sábado, 24 de outubro de 2015

Novos olhares

  Compartilho a leitura "deleite", do encontro de formação do PNAIC, para refletirmos sobre a necessidade de constantemente revermos nossa prática, nossos (pré) conceitos, nossos olhares.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Alfabetização e letramento

  A alfabetização é um processo de construção do conhecimento onde o aluno precisa reconstruir o processo de leitura e escrita percorrido pela humanidade.
  Um sujeito é considerado alfabetizado quando se apropria do sistema de escrita alfabética e é capaz de traduzir em sons o que está representado por escrito.
  Alfabetizar também é um processo político que promove a cidadania e a autonomia. De acordo com Ferreiro, "aprender a ler e a escrever, em uma sociedade letrada, tem o significado de apropriação de poder, de um instrumento que permite participar na sociedade como um cidadão pleno e não como cidadão pela metade." (1990. p.69).
  Na sociedade letrada em que vivemos, ensinar apenas a ler mecanicamente e escrever apenas em contextos escolares, não responde à necessidade que o ser humano tem para atuar na sociedade de maneira crítica e autônoma.
  Uma alfabetização significativa deve preparar para leituras e escritas que atendam às funções sociais das mesmas.
  Na escola, precisamos oportunizar leituras e produções reais e significativas, assim como ouvimos para falar, devemos cumprir essa relação entre escrever para ser lido e ler para escrever melhor, utilizando a função prática da linguagem em nossa sociedade.
  A alfabetização e o letramento são processos complementares que se relacionam, e um facilita a aquisição do outro: quanto mais fluência se adquirir na leitura, mais nos apropriamos do sentidos do que está escrito; quanto mais compreendemos os sentidos, mais fluente se torna nossa leitura.
  Por isso, cabe à escol, nas suas mediações de aprendizagens, não perder o foco nessas perspectivas: alfabetizar para letrar e letrar para a alfabetização ter sentido.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A infância, o lúdico e a alfabetização

 

  Uma das principais características da infância o é seu envolvimento com o lúdico.
  Lúdica é a atividade que compreende os conceitos de brincadeira, jogo e brinquedo. De acordo com Friedmann (1992):
          "brincadeira refere-se basicamente à ação de brincar, ao comportamento espontâneo que resulta            de uma atividade não estruturada; jogo é compreendido como uma brincadeira que envolve                  regras; atividade lúdica abrange, de forma mais ampla os conceitos anteriores." (Friedmann,                1992, p.12).
  Dentro do processo de alfabetização, a ludicidade precisa ser reconhecida como ação necessária à expressão infantil e não somente como recurso didático para atividades pedagógicas.
  As atividades lúdicas permitem que a criança reconstrua criativamente sentimentos e conhecimentos e elaborem novas possibilidades de interpretação e representação do real. Ou seja, a criança se apropria do mundo pelos brinquedos e jogos, mediados pelas relações humanas que as cercam. 
  Embora os estudiosos da educação defendam as atividades lúdicas como recursos para o desenvolvimento de ações pedagógicas significativas, como aquisição da leitura e da escrita, conceito matemáticos, é preciso evitar a didatização da ludicidade. Compreende o brincar e jogar apenas como recurso didático empobrece o seu significado e tira a sua essência de atividade prazerosa. Além disso, a didatização descaracteriza a atividade lúdica, fazendo com que as crianças a evitem e desistam dela.
  É preciso encontrar um ponto de equilíbrio entre o brincar e jogar para se expressar e as atividades propostas com o objetivo de estimular a aprendizagem.

domingo, 18 de outubro de 2015

PNAIC nos municípios: o que muda na gestão municipal e escolar

   Ao aderir ao Pacto, em 2013 a gestão da educação no município assumiu um compromisso com alfabetização nas escolas públicas.
   Além de oportunizar aos educadores a participação dos programas de formação continuada e assegurar as condições necessárias para os professores mais envolvidos realizarem seus encontros de formação, é compromisso da gestão atenderem as demandas provocadas pela chegada dos materiais e assegurarem sua disponibilização aos professores e estudantes viabilizarem a realização das avaliações nacionais, mobilização do controle social e da gestão, divulgação e articulação local. 
    Além desses compromissos iniciais, outros foram sendo agregados e precisam ser implementados tais como:
  • promover ações que implementem uma gestão democrática, entendida como " o principal instrumento para transformar o processo educativo em uma prática social voltada para a construção da cidadania, que se desenvolve numa escola cidadã" (BORDIGNON, 2001, p175);
  • promover a participação dos gestores e coordenadores no planejamento das ações;
  • oportunizar espaços de planejamento coletivo entre os professores alfabetizadores de uma mesma escola para desenvolverem atividades articuladas.
  • criar espaços para o desenvolvimento de atividades diferenciadas (brinquedoteca, sala de informática).
  • promover a mobilização da comunidade escolar especialmente das famílias dos alunos.
   Como podemos perceber ao aderir ao pacto os municípios se comprometem com uma mudanças em toda relação que se dá entre a gestão e as escolas, exigindo um envolvimento que vai muito além da formação dos professores.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Os desafios da alfabetização

  Pensar sobre a alfabetização é pensar no meu fazer profissional de todos os dias. Nenhuma turma, nenhum aluno, nenhum desafio é igual a outro. É um trabalho apaixonante, mas que exige que estejamos sempre nos avaliando, nos questionando, sempre nos reinventando.
  Sabemos que, a menos que haja alguma limitação funcional (síndromes, paralisia cerebral, etc.) todas as crianças são capazes de aprender a ler e a escrever. O desafio é descobrir a maneira de ajudar cada uma a fazê-lo, já que algumas parecem querer derrubar essa convicção.
  Em uma das escolas que trabalho, tenho uma turma de quarto ano. Avaliando a leitura deles, podemos observar que a maioria deles consegue apenas decodificar as palavras (alguns com bastante dificuldade); e apenas alguns conseguem encontrar informações diretas num texto.
  Tenho tentada inúmeras estratégias, tanto para melhorar a fluência da leitura, como a capacidade de interpretação (letramento), mas vejo poucos progressos. Parece que não consigo chegar até eles. Ficam apáticos e fazem tudo de qualquer jeito.
  Como chegar até eles? Como estimular essas crianças? Como dar a essas crianças, tão carentes de sonhos e ambição, as mesmas oportunidades daquelas que desde cedo tem o mundo da leitura e escrita como parte do seu mundo?