quarta-feira, 29 de abril de 2015
Hoje, enquanto relia o
livro "O menino que aprendeu a ver", da Ruth Rocha, comecei a
refletir sobre a minha trajetória inicial no PEAD. Em muitas situações me sinto
como aquele menino que olha e não vê. E, aos poucos vai descobrindo caminhos e
sentidos.
Ainda tenho uma longa
caminhada, mas sinto que também já tenho algumas conquistas. Para quem se
sentia analfabeta nos ambientes virtuais, ter criado um blog, enviar trabalhos
no moodle e participar de fóruns virtuais, é como ler as
primeiras páginas de um livro.
A leitura do livro também
me fez refletir sobre o desafio do professor alfabetizador na sociedade letrada
em que vivemos. Temos a tarefa de iniciar as crianças no fantástico, desafiador
e desacomodador mundo do conhecimento acumulado pela humanidade...
A construção da escrita
foi um processo que levou milhares de anos, desde os primeiros riscos nas
paredes das cavernas, até a simbologia fonética dos alfabetos. E saber que uma
criança é capaz de reconstruir essa trajetória em sete ou oito anos é
deparar-se com a incrível capacidade que nós, seres humanos, temos de aprender,
e de aprender a aprender.
E nosso desafio é ainda
maior porque, além de decodificar os símbolos do alfabeto, juntá-los para
dar-lhes sentidos, precisamos ajudá-los a descobrir as funções sociais da
escrita na nossa sociedade; o poder que a capacidade de se apropriar do
conhecimento tem para transformar suas vidas.
O poder, pro exemplo, que
a Ruth Rocha teve, em uma história para crianças, de me fazer pensar e me
questionar sobre o meu papel como professora que tem paixão por ver as crianças
descobrirem a leitura e o compromisso de fazer isso de maneira cada vez melhor.
A
necessidade de um novo olhar sobre a prática pedagógica foi se evidenciando ao
longo do trajeto da formação em Pedagogia à medida em que se aprofundavam as
leituras, debates e reflexões sobre os desafio da educação nos dias atuais.
Essa
mudança no olhar se deu principalmente sobre o aluno e como ele constrói suas
aprendizagens, como ele pensa determinado conhecimento, determinada atividade,
sobre o que o estimula ( ou não) que expectativas ele traz, c0mo ele se vê como
individuo e como sujeito no ambiente escolar
Esse
olhar se principalmente pela escuta e reflexão sobre suas falas. Pela reflexão
do que pode estar por traz de determinada atitude, pelo questionamento, não de
que interroga e julga, mas de quem quer junto encontrar caminhos para a
aprendizagem.
Uma nova
forma de olhar, de escutar, de questionar esta exigindo uma nova postura, um
jeito diferente de perguntar, e ouvir, um tom de voz diferente, uma expressão não de quem tem as respostas, mas
de quem quer encontra- las junto, sem
convicções petrificadas, sem juízo de valor entre certo e errado, entre bom e
mau, entre “ eu que sei” e “ você que não sabe”.
Um novo
olhar que comtemple as individualidades e os ritmos de cada um, que avalie cada
um pelo que aprendeu a partir do que já sabia e não por aquilo que não aprendeu
daquilo que eu ache que deva aprender.
Afinal “
se submetemos os diferentes ritmos dos alunos a um único tempo de
aprendizagens, produziremos a diferenciação do desempenho dos alunos” FREITAS,
2004.
Um novo
olhar também sobre a escola e seus novos papeis numa sociedade que é do
conhecimento, mas também é da superficialidade, da efemeridade, da
descartabilidade de produtos, de sujeitos e de
sentimentos. È para essa sociedade que a escola tem a função de
preparar. E é dessa sociedade, muitas vezes excludente, competitiva, consumista
e individualista que nós e nossos alunos viemos. Muitas vezes de lugares
sociais opostos e por isso conflitantes.
Como a
escola e o professor e escola podem mediar essa relação entre o sujeito que se
quer crítico livre, consciente e que a sociedade exige consumidor, maleável e
manipulável e ao mesmo tempo empreendedor e inovador?
Por causa
disso entendemos a educação como” um
processo contínuo, complexo e sútil, marcado por profundas contradições e
processos coletivos e permanentes de formação de cada indivíduo, o que se dá na
relação entre os indivíduos e entre este e a natureza”
REFERÊNCIAS
FREITAS LUIZ C. A avaliação e as reformas dos anos
de 1990 Educação& Sociedade Campinas, 2004
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2180-8.pdf
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