Nesta semana, com minha turma de 4º ano, comecei a trabalhar com o tema “Minha escola, outras escolas”. Aproveitando as reflexões do curso de pedagogia sobre o papel da escola na formação do indivíduo, questionei os meus pequenos sobre a importância da escola em suas vidas. Ouvi, invariavelmente, a mesma resposta da menina das margens do Amazonas. “A escola é importante pra mim estudar e ser alguém na vida”. Continuei perguntando: “Mas o que é ‘ser alguém na vida’?”Eles não souberam responder.
Tenho a clareza que esses questionamentos são bastante profundos para crianças de dez anos. O que me chama atenção, mais uma vez, é o poder que a família e a sociedade dão à escola: podemos fazer alguém ser alguém na vida.
Então passei a refletir sobre que “alguém” eu gostaria de ajudar a construir.
Gostaria e trabalho para que meus alunos sejam, antes de tudo, capazes de respeitar e serem respeitados em suas individualidades. Que valorizem os outros e sejam valorizados. Que reconheçam o trabalho e as aprendizagens dos outros e sejam reconhecidos pelos seus. Que tenham autonomia e bom senso para não serem engolidos pela “modernidade líquida”, que torna valores e sentimentos, fluídos e descartáveis. Que saibam trabalhar e conviver em cooperação. Que sejam solidários e consigam se colocar no lugar do outro. Que saibam resolver seus conflitos pelo diálogo, sem fazer uso da violência, mas sem perder a dignidade.
Parece utopia? Mas qual o sentido de nossas ações sem utopias?