quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

POSTAGEM 4


   O desafio apresentado no início do curso de Pedagogia de se distanciar e lançar um novo olhar sobre a escola em que trabalhamos tem me levado, mais que tudo, a refletir sobre minhas práticas na escola.
   Sempre pautei meu trabalho pedagógico em ajudar meus alunos a construírem suas aprendizagens e criarem estratégias para resolverem os desafios que surgirem em suas caminhadas... Busquei sempre tornar suas aprendizagens significativas, partindo da realidade em que vivem e de suas experiências para aprofundar seus conhecimentos. Procurei manter a ética profissional, ajudar e aprender com meus colegas, interagir com a comunidade e buscar novos conhecimentos para aprimorar meu trabalho.
   No entanto, após as leituras iniciais do curso e desse olhar diferente que estou aprendendo a lançar sobre a escola, descubro que essa maneira de trabalhar, embora considere qualificada e comprometida com a individualidade de meus alunos, pouco tem contribuído para que esses indivíduos se reconheçam como coletivo, se tornem sujeitos da cultura que eles vivenciam e contribuam para construir uma sociedade que experiencie a diversidade e acabe com as desigualdades.

   Rever minha postura a essa altura da minha carreira parece um contrassenso; deveria estar me acomodando e me preparando para a aposentadoria. Mas os novos desafios estão conseguindo me mobilizar e fazer novos projetos, me reciclar e tentar contribuir, nessa comunidade, para fazer uma escola melhor.



       REFLEXÃO
   

     Acompanhar e dar conta das constantes e cada vez mais rápidas mudanças que  ocorrem na sociedade no período contemporâneo é sem duvida um dos maiores desafio da educação no geral e do professor em particular. E quando refiro a mudanças não estou falando apenas das mudanças tecnológicas que estão visíveis e presentes cada vez mais no cotidiano de nossas crianças e jovens.
    Refiro-me as mudanças nas relações sociais que essas tecnologias provocam e que muitas vezes ainda não conseguimos dar conta.
      Segundo Castells (2000 p. 17), “A revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo introduziram uma nova forma de sociedade, a sociedade em rede. Essa sociedade é caracterizada pela globalização das atividades econômicas decisivas do ponto de vista estratégico, por sua forma de organização em redes; pela flexibilidade e instabilidade do emprego e pela individualização da mão-de-obra. Por uma cultura de virtualidade real construída a partir de um sistema de mídia onipresente, interligado e altamente  diversificado.
       Com o acesso a informação cada vez mais fácil e rápido cabe à escola e ao professor ajudar as novas gerações a verificar, filtrar, selecionar as informações que  são relevantes e que irão ajuda- lo a intervir nessa sociedade. Nosso papel é mais do que formar usuários e consumidores das tecnologias, mas pessoas capazes de criar e recriar tecnologias que deem conta de suas necessidades, de seus projetos e de seus anseios. Pessoas que atuem em rede precisam ser pessoas solidárias, abertas ao novo e criativas.
       Como formar essas pessoas na escola? Que competências e habilidades são essenciais para esse mundo globalizado e ao mesmo tempo individualista? Como leva-los a perceber os múltiplos saberes que estão contemplados em um objeto ou fato?
       Dificilmente teremos uma resposta única, ou um caminho pronto. Mas alguns princípios acredito serem indispensáveis como alicerces de uma nova educação para um novo mundo em constante mudança.
   Uma educação cooperativa, interdisciplinar ,participativa e alicerçada no compromisso com a inclusão e aprendizagem de todos, no respeito e valorização da diversidade e também da individualidade de cada sujeito seriam pontos de partida para realmente a escola dar conta do seu papel de formadora de cidadãos.
      

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. v. 1.


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