segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Vivências na escola

Os estudos da Pedagogia neste semestre me fizeram revisitar algumas vivências que tive enquanto aluna e também nesses muitos anos como professora.
O mais desafiador foi encontrar na minha história, uma razão para eu ter escolhido ser professora. Confesso que não encontrei uma resposta definitiva. Só lembro-me da minha professora primária como uma mulher muito rígida, elegante e respeitada por toda comunidade. Eram anos de ditadura (1975), numa região onde mulheres e crianças não tinham voz, e a professora Ida era a exceção. Talvez fosse a chama da rebeldia que me fizesse querer ser professora. Ou a ambição de ser ouvida e respeitada.
Ao longo de minha trajetória estudantil encontrei os mais diversos modelos de professores. Os que lembro com mais carinho foram aqueles que conseguiram despertar em mim a paixão pela leitura e a crença de que eu também era capaz de escrever bem. Eram professores exigentes e por isso conseguiam me desafiar a ler e escrever sempre melhor. Mas eram também apaixonados por aquilo que faziam. E mais ainda, acreditavam em nós.
Penso ser essas características necessárias para ser um bom professor: desafiar os alunos, amar o que todos podem sempre fazer um pouco melhor, inclusive nós mesmos.
Experiências negativas não me lembro de nenhuma em especial. Se as tive acho que serviram para melhorar minhas aprendizagens. Sempre foi com bastante esforço, superando preconceitos, abrindo mão de algumas coisas, mas sempre ficou a sensação de que valeu a pena.
Como professora, experiências felizes e não tão felizes fazem parte do nosso dia-a-dia. Cada nova aprendizagem, cada aluno que se descobre capaz, cada novo encontro, os reencontros, as despedidas fazem dessa profissão a mais surpreendente, a mais frustrante e também a mais compensadora. Pode ser a mais estressante, mas nunca é tediosa. Não descobri exatamente o que me fez decidir professora, mas é por tudo isso que sei que foi a decisão certa.


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