Durante muito tempo, e ainda é assim na maioria das escolas, o ensino de matemática nas séries iniciais se resume a ensinar o sistema de numeração, cálculos e resolver situações-problema, onde se prioriza o trabalho com procedimentos, técnicas, com algarismos, definições e utilização de problemas padronizados e exercícios repetitivos. Esse tipo de abordagem leva os alunos a lidarem com técnicas e símbolos sem que entendam suas regras e lógicas.
É bem verdade que usa material concreto para "introduzir os números e operações fundamentais"- material de contagem, material dourado, etc. Mas o aluno, nessa visão de ensino, precisa mesmo é treinar, decorar os procedimentos e a tabela. Ali entram os jogos com o objetivo principal de ajudá-los a memorizar.
Acredito que se deva a essa forma de lidar com a matemática, que leve muitos alunos a ter com essa área do conhecimento uma relação, digamos assim, não muito amigável. (pavor em alguns casos)
É importante destacar que nessa forma de ver o ensino de matemática há uma hierarquia temporal de conhecimento (conteúdos).
Por exemplo: não se pode apresentar uma situação em que o aluno precise dividir seus objetos, sem que tenha sido trabalhado o algoritmo da divisão. Ou só posso trabalhar com valores monetários depois de "introduzir" os números decimais.
Essas práticas tem resultado em resultados insatisfatórios na aprendizagem dos alunos o que indica sua incapacidade de dar significado às noções, à linguagem e aos processos trabalhados na escola e sua incapacidade de utilizar a matemática fora dela.
Os PCNs e as diretrizes do PNAIC trouxeram o conceito de alfabetização em matemática, na perspectiva do letramento. Isto é, alfabetizada é a pessoa que participa ativamente de um mundo letrado, enfrentando os desafios e as demandas sociais que envolvem a compreensão e utilização da linguagem da matemática.
A linguagem da matemática envolve os recursos de quantificação, ordenação, de medição, organização do espaço, das formas e de dados e informações, como gráficos, tabelas etc. Dessa forma, ensinar matemática passa pela utilização dessas ideias, procedimentos e das representações da matemática, dando a eles significado concreto.
Remetemos aqui a constatação de Ausubel, de que para que uma aprendizagem ocorra ela deve ser significativa, o que exige que seja vista com compreensão de significados, relacionados as experiências anteriores, permitindo a formulação de problemas de algum modo desafiantes que incentivem a aprender mais, o estabelecimento de diferentes tipos de relações entre fatos, objetos, noções de comportamentos e contribuindo para a utilização do aprendido em diferentes situações.
Sendo assim, na concepção de aprendizagem significativa em matemática deve ser, levar o aluno a perceber que a matemática está no dia-a-dia, nas brincadeiras, nos esportes, na natureza, nas nossas ações, na vida.
Percebendo isso, acredito que a aversão à matemática pode se transformar numa relação prazerosa, onde o que cada um sabe ou percebe ajuda a construir o conhecimento de muitos.
Ref.
*Ausubel, D.P. A aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo, Moraes. 1982
terça-feira, 25 de outubro de 2016
sábado, 15 de outubro de 2016
Professor pesquisador
A relação entre pesquisar/estudar é íntima e
intensa. Ambos os processos se complementam e instrumentalizam uma prática
educativa e ética. (Albuquerque, 2001, p 230.)
Fica cada vez mais
evidente, tanto por aquilo que estudamos no PEAD, como pela observação na
escola e mesmo na sala de aula, a necessidade de se repensar as nossas posturas
e práticas na educação. Agora mesmo ouvindo uma fala de Pedro Demo, vemos como
desde que começaram as avaliações institucionais da educação básica os índices
não apresentam melhoras por mas que se criem
pareceres e normas para alterar essa realidade (Youtube- programa janelas
dos saberes- Pedro Demo).
Desde o inicio de
nossa prática sempre buscamos avaliar e renovar nosso fazer em sala de aula
e na escola. Mas parece que estamos
sempre esmurrando a parede porque não se vê mudanças nos resultados. Me
questiono agora se o que faltou não foi
realmente aprofundar os estudos e pesquisa sobre as práticas
Não basta aplicar
novos métodos, técnicas É necessário, na nossa prática, adotar uma postura de
professor que aprende. Aprende a pensar para melhor agir. Não seremos bons
educadores se permanentemente não questionarmos, repensarmos e qualificarmos nossas práticas
Para isso são
necessárias algumas características que precisamos desenvolver em nós. Entre as
mais importantes destaco:
Humildade para
assimilar e respeitar os saberes diferentes dos nossos.
Disposição para o
diálogo, especialmente para ouvir o outro.
A curiosidade epistemológica.
para criar o planejamento da nossa
pesquisa e a busca e seleção do que é realmente essencial na nossa prática.
Cabe a nos
professores nos tornarmos os produtores do conhecimento que nossa pratica
exige. Afinal só ensinamos o que produzimos. E o aluno só aprende o que ele
descobre.
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