quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Ética na educação: um tema que não se esgota

   Na sociedade pós-moderna em que vivemos as transformações científico-tecnológicas provocam transformações nas relações sociais e interpessoais cada vez mais aceleradas e profundas. Falar-se ou questionar-se a ética nessas relações exige, de quem se propõe a fazê-lo, um exercício de reflexão e estudo cada vez mais constante.
   Especialmente nas escolas é muito comum a expressão "resgatar valores" como um objetivo do processo educacional. Mas que valores se quer resgatar? Os valores que produziram uma sociedade estratificada onde as relações de poder se dão no sentido vertical daqueles que "possuem" o conhecimento e o poder econômico sobre os demais? Valores que, ao longo do tempo, excluíram boa parte da sociedade que não teve acesso à cidadania, a serviços públicos de qualidade e à vida digna.
   A expressão resgatar nos passa a ideia de que já vivemos numa sociedade onde as relações eram mais equitativas, onde não havia conflitos geracionais, sociais ou pessoais, onde a distribuição de renda era mais justa e a própria "justiça", enquanto instituição, era mais imparcial.
   Todos sabemos que não foi assim. E talvez esses valores que se queira "resgatar" sejam justamente aquele que alicerçavam e alicerçam essas relações que, apesar de todas as transformações e lutas do mundo contemporâneo, teimam em se manter. Mesmo na escola.
   Embora o desvio do tema da publicação que seria a ética na educação, considerei importante a inserção da temática "valores" pois são eles que servem de parâmetro para aquilo que, individualmente, consideramos ético. Não apenas nos nossos julgamentos, mas, especialmente, em nossas posturas e atitudes.

Um comentário:

  1. Ótimas indagações Rosangela, que nos levam a refletir sobre o nosso papel em sala de aula. Como lidar com tantos desafios? A imparcialidade seria uma opção?

    Seguimos filosofando!
    Tutor@ Isolete

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