Os
dois maiores pesquisadores sobre a aquisição e desenvolvimento do pensamento e
da linguagem, Jean Piaget e Lev Vygotsky -apesar de divergirem em alguns
aspectos- concordam sobre a importância das ações exercidas pelo sujeito, em
relação a si mesmo e ao mundo que o cerca e sobre o impacto dessas ações no
desenvolvimento dos processos mentais: atenção, memória, pensamento e
linguagem.
Especialmente sobre a linguagem é
necessário perceber que sua utilização possui dois aspectos: um de produção e o
outro de compreensão. Produzir linguagem é atribuir significado a sons,
movimentos e expressões.
Sendo assim, antes das primeiras
palavras serem pronunciadas, a emissão dos sonos que progridem do choro para
balbucios, gestos, imitação já está se dando o desenvolvimento da linguagem.
É na função das primeiras expressões
de fala, ditas “egocêntricas”, que se dá uma das divergências entre as teorias
de Piaget e Vygotsky. Enquanto que, para Vygotsky, essa fala já deve ser
compreendida à partir de sua função primordial que é o contato social e a
comunicação. Para Piaget, ela caracteriza-se por uma fala consigo mesmo,
desprovida de intencionalidade.
Para Vygotsky (1998, p. 104) “O
desenvolvimento de conceitos ou dos significados das palavras, pressupõe o
desenvolvimento de muitas funções intelectuais: atenção deliberada, memória
lógica, abstração, capacidade comparar e diferenciar.”
Além dos estudiosos citados, temos
também Maturana, que destaca a importância de se conceber a linguagem a partir
da ampliação de possibilidades essenciais para se dizer com propriedade da
experiência de ser vivo que o homem é.
Para Maturana (2001) e Magro (2001)
“a aquisição e desenvolvimento da linguagem ocorrem através da atividade recursiva
e consensual entre os integrantes de uma comunidade que mantém um histórico
recorrente de interações”.
Apesar das divergências os três
autores enfatizam que as ações do sujeito são essenciais para a aquisição e
desenvolvimento da linguagem.
Também concordam que é através da
linguagem que o ser humano constrói sua história, a qual promove mudanças na
sua corporeidade, sento esta um recurso psíquico essencialmente humano.
Referências:
MAGRO,
C. (1996, 16 agosto). Linguagem, biologia e fenômenos. Recuperado de http://www.letras.ufmg.org.br/cmagro/19ago2005;
MATURANA,
H. (2001). Cognição, ciência e vida cotidiana. Org e Trad. Cristina Magro,
Victor Paredes; Belo Horizonte: Ed. UFMG;
PIAGET,
J. (2007). Epistemologia Genética, 3ª ed. São Paulo: Martins fontes;
VYGOTSKY, L. S. (2007). A formação Social da Mente. 7ª ed. São Paulo:
Martins Fontes.
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