segunda-feira, 30 de julho de 2018
Sobre avaliação
Dentro do processo do ensino aprendizagem a questão da avaliação há muito tempo inquieta e provoca quem nele atua. A escola, inicialmente construída como um espaço de (com) formação e “seleção” daqueles que ocupariam espaços privilegiados e de “treinamento” para o mercado de trabalho, a partir das lutas de grupos sociais e pesquisas nas áreas do desenvolvimento e das ciências sociais, aos poucos, vai se constituindo num espaço de socialização, inclusão, formação integral para cidadania. Essa transformação da educação acontece, não de a uniforme e radical, mas a partir de mudanças sutis que vão se construindo num processo de (re) aprendizagem de si mesmo. Por isso, muitas práticas condizentes ao modelo de escola conservadora, excludente, seletiva ainda se mantêm nas práticas dos professores e na própria organização da escola. E a que considero é a que se refere à avaliação. Sousa (1993, p.10) confirma essa dissonância das práticas avaliativas, inclusiva e de qualidade quando afirma que: “a avaliação do rendimento escolar tem se traduzido, em uma prática auditória que legitima um processo de seletividade e discriminação de alunos com consequências sociais e pessoas danosas, em nada coerente com a função que lhe foi atribuída, de apoiar o aperfeiçoamento do ensino”. Muitas vezes, para dar conta das avaliações institucionais, “das cobranças de resultados e da lista de conteúdos a avaliação”, segundo Luckesi (1995, p.17) “ganhou um espaço tão amplo nos processos de ensinos que nossa prática educativa escolar passou a ser direcionada por uma pedagogia do exame”. Um modelo de escola que se quer humanizadora requer uma prática avaliativa que seja parte de um processo de construção do conhecimento, de formação integral do sujeito e de construção da autonomia, da solidariedade e da democracia. A avaliação formativa não pode ser a culminância de um projeto para verificação da aprendizagem. Ela precisa ser feita ao longo do processo até para criar estratégias para superar o que não se alcançou. E isso não significa de maneira alguma apenas “rever conteúdos, refazer atividades”. Significa sim, juntos: professor e aluno (re)construírem o processo e buscar caminhos. Dessa forma a avaliação será verdadeiramente formativa, porque ajudará o aluno a ser autor de suas aprendizagens e assim também responsável por ela.
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