Na última madrugada, um jovem do bairro foi assassinado...
Certamente, amanhã, ouvirei dos colegas o que já ouvi de
muitas pessoas, o que sempre se diz em situações como essa: “Um a menos pra incomodar”; “Não podia
terminar de outro jeito”.
O menino foi meu aluno na 1ª série, quando teve o pai
(ex-presidiário) assassinado na porta de casa. Na adolescência se envolveu com
drogas e desde então seu histórico (como de muitos outros), foi de infrequência
escolar, reprovações, evasões, roubos, internações, agressões (esteve envolvido
em um assassinato)... Nada que o fizesse parar! Na última semana ele completou
18 anos.
Não consigo deixar de pensar naquele menino, sentado na
minha frente, descobrindo os caminhos da alfabetização. Como esse e outros
tantos meninos passam a ser considerados “feridas” da sociedade que precisam
ser extirpadas para que possamos levar nossas vidas tranquilamente? Não foi
essa sociedade que os fez assim?
Não será um a mais na
lista de nossos meninos que fizeram parte da nossa história e que acabam na
criminalidade? Por que a sociedade moderna, com todas as conquistas,
descobertas e tecnologias, ainda deixa nossos meninos se perderem e perderem a
vida de forma tão trágica e primitiva?
São tantos fatos parecidos todos os dias que já não damos importância.
Ficamos anestesiados e consideramos um mal necessário. Até vermos um dos
nossos, estendido, ensangüentado, deformado. Ai volta a definitiva: “O que podíamos
ter feito por ele? O que podemos fazer para que a história não se repita?”
Para: Marcos, Marcelito, Vanderlei, Everton, João Henrique,
Roger, Vinícius, Maico,Vanderbiu e tantos outros.
É muito chocante a violência de nosso país... e muito difícil também lutar contra ela.
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