Dia desses, assistindo uma
reportagem no Jornal Nacional sobre as cheias do Rio Amazonas e seus afluentes,
e as dificuldades das crianças das populações ribeirinhas em freqüentar a
escola, me chamou a atenção a fala de uma menina, cuja mãe faz o percurso de
casa até a escola, oito vezes por dia, de canoa pelo rio, para não deixar os
filhos faltarem aula. A menina afirmou que valia à pena o risco e o sacrifício
para estudar e “um dia ser alguém na vida”.
Fiquei pensando:
- Se não estudar, ela não é
ninguém?
- O que é para ela, “ser alguém
na vida”?
- O que é para nós, professores,
ser alguém na vida?
- Onde está o poder da escola em
fazer essa menina que vive no “fim do mundo” (na visão cosmopolita que temos do
mundo) em ser alguém?
- Na “era do conhecimento”, em
que vivemos, qual o espaço que essas populações tem para “ser alguém”; passar a
existir; ter espaço, sem deixar de ser quem são?
São questões para as quais
estamos sempre refletindo, e não sabemos o que e como responder. Qualquer que
seja a resposta, será sempre o início de novas reflexões, a busca de novos
caminhos, a construção de novos saberes. Não os saberes técnico-científicos da
sociedade moderna, mas os saberes da vida, que sempre se renovam.
Cara Rosângela, eu acho que você tem um pouco das respostas tão centrais que fizestes. Acho as perguntas fundamentais e acho que podemos e devemos indicar algumas das repostas delas aos nossos alunos.
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