Até fazer as leituras e reflexões da interdisciplina de "Inclusão de Pessoas com Necessidades Educacionais especial" não nos tínhamos dado conta da radicalidade das mudanças que o processo de inclusão demanda da escola e dos seus sujeitos, em especial, os professores.
Embora os termos inclusão e integração semanticamente tenham significados parecidos, para os movimentos sociais que demandam a inclusão, eles têm acepções bem diferentes.
As definições abaixo de autoria de Cláudia Nerneck, extraido do primeiro volume do Manual da Mídia Legal (apud MELERO, 2002) deixam claras essas diferenças:
"Inclusão: a inserção é total e incondicional (crianças com deficiência não precisam
“se preparar” para ir à escola regular).
Integração: a inserção é parcial e condicional (crianças “se preparam” em escolas ou
classes especiais para estar em escolas ou classes regulares).
Inclusão: exige rupturas nos sistemas.
Integração: pede concessões aos sistemas.
Inclusão: mudanças que beneficiam toda e qualquer pessoa (não se sabe quem
“ganha” mais; TODAS ganham).
Integração: mudanças visando prioritariamente a pessoa com deficiência (consolida a
ideia de que elas “ganham” mais).
Inclusão: exige transformações profundas.
Integração: contenta-se com transformações superficiais.
Inclusão: sociedade se adapta para atender às necessidades das pessoas com
deficiência e, com isso, se torna mais atenta às necessidades de TODOS.
Integração: pessoas com deficiência se adaptam às necessidades dos modelos que já
existem na sociedade, que faz apenas ajustes.
Inclusão: defende o direito de TODAS as pessoas, com e sem deficiência.
Integração: defende o direito de pessoas com deficiência.
Inclusão: traz para dentro dos sistemas os grupos de “excluídos” e, paralelamente,
transforma esses sistemas para que se tornem de qualidade para TODOS.
Integração: insere nos sistemas os grupos de “excluídos” que provarem estar aptos
(sob este aspecto, as cotas podem ser questionadas como promotoras da inclusão).
Inclusão: o adjetivo inclusivo é usado quando se busca qualidade para TODAS as
pessoas com e sem deficiência (escola inclusiva, trabalho inclusivo, lazer inclusivo etc.).
Integração: o adjetivo integrador é usado quando se busca qualidade nas estruturas
que atendem apenas as pessoas com deficiência consideradas aptas (escola integradora,
empresa integradora etc.).
Inclusão: valoriza a individualidade de pessoas com deficiência (pessoas com
deficiência podem ou não ser bons funcionários; podem ou não ser carinhosos etc.).
Integração: como reflexo de um pensamento integrador podemos citar a tendência a
tratar pessoas com deficiência como um bloco homogêneo (exemplos: surdos se concentram
melhor; cegos são excelentes massagistas).
Inclusão: não quer disfarçar as limitações, porque elas são reais.
Integração: tende a disfarçar as limitações para aumentar a possibilidade de inserção.
Inclusão: não se caracteriza apenas pela presença de pessoas com e sem deficiência
em um mesmo ambiente.
Integração: a presença de pessoas com e sem deficiência no mesmo ambiente tende a
ser suficiente para o uso do adjetivo integrador."
Referências:
MELERO, M.L. Diversidade e Cultura: uma escola sem exclusões, Espanha: Universidade de Málaga, 2002.
Nenhum comentário:
Postar um comentário