Pensar cultura como produto tira, esconde, nos alienia de todo processo que constitui a manifestação cultural.
Analisar a forma como um grupo vive, convive, produz e se expressa apenas pelo momento presente, sem conhecer a construção histórica desse grupo dá uma visão bastante limitada de sua produção.
Se entendermos a cultura como processo de produção da existência humana parece-me bastante difícil estabelecer um valor. É o mesmo que quantificar o valor de uma vida. No entanto, é o que a sociedade neoliberal faz: vincula vincula a cada grupo um valor de mercado. Os grupos e manifestações não "vendáveis" são excluídos tornados invisíveis e marginalizados.
Cabe à escola oportunizar aos alunos o reconhecimento dos processos de construção de uma cultura e o contexto histórico em que essa construção se deu.
Para exemplificar essa alienação da sociedade, lembrei-me do que aconteceu no último Festival Internacional de Folclore, em Nova Prata. Entre os grupos que aqui estiveram, havia um da África do Sul, constituído por um chefe tribal, com suas esposas e filhos. A apresentação era baseada em sons e gritos na língua dessa tribo e gestos repetitivos, imitando movimentos de animais.
A maior parte dos espectadores achou a apresentação chata e até ridícula. No entanto, foi o único grupo que trouxe a expressão genuína de seu modo de vida. Os outros grupos fizeram apresentações maravilhosas e inesquecíveis, mas eram representações de algumas manifestações culturais. Sem conhecer o processo, não há como entender isso e, portanto, geralmente damos mais valor ao visual, ao espetáculo do que àquilo que eles expressam.
Nenhum comentário:
Postar um comentário