segunda-feira, 23 de julho de 2018

Aquisição e desenvolvimento da linguagem


              Os dois maiores pesquisadores sobre a aquisição e desenvolvimento do pensamento e da linguagem, Jean Piaget e Lev Vygotsky -apesar de divergirem em alguns aspectos- concordam sobre a importância das ações exercidas pelo sujeito, em relação a si mesmo e ao mundo que o cerca e sobre o impacto dessas ações no desenvolvimento dos processos mentais: atenção, memória, pensamento e linguagem.
            Especialmente sobre a linguagem é necessário perceber que sua utilização possui dois aspectos: um de produção e o outro de compreensão. Produzir linguagem é atribuir significado a sons, movimentos e expressões.
            Sendo assim, antes das primeiras palavras serem pronunciadas, a emissão dos sonos que progridem do choro para balbucios, gestos, imitação já está se dando o desenvolvimento da linguagem.
            É na função das primeiras expressões de fala, ditas “egocêntricas”, que se dá uma das divergências entre as teorias de Piaget e Vygotsky. Enquanto que, para Vygotsky, essa fala já deve ser compreendida à partir de sua função primordial que é o contato social e a comunicação. Para Piaget, ela caracteriza-se por uma fala consigo mesmo, desprovida de intencionalidade.
            Para Vygotsky (1998, p. 104) “O desenvolvimento de conceitos ou dos significados das palavras, pressupõe o desenvolvimento de muitas funções intelectuais: atenção deliberada, memória lógica, abstração, capacidade comparar e diferenciar.”
            Além dos estudiosos citados, temos também Maturana, que destaca a importância de se conceber a linguagem a partir da ampliação de possibilidades essenciais para se dizer com propriedade da experiência de ser vivo que o homem é.
            Para Maturana (2001) e Magro (2001) “a aquisição e desenvolvimento da linguagem ocorrem através da atividade recursiva e consensual entre os integrantes de uma comunidade que mantém um histórico recorrente de interações”.
            Apesar das divergências os três autores enfatizam que as ações do sujeito são essenciais para a aquisição e desenvolvimento da linguagem.
            Também concordam que é através da linguagem que o ser humano constrói sua história, a qual promove mudanças na sua corporeidade, sento esta um recurso psíquico essencialmente humano.

Referências:
MAGRO, C. (1996, 16 agosto). Linguagem, biologia e fenômenos. Recuperado de http://www.letras.ufmg.org.br/cmagro/19ago2005;
MATURANA, H. (2001). Cognição, ciência e vida cotidiana. Org e Trad. Cristina Magro, Victor Paredes; Belo Horizonte: Ed. UFMG;
PIAGET, J. (2007). Epistemologia Genética, 3ª ed. São Paulo: Martins fontes;
VYGOTSKY, L. S. (2007). A formação Social da Mente. 7ª ed. São Paulo: Martins Fontes.

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