Resumo
do texto: PNAIC, caderno 5, págs 59 à 66
Quem trabalha como professor no
ciclo de alfabetização, precisa ter claro que se apropriar do SEA (sistema de
escrita alfabética) é, para a criança, uma tarefa cognitiva complexa que
implica a construção de conhecimentos que não são de ordem textual ou
discursiva, requer um ensino específico e sistemático.
A má apropriação da teoria da
psicogênese da escrita e dos estudos sobre letramento fez com que, nas últimas
décadas, no Brasil, houvesse um processo de “desinvenção da alfabetização”.
Isso fez com que, em muitas escolas e redes, os professores passassem a se descuidar
das metodologias de alfabetização esperando que a criança, sem um trabalho
específico, avançasse sozinha nas hipóteses de alfabetização, também se
considerar o trabalho com a relação letra-som como “tradicional” e, portanto,
necessário.
No final da década de 90, passamos a
viver uma “hegemonia do discurso do letramento” onde o foco passa a ser quase
exclusivo nas práticas de leitura e produção de textos, desconsiderando que a
escrita alfabética é, em si, um objeto de conhecimento, com propriedades que o
aluno precisa compreender.
A proposta do PNAIC é que, nos três
anos de ciclo de alfabetização, se use metodologias para um ensino sistemático
da escrita alfabética, sempre na perpectiva do “alfabetizar letrando” (cf
SOARES, 1998). Inicialmente é preciso ter clareza dos conceitos de alfabetizado
(aquele que domina o SEA) e letrado
(aquele que pode participar, com autonomia, de práticas de leitura e produção
de texto), sem esquecer que as duas dimensões estão interligadas.
O PNAIC propõe que se realize rotineiramente
atividade3s que ajudem a criança a compreender o sistema de escrita alfabético
e se apropriar de suas convenções. Além disso, precisam ser vivenciadas
práticas diárias de leitura e/ou produção de textos.
O pacto defende assim que preciso alfabetizar
letrando, mas que cada instancia de organização da linguagem, no caso do SEA e
dos gêneros escritos precisam ser concebidos e tratados dentro de suas
especifidades.
O pacto defende o ensino sistemático
da escrita alfabética, na sua faceta notacional numa perspectiva de um ensino
que promove a compreensão das propriedades do sistema necessárias para que o
aluno possa, de forma produtiva, memorizar e automatizar as relações
som-grafia, o que revela uma visão construtivista sobre ensinar e aprender.
O pacto também defende, nos três
anos do ciclo de alfabetização, o direito de aprendizagem de o aluno receber de
maneira continua e progressiva das correspondências letra-som do português, de
modo a poderem cada vez mais, ler textos com autonomia e compreensão e produzir
com legibilidade os gêneros textuais com que se familiarizarem.
Essa perspectiva não comporta a
ideia de que se deve “primeiro alfabetizar para depois letrar”, concebe-se que
a compreensão de textos escritos precisa ser promovida desde a ed. Infantil e
deve ser continuada e progressivamente mais complexa durante os três primeiros
iniciais do ensino fundamental.
Enfatiza-se que o ensino sistemático
do SEA, não propõe apenas situações didáticas frequentes desse objeto de
conhecimento, mas que sejam também reflexivas e problematizadoras acerca do
funcionamento do sistema de escrita.
Os pressupostos do sistema de
escrita tem como principio imperioso o respeito à diversidade dos saberes e
experiências docentes e, por outro lado, dos ritmos e conhecimentos do
educando.
Sendo assim, a partir dos direito de
aprendizagem coletivamente instituídos, o professor tem autonomia e liberdade
para definir os conteúdos, selecionar os recursos didáticos e práticas de
leitura, escrita e produção de textos, também tem a liberdade e autonomia para
selecionar os instrumentos de diagnostico e avaliação, tanto para acompanhar a
apropriação do SEA, como para diagnosticar os avanços no âmbito do letramento.
Mas, em todos os momentos, o
professor precisa as necessidades de alunos com diferentes ritmos de
conhecimento. Para tanto, nos indica Onrubia (1996) se quisermos ajudar nossos
alunos a resgatarem seus conhecimentos pré-vivos e a se apropriarem de novos
conhecimentos precisamos criar, em sala de aula, diferentes “zonas de
desenvolvimento”.
Referências:
BRASIL, Ministério da Educação, secretaria de
Educação Básica. Elementos Conceituais e metodologias para definição dos
direitos de aprendizagem e desenvolvimento do ciclo de Alfabetização do EF.
Brasília: MEC/SEB, 2012
ONRÚBIA,
Javier. Ensinar: criar zonas de desenvolvimento proximal e nelas intervir. In
COLL. Et all. O construtivismo na sala de aula. São Paulo: ED. Atica, 1998
SOARES,
Magda Becker. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autentica,
1998



Muito bom o teu resumo do texto, consegui esclarecer algumas dúvidas sobre alfabetização. Eu sinto muita dificuldade em saber a maneira correta de alfabetizar, qual metodologia usar e com crianças especiais o resultado é a longo prazo, então nunca sei se estou fazendo o correto. Aceito sugestões e já vi que consigo várias dicas por aqui. Bjs
ResponderExcluirParabéns pelo resumo esclarecedor sobre "Por que defendemos um ensino sistemático da escrita alfabética " foi muito esclarecedor, além de me ajudar muito no entendimento em busca de novos saberes. Bjs
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