Hoje, enquanto relia o livro "O menino que aprendeu a ver", da Ruth Rocha, comecei a refletir sobre a minha trajetória inicial no PEAD. Em muitas situações me sinto como aquele menino que olha e não vê. E, aos poucos vai descobrindo caminhos e sentidos.
Ainda tenho uma longa caminhada, mas sinto que também já tenho algumas conquistas. Para quem se sentia analfabeta nos ambientes virtuais, ter criado um blog, enviar trabalhos no moodle e participar de fóruns virtuais, é como ler as primeiras páginas de um livro.
A leitura do livro também me fez refletir sobre o desafio do professor alfabetizador na sociedade letrada em que vivemos. Temos a tarefa de iniciar as crianças no fantástico, desafiador e desacomodador mundo do conhecimento acumulado pela humanidade...
A construção da escrita foi um processo que levou milhares de anos, desde os primeiros riscos nas paredes das cavernas, até a simbologia fonética dos alfabetos. E saber que uma criança é capaz de reconstruir essa trajetória em sete ou oito anos é deparar-se com a incrível capacidade que nós, seres humanos, temos de aprender, e de aprender a aprender.
E nosso desafio é ainda maior porque, além de decodificar os símbolos do alfabeto, juntá-los para dar-lhes sentidos, precisamos ajudá-los a descobrir as funções sociais da escrita na nossa sociedade; o poder que a capacidade de se apropriar do conhecimento tem para transformar suas vidas.
O poder, pro exemplo, que a Ruth Rocha teve, em uma história para crianças, de me fazer pensar e me questionar sobre o meu papel como professora que tem paixão por ver as crianças descobrirem a leitura e o compromisso de fazer isso de maneira cada vez melhor.
Dar sentido, encontrar alguns objetivos práticos, "emponderar poder" de aprender e de transformar. Isso tudo como professora. Em certo sentido, também não é isso que queremos aos nossos alunos?
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