terça-feira, 13 de outubro de 2015
Pensar sobre a alfabetização é
pensar no meu fazer profissional de todos os dias. Nenhuma turma, nenhum aluno,
nenhum desafio é igual a outro. É um trabalho apaixonante, mas que exige que
estejamos sempre nos avaliando, nos questionando, sempre nos reinventando.
Sabemos que, a menos que haja
alguma limitação funcional (síndromes, paralisia cerebral, etc.) todas as
crianças são capazes de aprender a ler e a escrever. O desafio é descobrir a
maneira de ajudar cada uma a fazê-lo, já que algumas parecem querer derrubar
essa convicção.
Em uma das escolas que trabalho,
tenho uma turma de quarto ano. Avaliando a leitura deles, podemos observar que
a maioria deles consegue apenas decodificar as palavras (alguns com bastante
dificuldade); e apenas alguns conseguem encontrar informações diretas num
texto.
Tenho tentada inúmeras
estratégias, tanto para melhorar a fluência da leitura, como a capacidade de
interpretação (letramento), mas vejo poucos progressos. Parece que não consigo
chegar até eles. Ficam apáticos e fazem tudo de qualquer jeito.
Como chegar até eles? Como estimular essas crianças? Como dar a
essas crianças, tão carentes de sonhos e ambição, as mesmas oportunidades
daquelas que desde cedo tem o mundo da leitura e escrita como parte do seu
mundo?
REFLEXÃO
Três anos
depois da postagem sobre os desafios da alfabetização observo a mesma realidade
quanto a questão do letramento. Ou seja alunos que leem, mas não conseguem
compreender o que leem. E isso se refere á leitura de um texto ou um parágrafo. Muitas vezes eles não
compreendem o enunciado de uma atividade.
Entender essa dificuldade para ajuda-los a
avançar nas suas aprendizagens me
desafia a pesquisar mais sobre o assunto e experimentar diferentes dinâmicas,
mas percebo que os progressos são bastante lentos.
A questão
da interpretação em alguns casos deve- se à
lentidão na leitura ou leitura” travada”. Percebo que num enunciado com
mais de uma ação, quando leram a segunda já não lembram a primeira.
Outro fator
que percebo interferir é a questão do vocabulário. Há palavras que para alguns
são comuns, para outros não fazem sentido. Por exemplo, na realização de uma
atividade uma aluna travou na questão:
Qual é o assunto do texto? Depois de explicar algumas vezes e faze- la
reler a questão compreendi que ela não
conhecia a palavra assunto. Essa
palavra não fazia parte de seu vocabulário. Comecei a refletir então sobre o
quantas vezes eles não entendem alguma coisa, não por não saber ler, mas por
desconhecer o que estão lendo.
Já se sabe
que alfabetização e letramento são dois processos diferentes embora um esteja
relacionado ao outro. Percebemos que nas práticas escolares, especialmente no
ciclo de alfabetização se dá mais espaço á alfabetização no seu sentido de
decodificar a escrita e se espera que com
isso a criança já de conta do uso social da escrita. E os professores do
pós alfabetização (meu caso) imaginam que eles já sejam capazes de compreender
desde um texto jornalístico, uma informação científica, um manual de um jogo ou
qualquer outro gênero textual. Precisamos ter em mente que:
“ Aprender a ler e a escrever significa
adquiri uma tecnologia: a de codificar em língua escrita (escrever) e de
decodificar a língua escrita (ler). Porem adquirir não é o suficiente, é
necessário se apropriar dela. Isto significa fazer uso das práticas sociais de
leitura e de escrita, articulando-as ou dissociando-as da prática de interação
oral, dependendo de cada situação vivida.” ROSA, A (2012 p.17)
Isso
requer uma mudança nas práticas; precisamos mediar a interlocução entre a
criança e o texto, para compreendermos o que ela entende e faze- las avançar.
“Os professores ainda precisam prestar
atenção nas interpretações que os alunos fazem daquilo que observam para
fornecer todas as orientações quando necessário. Há evidências de que a
aprendizagem pode ser melhorada quando os professores prestam atenção nos
conhecimentos e crenças que os alunos trazem e utilizam este conhecimento como
ponto de partida para a instrução do conhecimento verdadeiro.” Rosa, A (2012 p.
87)
REFERÊNCIAS
ROSA, Caciací Santos de Santa. Leitura:
uma porta aberta na formação do cidadão. Disponível em:
http://www.secult.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espacoautorias/artigos/leitura%20-%20uma%20porta%20aberta....pdf.
Acessado em 18/09/2013
SOARES,
Magda. Alfabetização e Letramento. Disponível em:
http://pt.scribd.com/doc/18892732/Artigo-Alfabetizacao-e-Letramento-MagdaSoares1.
Acessado em 05/10/2013.
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