A cidadania se aprende
principalmente pela vivência e pela convivência. Ser cidadão é, antes de tudo, sentir-se
como parte de uma sociedade. Não apenas usufruir dos direitos, mas também atuar
como responsável pelo coletivo social e pelo ambiente.
Se a pessoa se sente parte
de um grupo, ela age para preservar e melhor o espaço desse grupo.
A escola é o primeiro
espaço, depois da família, onde o ser humano tem a possibilidade de conviver.
Se, nesse espaço ele se sentir acolhido e ali for levado a refletir sobre o que
faz, sobre o por quê e o como fazer, já será um grande aprendizado para a
cidadania.
Experiências de
cooperação, de solidariedade e de autonomia na aprendizagem são, ao meu ver,
imprescindíveis para se formar pessoas mais conscientes, mais críticas e também
mais capazes de refletir sobre seus atos, de se colocar no lugar do outro e de
ajudar na busca do bem comum.
O que precisamos aprender,
como educadores, é refletir como cada uma de nossas práticas pode ajudar nesse
aprendizado.
"A principal meta da
educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não
simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam
criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar
mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a
elas se propõe."
Jean Piaget
Muitas vezes, em minha
prática e, mais ainda durante o estágio me veio essa indagação: “Como as
atividades que eu proponho ajudam meus alunos a se constituírem como cidadãos?”
“Como posso contribuir para que eles realmente se sintam como partes da
sociedade e que nela podem atuar ?”
“Como leva-los a perceber que nossos atos e escolhas têm consequências que vão
além das paredes de nossas casas ou das
ruas do nosso bairro?”
Acho bem importante para
essa reflexão fazer referência ao que
entendo com cidadania
e como cidadão. A referência a Paulo Freire e sua definição como meta da
educação traz uma importante ideia do
que seria um cidadão. Ou seja um sujeito capaz de compreender como a sociedade
se estrutura, analisar a quem essa sociedade serve e ser capaz de intervir nela
para criar novas formas de produzir sem
explorar o outro e sem destruir o ambiente e estabelecer,novas e democráticas
relações de trabalho e poder.
Por isso ou seja para
compreender porque as coisas estão de determinada forma ou são feitas de
determinada maneira, acho importante o trabalho com linhas de tempo. Acredito
que percebendo, por exemplo que as pessoas nem sempre produziram seu alimento
como produzem hoje, nem sempre se locomoveram como atualmente, em outras épocas
se vestiram ou falaram diferente do que falam hoje, as crianças comecem a se
dar conta de que as coisas podem ser diferentes, que as transformações
ocorreram e ocorrem por determinadas necessidades de alguns grupos. E sendo
assim podem vir a ser diferentes.E que para ser diferente depende da efetiva
participação dos “cidadãos” críticos, atuantes e livres.
Entendo que meus alunos pré
adolescentes ainda não são capazes de compreender toda essa trama que envolve
cidadania, poder, interesses, mas começar
aperceber que existem mais de uma resposta que pode ser certa, ou mais
de um caminho para se chegar a ela é fundamental para que no futuro não enrede
na trama da verdade única ou de que as coisas são assim por que sempre foi
assim.
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