateral e teórica de transmití-los e no modo repetitivo e mecânico de exigir aprendizagem. " (Pérez Gomes, 2001, p. 35).
O mesmo autor aponta que:
(...) o objetivo de toda prática educativa -facilitar a reconstrução do conhecimento experencial do aluno- não pode se entender nem se desenvolver sem o respeito à diversidade, às diferenças individuais que determinem um dos processos de aprendizagem e desenvolvimento. (Pérez Gomes, 2001, p.67)
Sendo assim a universalização do direito à educação com a consequente inclusão dos mais diferentes grupos, tribos, raças, credos e cores demanda uma nova estrutura escolar, com diferentes organizações, pedagógcas e práticas.
Referencias:
PEREZ GOMES A.I. A cultura escolar na sociedade neoliberal. Porto Alegre. ARTEMED, 2001.
Não se)_ pode negar que houveram avanços nas últimas décadas. Algumas na própria legislação que ordena a educação com os decretos 10.639/08 que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História da África e das culturas afro-brasileiras no currículo da escolas e a lei que prevê a inclusão de pessoas com deficiência na rede regular de ensino. Outros pelas iniciativa e organização da própria comunidade escolas.
No entanto também é verdade que a realidade da maioria das escolas está longe de atingir os objetivos previstos na lei.
A escola, em geral, ainda mantém o modelo sólido e estruturado que marcou sua elaboração e construção: aquele que impõe um único modelo de cultura, privilegiando determinados padrões e saberes, e "transmitindo conhecimentos prontos e moldados".
É essa estrutura, que apesar de aceitar a diversidade acaba por excluir quem não atinge os padrões de aprendizagens verdadeiras e significativas.
"É facil perceber como, a escola, filha privilegiada do Iluminismo moderno, exerceu e continua exercendo um poderoso influxo etnocêntrico. A escola está reforçando de maneira persistente a tendência etnocêntrica dos processos de socialização, tanto na delimitação dos conteúdos e valores do currículo que refletem a história da ciência e da cultura da própria comunidade como na maneira de interpretá-los como resultados acabados, assim como na forma unilateral e teórica de transmití-los e no modo repetitivo e mecânico de exigir aprendizagem. " (Pérez Gomes, 2001, p. 35).
O mesmo autor aponta que:
(...) o objetivo de toda prática educativa -facilitar a reconstrução do conhecimento experencial do aluno- não pode se entender nem se desenvolver sem o respeito à diversidade, às diferenças individuais que determinem um dos processos de aprendizagem e desenvolvimento. (Pérez Gomes, 2001, p.67)
Sendo assim a universalização do direito à educação com a consequente inclusão dos mais diferentes grupos, tribos, raças, credos e cores demanda uma nova estrutura escolar, com diferentes organizações, pedagógcas e práticas.
Referencias:
PEREZ GOMES A.I. A cultura escolar na sociedade neoliberal. Porto Alegre. ARTEMED, 2001.
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
Comunidade e escola: novas relações
Houve um tempo em que, especialmente nos municípios do interior e nas periferias, a escola desempenhava um papel nuclearizador da comunidade e de preservação e transmissão da cultura local.
A acelerada urbanização e industrialização, a democratização do acesso aos meios de comunicação e informação, a nuclearização de escolas foram gradativamente destituindo as escolas dessa função. O próprio termo comunidade ganhou novas acepções e é usado em diferentes contextos, às vezes confundido com o sentido de sociedade.
Uma profunda e verdadeira transformação da educação, que concretize a formação para cidadania passa, a meu ver, pelo resgate do papel da escola como espaço da comunidade. Não um espaço onde a escola imponha seus saberes e conceitos. Mas onde famílias, alunos, professores, gestão, funcionários, outros agentes construam juntos alternativas para melhoria da qualidade de vida e das relações em todos os seus espaços.
Participação, respeito, cooperação são valores que se constroem no seu próprio fazer. Uma escola de ação e gestão democrática o alicerce para essas construções.
A acelerada urbanização e industrialização, a democratização do acesso aos meios de comunicação e informação, a nuclearização de escolas foram gradativamente destituindo as escolas dessa função. O próprio termo comunidade ganhou novas acepções e é usado em diferentes contextos, às vezes confundido com o sentido de sociedade.
Uma profunda e verdadeira transformação da educação, que concretize a formação para cidadania passa, a meu ver, pelo resgate do papel da escola como espaço da comunidade. Não um espaço onde a escola imponha seus saberes e conceitos. Mas onde famílias, alunos, professores, gestão, funcionários, outros agentes construam juntos alternativas para melhoria da qualidade de vida e das relações em todos os seus espaços.
Participação, respeito, cooperação são valores que se constroem no seu próprio fazer. Uma escola de ação e gestão democrática o alicerce para essas construções.
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
Sobre inclusão
"Inclusão é a nossa capacidade de entender e receber o outro e, assim ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós. A educação inclusiva acolhe todas as pessoas sem exceção. É para o estudante com deficiência física, para os que têm comportamento mental, para os superdotados, e para toda a criança que é discriminada por qualquer motivo. Costumo dizer que estar junto é se aglomerar no cinema, no ônibus e até na sala de aula com pessoas que não conhecemos. Já a inclusão é estar com, é interagir com o outro". MANTOAN, 2005, p.96.
Historicamente o tratamento das pessoas com deficiência passou do extermínio, ao banimento do convívio social nas instituições, passou pela "reabilitação" nas escolas especiais e atualmente passa pelo processo de inclusão que começou a tomar forma na Conferência Mundial sobre educação para todos em 1990, em Jomtien, na Tailândia.
A Constituição brasileira, no seu artigo 215, prevê a garantia e obrigatoriedade do acesso à educação as todos.
Esse artigo por si, já baliza a inclusão de pessoas deficientes na escola.
O movimento pela inclusão oportuniza a interação das crianças com deficiência com aquelas "normais" propiciando a ambas aprendizagens sobre convivência, respeito e cidadania.
"É essencial que os professores reconheças sua própria importância no processo de inclusão, pois a eles cabe planejar e implementar intervenções pedagógicas que dêem sustentação para o desenvolvimento das crianças" (Lima, 2006, p.123).
Referências:
LIMA, Priscila Augusta. Educação Inclusiva e igualdade social. São Paulo, Avercampo, 2006.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér, Inclusão Escolar: pontos e contrapontos, Rosângela Gavioli Preeto. Valeria Amorim Arantes (Org); 5ed. São Paulo, Summus, 2006.
Historicamente o tratamento das pessoas com deficiência passou do extermínio, ao banimento do convívio social nas instituições, passou pela "reabilitação" nas escolas especiais e atualmente passa pelo processo de inclusão que começou a tomar forma na Conferência Mundial sobre educação para todos em 1990, em Jomtien, na Tailândia.
A Constituição brasileira, no seu artigo 215, prevê a garantia e obrigatoriedade do acesso à educação as todos.
Esse artigo por si, já baliza a inclusão de pessoas deficientes na escola.
O movimento pela inclusão oportuniza a interação das crianças com deficiência com aquelas "normais" propiciando a ambas aprendizagens sobre convivência, respeito e cidadania.
"É essencial que os professores reconheças sua própria importância no processo de inclusão, pois a eles cabe planejar e implementar intervenções pedagógicas que dêem sustentação para o desenvolvimento das crianças" (Lima, 2006, p.123).
Referências:
LIMA, Priscila Augusta. Educação Inclusiva e igualdade social. São Paulo, Avercampo, 2006.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér, Inclusão Escolar: pontos e contrapontos, Rosângela Gavioli Preeto. Valeria Amorim Arantes (Org); 5ed. São Paulo, Summus, 2006.
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