domingo, 7 de junho de 2015

Um a menos? Um a mais?

   Na última madrugada, um jovem do bairro foi assassinado...
   Certamente, amanhã, ouvirei dos colegas o que já ouvi de muitas pessoas, o que sempre se diz em situações como essa: “Um a menos pra incomodar”; “Não podia terminar de outro jeito”.
   O menino foi meu aluno na 1ª série, quando teve o pai (ex-presidiário) assassinado na porta de casa. Na adolescência se envolveu com drogas e desde então seu histórico (como de muitos outros), foi de infrequência escolar, reprovações, evasões, roubos, internações, agressões (esteve envolvido em um assassinato)... Nada que o fizesse parar! Na última semana ele completou 18 anos.
   Não consigo deixar de pensar naquele menino, sentado na minha frente, descobrindo os caminhos da alfabetização. Como esse e outros tantos meninos passam a ser considerados “feridas” da sociedade que precisam ser extirpadas para que possamos levar nossas vidas tranquilamente? Não foi essa sociedade que os fez assim?
   Não será um a mais na lista de nossos meninos que fizeram parte da nossa história e que acabam na criminalidade? Por que a sociedade moderna, com todas as conquistas, descobertas e tecnologias, ainda deixa nossos meninos se perderem e perderem a vida de forma tão trágica e primitiva?
   São tantos fatos parecidos todos os dias que já não damos importância. Ficamos anestesiados e consideramos um mal necessário. Até vermos um dos nossos, estendido, ensangüentado, deformado. Ai volta a definitiva: “O que podíamos ter feito por ele? O que podemos fazer para que a história não se repita?”


Para: Marcos, Marcelito, Vanderlei, Everton, João Henrique, Roger, Vinícius, Maico,Vanderbiu e tantos outros.

Um comentário:

  1. É muito chocante a violência de nosso país... e muito difícil também lutar contra ela.

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