Enquanto construía meu "Retrato de Escola", foram surgindo algumas reflexões sobre a influência da sociedade na realidade escolar e de toda a comunidade onde ela está.
É visível que a sociedade em que vivemos se caracteriza pela desigualdade entre os grupos, pela competitividade, pela valorização do ter e pelo intenso consumismo.
Essa organização econômica, política e social, denominada neoliberalismo, se caracteriza pela excessiva dominação do mercado na vida das pessoas. O mercado é senhor da economia, que dita a política, que governa as instituições que "controlam" a vida do ser humano. Consequência disso: somos "criados" para consumir. E pela nossa capacidade de consumo, somos avaliados e incluídos, ou não.
A descartabilidade dos produtos, das instituições, dos valores e do próprio ser humano, além da influência dos MCS é que mantém essa ordem, onde evidentemente os interesses de quem controla o mercado são preservados.
O Estado, enquanto instituição que "governa" vem perdendo cada vez mais o poder de intervir nessa ordem. As privatizações, a corrupção dentro do governo, a falta de organização de projetos contínuos contribuem para essa perda de poder.
Dizemos também que vivemos numa democracia. Indubitavelmente temos a liberdade de expressão, de manifestação, de associação, de eleição. Mas em isso influencia à ordem estabelecida? E estamos preparados para exercer esses direitos de maneira autônoma, crítica e coerente?
As próprias manifestações que se multiplicaram e se multiplicam pelo país, o que tinham realmente de vontade de transformar? Ou será que contribuíam apenas para desestabilizar o Estado e o governo e ampliar o poder daqueles que realmente controlam a economia e a sociedade? Os manifestantes são realmente sujeitos desses fatos históricos? Ou mais uma vez estamos servindo aos interesses de "alguém"?
Diante dessas constatações e questionamentos, me vem a maior de todas as questões: E A ESCOLA?
E sobre a escola enquanto instituição forma de educação e de formação de cidadãos, inúmeras outras questões me vem em mente:
> Diante dessa realidade, a quem está servindo a escola? É ela um espaço de transformação, de inclusão e de formação crítica e autônoma para a verdadeira cidadania? Ou é apenas mais um espaço de reprodução dessa ordem egoísta, consumista e competitiva?
Temos nós, professores, consciência da necessidade de formar novos homens, que contribuam para a formação de uma nova sociedade ou "damos" nossas aulas, com o máximo de dedicação e competência, mas sem refletir e questionar em que essa aula contribui para essa formação?
Formamos alunos capazes de competir no mercado de trabalho, de disputar de igual para igual pelos espaços na sociedade? Ou queremos formar pessoas capazes de colaborar, de reconstruir, de criar formas de produção sustentáveis, solidárias e que respeitem a pessoa enquanto indivíduo único, mas que só se constrói na convivência, na atuação e na dinâmica das relações com outro indivíduos?
Ficam as perguntas! Não haverão respostas prontas. Mas sempre haverá o desafio de refletir, de buscar, de reconstruir os saberes. Isso é ser educador.
Rosângela, qual seria em tua opinião as bases do aprendizado da cidadania? Será possível aprender a aprender cidadania? Abç!
ResponderExcluir