domingo, 17 de julho de 2016

LIBRAS e cultura surda

  As aulas de LIBRAS no curso de Pedagogia foram daquelas que conseguem desestabilizar os conceitos que temos sobre um grupo social, com o qual temos pouco ou quase nenhum contato.
  Como a maioria das pessoas, eu via os surdos como deficientes: pessoas que, por sua limitação, são privados de possibilidades de aprendizagens que nós - ditos "normais" - temos. Achava que valia se utilizar de qualquer recurso técnico científico para trazê-los ao nosso mundo, e que o uso de LIBRAS era apenas um recurso para adaptá-los ao "mundo ouvinte".
  Aprendi que estava enganada. Ser surdo não significa ser limitado. Significa ser capaz de conhecer o mundo e interagir com ele de uma outra maneira, tão rica de possibilidades como as que nós, ouvintes, temos.
  LIBRAS também não é apenas um recurso de adaptação. É uma língua que permite a esse grupo interagir, aprender, ensinar e produzir sua cultura.
  Estou aprendendo a olhar diferente: me libertar dos preconceitos e reaprender a ver o surdo, não como incapaz, mas como alguém que consegue viver em meio a uma cultura que não é a sua, mas assim mesmo convive, supera os desafios e luta pelo direito de se expressar sem precisar deixar de ser quem são.

Literatura infantil e o prazer de brincar com as palavras

  A poesia infantil tem um poder quase mágico de brincar com as palavras e recriar um mundo de encantamento quando fala das emoções mais simples e espontâneas.
"Rir é sempre bom?
Risos há diversos
Vejam só alguns
Nestes poucos versos.

Nada há mais lindo
Que uma criancinha
Com sua risada
Toda em cascatinha."

In.: Chora é Choradeira, Risos e Risadas. 
Tatiana Belen Ky

  As situações mais comuns na vida das crianças ganham tom de graça.
"Lambada malvada,
Trombada bandida,
Pancada safada
Sai da minha vida"

In.: Dezenove poemas desengonçados. 
Ricardo Azevedo.

  Os objetos da criança viram brinquedos de falar.
"Essa casa é de caco
Quem mora nela é macaco
Esta casa é tão bonita
Quem mora nela é a cabrita. (...)"
ELIAS, José. Caixa mágica de 
surpresa. Paulus: São Paulo, 1984.

  Os desafios e conflitos encontram um desfecho:
"Comeu muito? Teve azia?
Levou um pito da tia?
Tirou nota que não queria?
Caiu problema que não sabia?
Brinque de poesia."
ELIAS, José. A poesia pede 
passagem. Paulus: São Paulo, 2001.

sábado, 16 de julho de 2016

E na escola, como estamos?

  Há alguns paradigmas no fazer escolar que, apesar dos estudos e experiências de que podem ser modificados, encontram muita resistência em ser mudados.
  Conceito I: alfabetizar depende de decorar alfabeto, sílabas e boquinhas. Então é preciso repetir exercícios de leitura de sílabas até a exaustão.
  O que aprendi: alfabetizar é um processo a ser construído através do contato e interação com o texto escrito - textos diversificados e significativos. Através do texto, é preciso provocar a reflexão sobre o funcionamento da escrita alfabética.

  Conceito II: a criança aprende matemática e resolver situações-problema fazendo (muitos) cálculos, decorando a tabela, fórmulas...
  O que aprendi: a criança aprende a matemática sendo desafiada a criar estratégias para resolver.

  Conceito III: as crianças não aprendem porque tem déficit de atenção, dificuldades de aprendizagem ou porque a família não acompanha.
  O que estou aprendendo: toda criança pode aprender. É preciso encontrar os estímulos adequados, valorizar suas conquistas e nunca deixar de acreditar. Com relação às famílias, é preciso fazer deles aliados da escolarização de seus filhos, resgatando a pareceria quando as escolas eram nas comunidades.

  Conceito IV: os textos literários são excelentes "pretextos" para se trabalhar conteúdos, valores e mudanças de atitudes.
  O que estou aprendendo: os textos literários devem estar permanentemente presentes no contexto escolar como o são: produções artísticas que expressam emoções, sentimentos, culturas, formas diversas de lidar com a linguagem e de se expressar. Eles abrem para as crianças um universo de possibilidades de representação e expressão ajudando-os a se tornarem capazes de lidar com seus sentimentos, curiosidades e criatividade. Isso, além de todas aquelas habilidades que a leitura permite.

  Conceito V: os jogos e brincadeiras na escola devem estar associados à aprendizagem de algum conteúdo.
  O que estou aprendendo: o brincar e o jogar fazer parte do desenvolvimento integral do ser humano, e por isso devem ter na escola um espaço significativo e desvinculado da aprendizagem de conteúdos. O brincar precede a aprendizagem de conteúdos porque ajuda a criar as condições da corporeidade para a aprendizagem. A criança que entra por inteiro no jogo tem condições de se entregar por inteiro na aprendizagem.
  
  A partir desses exemplos, podemos nos dar conta de que uma nova escola precisa ser construída. Não novos prédios, nem novos sujeitos. Mas sujeitos novos, reconstruídos por novos paradigmas, que faça dos aprendizes, autores de suas aprendizagens.