sábado, 9 de dezembro de 2017

Integração/inclusão

    Até fazer as leituras e reflexões da interdisciplina de "Inclusão de Pessoas com Necessidades Educacionais especial" não nos tínhamos dado conta da radicalidade das mudanças que o processo de inclusão demanda da escola e dos seus sujeitos, em especial, os professores.
    Embora os termos inclusão e integração semanticamente tenham significados parecidos, para os movimentos sociais que demandam a inclusão, eles têm acepções bem diferentes.
    As definições abaixo de autoria de Cláudia Nerneck, extraido do primeiro volume do Manual da Mídia Legal (apud MELERO, 2002) deixam claras essas diferenças:
    "Inclusão: a inserção é total e incondicional (crianças com deficiência não precisam “se preparar” para ir à escola regular).
    Integração: a inserção é parcial e condicional (crianças “se preparam” em escolas ou classes especiais para estar em escolas ou classes regulares).
    Inclusão: exige rupturas nos sistemas.
    Integração: pede concessões aos sistemas. Inclusão: mudanças que beneficiam toda e qualquer pessoa (não se sabe quem “ganha” mais; TODAS ganham).
    Integração: mudanças visando prioritariamente a pessoa com deficiência (consolida a ideia de que elas “ganham” mais).
    Inclusão: exige transformações profundas.
    Integração: contenta-se com transformações superficiais. 
    Inclusão: sociedade se adapta para atender às necessidades das pessoas com deficiência e, com isso, se torna mais atenta às necessidades de TODOS.
    Integração: pessoas com deficiência se adaptam às necessidades dos modelos que já existem na sociedade, que faz apenas ajustes.
    Inclusão: defende o direito de TODAS as pessoas, com e sem deficiência.
    Integração: defende o direito de pessoas com deficiência.
    Inclusão: traz para dentro dos sistemas os grupos de “excluídos” e, paralelamente, transforma esses sistemas para que se tornem de qualidade para TODOS.
    Integração: insere nos sistemas os grupos de “excluídos” que provarem estar aptos (sob este aspecto, as cotas podem ser questionadas como promotoras da inclusão).
    Inclusão: o adjetivo inclusivo é usado quando se busca qualidade para TODAS as pessoas com e sem deficiência (escola inclusiva, trabalho inclusivo, lazer inclusivo etc.).
    Integração: o adjetivo integrador é usado quando se busca qualidade nas estruturas que atendem apenas as pessoas com deficiência consideradas aptas (escola integradora, empresa integradora etc.).
    Inclusão: valoriza a individualidade de pessoas com deficiência (pessoas com deficiência podem ou não ser bons funcionários; podem ou não ser carinhosos etc.).
    Integração: como reflexo de um pensamento integrador podemos citar a tendência a tratar pessoas com deficiência como um bloco homogêneo (exemplos: surdos se concentram melhor; cegos são excelentes massagistas).
    Inclusão: não quer disfarçar as limitações, porque elas são reais.
    Integração: tende a disfarçar as limitações para aumentar a possibilidade de inserção.
    Inclusão: não se caracteriza apenas pela presença de pessoas com e sem deficiência em um mesmo ambiente.
    Integração: a presença de pessoas com e sem deficiência no mesmo ambiente tende a ser suficiente para o uso do adjetivo integrador."

    Referências:
    MELERO, M.L. Diversidade e Cultura: uma escola sem exclusões, Espanha: Universidade de Málaga, 2002.

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