Também levou-me mais uma vez a questionar-me e refletir do porquê a matemática deixar a imagem de “bicho de sete cabeças” tão cedo em nossas cabeças. Digo tão cedo porque por coincidência, no dia seguinte ao propor aos meus alunos de 4° ano que trabalhássemos com situações-problema ouvi mais uma vez “Ah, profe! Eu não gosto de matemática.”, justificado por “Eu não entendo”, “É muito complicado”.
Lembrei então que eu também “odiava” matemática, decorava fórmulas e procedimentos, sem entender (até hoje) para que serviam. E me questionei: “Será que estou ensinando matemática do mesmo jeito que aprendi?”. Poxa, me esforço tanto para trazer situações da vida, materiais concretos, jogos, os quais nunca tive na minha escolarização.
Embora há muito se concorde sobre a necessidade de mudanças no trabalho com matemática, desde a Ed. Infantil, estas ocorrem de maneira lenda. De modo que teremos gerações de alunos com aversão ou até fobia desta área de conhecimento. Então cabem aqui duas questões com as reflexões feitas à cerca delas:
1- Qual a função do ensino de matemática nas séries iniciais:
De acordo com os PCAs (1987):
“É importante que a matemática desempenhe equilibrada e indissociavelmente seu papel na formação de capacidades intelectuais, na estruturação do pensamento, na agilização do raciocínio dedutivo, na sua aplicação a problemas e situações da vida cotidiana e atividades do mundo do trabalho em outras áreas curriculares.” (BRASIL, 1997, p. 29).
A matemática, embora seja uma construção cultural, está presente na vida do ser humano, pois é a estratégia construída para fazer a intermediação entre a cultura, sociedade, moldar e exteriorizar esses conhecimentos e transformá-los em linguagem matemática;
2- Como desmistificar o ensino da matemática?
Não há formulas mágicas ou métodos infalíveis. Mas é preciso levar em conta alguns requisitos:
1° Conhecer o funcionamento dos processos psicológicos do desenvolvimento. Especialmente para ter em mente sempre que a criança das séries iniciais precisa do concreto para aprender. As crianças não aprendem conceitos numéricos com desenhos, nem com a simples manipulação do objeto. Aprendem pela abstração reflexiva à medida que atuam sobre o objeto.
2° Propor situações-problema interessantes e desafiadoras. O desafio mobiliza processos mentais importantes para aprendizagem.
3° Apresentar o mesmo problema de múltiplas formas à fim de mediar os processos de conservação e transformação dos objetos.
Mas o mais importante é ouvir e observar o que as crianças falam enquanto realizam as atividades. A partir dali saberemos o que pensar para mediar novas aprendizagens.
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