quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

REFLEXÃO 5



terça-feira, 13 de outubro de 2015
  Pensar sobre a alfabetização é pensar no meu fazer profissional de todos os dias. Nenhuma turma, nenhum aluno, nenhum desafio é igual a outro. É um trabalho apaixonante, mas que exige que estejamos sempre nos avaliando, nos questionando, sempre nos reinventando.
  Sabemos que, a menos que haja alguma limitação funcional (síndromes, paralisia cerebral, etc.) todas as crianças são capazes de aprender a ler e a escrever. O desafio é descobrir a maneira de ajudar cada uma a fazê-lo, já que algumas parecem querer derrubar essa convicção.
  Em uma das escolas que trabalho, tenho uma turma de quarto ano. Avaliando a leitura deles, podemos observar que a maioria deles consegue apenas decodificar as palavras (alguns com bastante dificuldade); e apenas alguns conseguem encontrar informações diretas num texto.
  Tenho tentada inúmeras estratégias, tanto para melhorar a fluência da leitura, como a capacidade de interpretação (letramento), mas vejo poucos progressos. Parece que não consigo chegar até eles. Ficam apáticos e fazem tudo de qualquer jeito.
  Como chegar até eles? Como estimular essas crianças? Como dar a essas crianças, tão carentes de sonhos e ambição, as mesmas oportunidades daquelas que desde cedo tem o mundo da leitura e escrita como parte do seu mundo?



REFLEXÃO
         Três anos depois da postagem sobre os desafios da alfabetização observo a mesma realidade quanto a questão do letramento. Ou seja alunos que leem, mas não conseguem compreender o que leem. E isso se refere á leitura de um texto  ou um parágrafo. Muitas vezes eles não compreendem o enunciado de uma atividade.
        Entender essa dificuldade para ajuda-los a avançar  nas suas aprendizagens me desafia a pesquisar mais sobre o assunto e experimentar diferentes dinâmicas, mas percebo que os progressos são bastante lentos.
         A questão da interpretação em alguns casos deve- se à  lentidão na leitura ou leitura” travada”. Percebo que num enunciado com mais de uma ação, quando leram a segunda já não lembram a primeira.
        Outro fator que percebo interferir é a questão do vocabulário. Há palavras que para alguns são comuns, para outros não fazem sentido. Por exemplo, na realização de uma atividade uma aluna travou na questão: Qual é o assunto do texto? Depois de explicar algumas vezes e faze- la reler a questão  compreendi que ela não conhecia a palavra assunto. Essa palavra não fazia parte de seu vocabulário. Comecei a refletir então sobre o quantas vezes eles não entendem alguma coisa, não por não saber ler, mas por desconhecer o que estão lendo.
        Já se sabe que alfabetização e letramento são dois processos diferentes embora um esteja relacionado ao outro. Percebemos que nas práticas escolares, especialmente no ciclo de alfabetização se dá mais espaço á alfabetização no seu sentido de decodificar a escrita e se espera que com  isso a criança já de conta do uso social da escrita. E os professores do pós alfabetização (meu caso) imaginam que eles já sejam capazes de compreender desde um texto jornalístico, uma informação científica, um manual de um jogo ou qualquer outro gênero textual. Precisamos ter em mente que:
          Aprender a ler e a escrever significa adquiri uma tecnologia: a de codificar em língua escrita (escrever) e de decodificar a língua escrita (ler). Porem adquirir não é o suficiente, é necessário se apropriar dela. Isto significa fazer uso das práticas sociais de leitura e de escrita, articulando-as ou dissociando-as da prática de interação oral, dependendo de cada situação vivida.” ROSA, A (2012 p.17)
         Isso requer uma mudança nas práticas; precisamos mediar a interlocução entre a criança e o texto, para compreendermos o que ela entende e faze- las avançar.

         Os professores ainda precisam prestar atenção nas interpretações que os alunos fazem daquilo que observam para fornecer todas as orientações quando necessário. Há evidências de que a aprendizagem pode ser melhorada quando os professores prestam atenção nos conhecimentos e crenças que os alunos trazem e utilizam este conhecimento como ponto de partida para a instrução do conhecimento verdadeiro.” Rosa, A (2012 p. 87)
         REFERÊNCIAS
              ROSA, Caciací Santos de Santa. Leitura: uma porta aberta na formação do cidadão. Disponível em: http://www.secult.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espacoautorias/artigos/leitura%20-%20uma%20porta%20aberta....pdf. Acessado em 18/09/2013
          SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/18892732/Artigo-Alfabetizacao-e-Letramento-MagdaSoares1. Acessado em 05/10/2013.

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