A urbanização da sociedade como consequência da industrialização provocou uma desvalorização e industrialização das comunidades que vivem no campo. Consequentemente suas práticas e saberes também sofreram um processo de desvalorização, consideradas práticas ultrapassadas e saberes não científicos.
Ao nos referirmos à comunidades do campo estamos aos trabalhadores empregados, meiros, arredatários, pequenos proprietários, acampados, assentados, comunidades quilombolas, populações ribeirinhas e povos indígenas, comunidades essas notoriamente excluídas pela sociedade por apresentarem uma identidade própria, pouco compreendida pelo " homem urbano".
A educação do campo difere da escola rural, pois a últimas oferece uma educação na mesma modalidade daquela ofertada a aqueles que moram e estudam na área urbana.
O objetivo da educação do campo é oferecer a essas populações uma educação específica e adequada às vivências das comunidades que oportunize a apropriação e produção do conhecimento, sem perder as identidades que as constituem.
As Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo orientam para que essas escolas apresentem uma "concepção político pedagógica voltada para dinamizar as ligações dos seres humanos com a produção de condições de existência social na relação com a terra e o meio-ambiente". (BRASIL, 2002)
Nesse sentido busca-se resgatar e reconstruir a cidadania dessas populações.
Entendemos como "cidadania" a possibilidade de o indivíduo participar de forma ativa, crítica e construtivista na sociedade de que faz parte. Essa participação de dará com a tomada de consciência sobre quem se é e qual sua função na sociedade e seu real papel na comunidade em que vive.
"Nessa perspectiva, as pessoas que vivem no campo têm direitos à educação, não apenas ao ensino" devem saber analisar, discutir,indignar-se sua cultura (Arroyo 2012).
A apropriação da língua escrita e seu uso são essenciais para avançar na aprendizagem. No entanto não são aprendizagens espontaneadas e necessitam da parceria construída culturalmente a partir do mundo escrito no qual o indivíduo vive, já que são habilidades que precisam ser ensinadas.
Para alfabetizar e letrar as crianças do campo precisamos considerar o seu meio e que a escrita se inicie à partir de sua própria história.
Nenhum comentário:
Postar um comentário