terça-feira, 17 de novembro de 2015

A Criança, a Educação Infantil e o Ensino Fundamental

  Os pareceres que normalizam o ensino fundamental, a obrigatoriedade da educação infantil, bem como o ciclo de alfabetização são baseados nos princípios da continuidade e ampliação.
  Anteriormente a essas normatizações, a educação infantil era vista com objetivos assistencialistas e compensatórios que justificavam o fracasso escolar pela perspectiva da carência cultural e deficiências cognitivas e linguísticas.
  Esses paradigmas ainda norteiam as práticas de muitos educadores, tanto na educação infantil, como no ensino fundamental e o desafio de transformar requer muito estudo e um esforço de todos envolvidos nesse processo.
  No entanto, é preciso ter consciência de que o ingresso na escola, por si só, não assegura às crianças o acesso a um contexto de ensino que promova aprendizagens significativas, o que supõe uma escola preparada em termos físicos, materiais e com profissionais competentes.
  É preciso,não apenas ampliar o tempo de permanência das crianças, mas também garantir que elas tenham de fato, o direito de aprender em um ambiente no qual suas necessidade e interesses sejam respeitados.
  Esse direito pressupõe necessariamente o espaço para o lúdico em sala de aula. Não apenas o jogo e a brincadeira com objetivos didáticos, mas como expressão da espontaneidade e criatividade da infância. Essa necessidade nos remete à uma discussão bastante presente nos contextos educacionais: "É possível alfabetizar e letrar num ambiente lúdico que respeite a singularidade das crianças nessa etapa?"
  É possível, se fizermos em nossas práticas a articulação da aprendizagem da leitura e da escrita a momentos de brincadeiras e de exploração de outras linguagens.
  Essa articulação precisa ir se apresentando de maneira desde a Educação Infantil, pois "negar em qualquer etapa da educação institucionalizada, o contato com a linguagem escrita e sua notação é contrariar a própria realidade social em que a criança está inserida, visto que desde cedo, ela convive com vários materiais expressos de circulação e participa de distintas práticas e eventos de letramento.
  A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental pode ser mais ou menos traumática, conforme essa articulação entre lúdico e aprendizagem estiverem presentes nessas etapas da escolarização.

Um comentário:

  1. Rosângela, reparo em seu texto que preocupas-te com a passagem entre os dois níveis de ensino. Imaginas alguma possibilidade de realizar esta transição de forma que o seu impacto seja atenuado para os pequenos? Abraços!

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