segunda-feira, 30 de julho de 2018

Nallon e a Aprendizagem

Jean Piaget, Lev Vygotsky e Henry Nallon são os três pesquisadores que se destacaram por recolocar o sujeito no centro das questões epistemológicas e a linguagem como elemento constituvo do próprio pensamento. Embora haja vários aspectos convergentes entre as teorias de Piaget e Vygotsky, a principal divergência entre eles refere-se ao papel da aprendizagem subordina-se ao desenvolvimento e tem pouco impacto sobre, minimizando o papel da interação social, Vygotsky defende que o desenvolvimento e a aprendizagem são processos que se influenciam reciprocamente, portanto quanto mais aprendizagem, mais desenvolvimento. Aqui, faremos referência à teoria de Henri Nallon sobre desenvolvimento e aprendizagem que talvez respondam mais a questões que permeiem as relações que se efetivem no espaço escolar. Nallon entende o desenvolvimento infantil como um processo descontínuo e eminente social. A criança se movimenta entre as contradições entre linguagem e pensamento, buscando correspondência entre palavras e imagens de modo a formular explicações plausíveis para os enigmas que tenta decifrar. Ainda de acordo com o autor “a linguagem tem precedência sobre a realidade. A aprendizagem da linguagem promove um tipo de funcionamento em que a linguagem se antecipa ao conhecimento e à compreensão.” O universo simbólico estrutura e organiza a relação da criança com a realidade. A concepção dialética de Nallon a cerca do desenvolvimento contribui para a superação da visão positiva da dicotomia corpo/mente e engloba a cognição e os níveis biológicos. Sendo a integração um conceito fundamental na formação do educanco, como é descrito por Mahoney (2008, p.15). “O motor, o cognitivo, o afetivo, a pessoa, embora cada um desses aspectos tenha identidade estrutural e funcional diferenciada, estão tão integrados que cada um é parte constitutiva dos outros. Sua separação se faz necessária apenas para a descrição do processo. Uma das consequências dessa interpretação é de que qualquer atividade humana sempre interfere em todos eles. Qualquer atividade motora tem ressonâncias afetivas e cognitivas; toda operação mental tem ressonâncias afetivas e motoras. E todas essas ressonâncias têm um impacto no quarto conjunto: a pessoa, que, ao mesmo tempo em que garante integração, é resultado dela.” REFERÊNCIAS: MAHONEY, ALMEIDA L. R.: Afetividde e processo de ensino-aprendizagem: contribuições de Henri Nallon, Psicologia da Educaçao, v20, p. 11-30; 2005 ISSN 1414-6975 NALLON, H (1989). As origens do pensamento na criança. São Paulo: Manole (1995). A evolução psicológica da criança; Lisboa. Edições 70.

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