O desafio apresentado no
início do curso de Pedagogia de se distanciar e lançar um novo olhar sobre a
escola em que trabalhamos tem me levado, mais que tudo, a refletir sobre minhas
práticas na escola.
Sempre pautei meu trabalho
pedagógico em ajudar meus alunos a construírem suas aprendizagens e criarem
estratégias para resolverem os desafios que surgirem em suas caminhadas...
Busquei sempre tornar suas aprendizagens significativas, partindo da realidade
em que vivem e de suas experiências para aprofundar seus conhecimentos.
Procurei manter a ética profissional, ajudar e aprender com meus colegas,
interagir com a comunidade e buscar novos conhecimentos para aprimorar meu
trabalho.
No entanto, após as
leituras iniciais do curso e desse olhar diferente que estou aprendendo a
lançar sobre a escola, descubro que essa maneira de trabalhar, embora considere
qualificada e comprometida com a individualidade de meus alunos, pouco tem
contribuído para que esses indivíduos se reconheçam como coletivo, se tornem
sujeitos da cultura que eles vivenciam e contribuam para construir uma
sociedade que experiencie a diversidade e acabe com as desigualdades.
Rever minha postura a essa
altura da minha carreira parece um contrassenso; deveria estar me acomodando e
me preparando para a aposentadoria. Mas os novos desafios estão conseguindo me
mobilizar e fazer novos projetos, me reciclar e tentar contribuir, nessa
comunidade, para fazer uma escola melhor.
REFLEXÃO
Acompanhar e dar conta das
constantes e cada vez mais rápidas mudanças que
ocorrem na sociedade no período contemporâneo é sem duvida um dos
maiores desafio da educação no geral e do professor em particular. E quando
refiro a mudanças não estou falando apenas das mudanças tecnológicas que estão
visíveis e presentes cada vez mais no cotidiano de nossas crianças e jovens.
Refiro-me as mudanças nas
relações sociais que essas tecnologias provocam e que muitas vezes ainda não
conseguimos dar conta.
Segundo Castells (2000 p. 17), “A
revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo
introduziram uma nova forma de sociedade, a sociedade em rede. Essa sociedade é
caracterizada pela globalização das atividades econômicas decisivas do ponto de
vista estratégico, por sua forma de organização em redes; pela flexibilidade e
instabilidade do emprego e pela individualização da mão-de-obra. Por uma
cultura de virtualidade real construída a partir de um sistema de mídia
onipresente, interligado e altamente diversificado.
Com o acesso a informação cada vez mais
fácil e rápido cabe à escola e ao professor ajudar as novas gerações a
verificar, filtrar, selecionar as informações que são relevantes e que irão ajuda- lo a
intervir nessa sociedade. Nosso papel é mais do que formar usuários e
consumidores das tecnologias, mas pessoas capazes de criar e recriar
tecnologias que deem conta de suas necessidades, de seus projetos e de seus
anseios. Pessoas que atuem em rede precisam ser pessoas solidárias, abertas ao
novo e criativas.
Como formar essas pessoas na escola? Que
competências e habilidades são essenciais para esse mundo globalizado e ao
mesmo tempo individualista? Como leva-los a perceber os múltiplos saberes que
estão contemplados em um objeto ou fato?
Dificilmente teremos uma resposta única,
ou um caminho pronto. Mas alguns princípios acredito serem indispensáveis como
alicerces de uma nova educação para um novo mundo em constante mudança.
Uma educação cooperativa, interdisciplinar
,participativa e alicerçada no compromisso com a inclusão e aprendizagem de
todos, no respeito e valorização da diversidade e também da individualidade de
cada sujeito seriam pontos de partida para realmente a escola dar conta do seu
papel de formadora de cidadãos.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo:
Paz e Terra, 1999. v. 1.
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