Os estudos da
Pedagogia neste semestre me fizeram revisitar algumas vivências que tive
enquanto aluna e também nesses muitos anos como professora.
O mais
desafiador foi encontrar na minha história, uma razão para eu ter escolhido ser
professora. Confesso que não encontrei uma resposta definitiva. Só lembro-me da
minha professora primária como uma mulher muito rígida, elegante e respeitada
por toda comunidade. Eram anos de ditadura (1975), numa região onde mulheres e
crianças não tinham voz, e a professora Ida era a exceção. Talvez fosse a chama
da rebeldia que me fizesse querer ser professora. Ou a ambição de ser ouvida e
respeitada.
Ao longo de
minha trajetória estudantil encontrei os mais diversos modelos de professores.
Os que lembro com mais carinho foram aqueles que conseguiram despertar em mim a
paixão pela leitura e a crença de que eu também era capaz de escrever bem. Eram
professores exigentes e por isso conseguiam me desafiar a ler e escrever sempre
melhor. Mas eram também apaixonados por aquilo que faziam. E mais ainda,
acreditavam em nós.
Penso ser
essas características necessárias para ser um bom professor: desafiar os
alunos, amar o que todos podem sempre fazer um pouco melhor, inclusive nós
mesmos.
Experiências
negativas não me lembro de nenhuma em especial. Se as tive acho que serviram
para melhorar minhas aprendizagens. Sempre foi com bastante esforço, superando
preconceitos, abrindo mão de algumas coisas, mas sempre ficou a sensação de que
valeu a pena.
Como
professora, experiências felizes e não tão felizes fazem parte do nosso
dia-a-dia. Cada nova aprendizagem, cada aluno que se descobre capaz, cada novo
encontro, os reencontros, as despedidas fazem dessa profissão a mais
surpreendente, a mais frustrante e também a mais compensadora. Pode ser a mais
estressante, mas nunca é tediosa. Não descobri exatamente o que me fez decidir
professora, mas é por tudo isso que sei que foi a decisão certa.