Acolher a diversidade que compõe a sociedade numa escola inclusiva que oportunize aprendizagens a todos os sujeitos dentro de suas particularidades é o grande desafio da educação.
Enfrentar esses desafios significa romper com os paradigmas que se constituíram no processo de construção da escolarização: uma educação padronizada, para um público homogêneo que segrega e exclui quem foge aos padrões. Segrega e exclui de corpo presente: o sujeito está na escola mas a escola não o "vê".
A educação na e para diversidade numa perspectiva inclusiva deve garantir o acesso e permanência de todos, mas também a aprendizagem a todos os educandos.
Dentro desse contexto é urgente que se pense na escola como um espaço de oportunidade de debates, de estilos e ritmos de aprendizagens. Até mesmo um espaço de confrontos de ideias, sempre com respeito e espírito de quem quer construir, qualificar.
Fugir dessa perspectiva, fazer de conta que os conflitos não existem, que estão todos bem, aprendendo felizes em nada contribui para romper com a estrutura mantém a escola como agente (no mínimo conivente) de exclusão.
Precisamos, então, repensar a nossa própria prática, afinal, a maioria de nós não foi formado para ensinar alunos que aprendem de forma diferente:
Para contemplarmos as diferentes formas de aprender é preciso mudar o foco de como se avalia a aprendizagem: da centralização no resultado deve-se levar em conta também o processo na qual ela se deu. Para Vygostsky (1998) o trajeto percorrido pelo aluno é relevante para compreender seu desenvolvimento.
Diferente disso, a escola costuma não compreender as diferentes estratégias usadas pela criança para construir suas aprendizagens, ignorando os conhecimentos que ela traz e exigindo dela conceitos que ainda não é capaz de construir. E para piorar o quadro, as avaliações institucionais "cobram" saberes padronizados como se todos fizessem, ao mesmo tempo, as mesmas aprendizagens.
E a escola precisa dar conta dessas avaliações, pois à partir delas é estabelecido o IDEB que avalia a instituição como um todo. Isto é: precisa-se dar o resultado para obter os recursos necessários para qualificação para melhorar os resultados.
Referências:
VYGOTSKY, L.S.A formação social da mente; São Paulo: Martins Fontes, 1998.
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