terça-feira, 25 de abril de 2017

Por que defendemos um ensino sistemático da escrita alfabética

Resumo do texto: PNAIC, caderno 5, págs 59 à 66

            Quem trabalha como professor no ciclo de alfabetização, precisa ter claro que se apropriar do SEA (sistema de escrita alfabética) é, para a criança, uma tarefa cognitiva complexa que implica a construção de conhecimentos que não são de ordem textual ou discursiva, requer um ensino específico e sistemático.
            A má apropriação da teoria da psicogênese da escrita e dos estudos sobre letramento fez com que, nas últimas décadas, no Brasil, houvesse um processo de “desinvenção da alfabetização”. Isso fez com que, em muitas escolas e redes, os professores passassem a se descuidar das metodologias de alfabetização esperando que a criança, sem um trabalho específico, avançasse sozinha nas hipóteses de alfabetização, também se considerar o trabalho com a relação letra-som como “tradicional” e, portanto, necessário.
            No final da década de 90, passamos a viver uma “hegemonia do discurso do letramento” onde o foco passa a ser quase exclusivo nas práticas de leitura e produção de textos, desconsiderando que a escrita alfabética é, em si, um objeto de conhecimento, com propriedades que o aluno precisa compreender.
            A proposta do PNAIC é que, nos três anos de ciclo de alfabetização, se use metodologias para um ensino sistemático da escrita alfabética, sempre na perpectiva do “alfabetizar letrando” (cf SOARES, 1998). Inicialmente é preciso ter clareza dos conceitos de alfabetizado  (aquele que domina o SEA) e letrado (aquele que pode participar, com autonomia, de práticas de leitura e produção de texto), sem esquecer que as duas dimensões estão interligadas.
O PNAIC propõe que se realize rotineiramente atividade3s que ajudem a criança a compreender o sistema de escrita alfabético e se apropriar de suas convenções. Além disso, precisam ser vivenciadas práticas diárias de leitura e/ou produção de textos.
  



             O pacto defende assim que preciso alfabetizar letrando, mas que cada instancia de organização da linguagem, no caso do SEA e dos gêneros escritos precisam ser concebidos e tratados dentro de suas especifidades.
            O pacto defende o ensino sistemático da escrita alfabética, na sua faceta notacional numa perspectiva de um ensino que promove a compreensão das propriedades do sistema necessárias para que o aluno possa, de forma produtiva, memorizar e automatizar as relações som-grafia, o que revela uma visão construtivista sobre ensinar e aprender.
            O pacto também defende, nos três anos do ciclo de alfabetização, o direito de aprendizagem de o aluno receber de maneira continua e progressiva das correspondências letra-som do português, de modo a poderem cada vez mais, ler textos com autonomia e compreensão e produzir com legibilidade os gêneros textuais com que se familiarizarem.
            Essa perspectiva não comporta a ideia de que se deve “primeiro alfabetizar para depois letrar”, concebe-se que a compreensão de textos escritos precisa ser promovida desde a ed. Infantil e deve ser continuada e progressivamente mais complexa durante os três primeiros iniciais do ensino fundamental.
            Enfatiza-se que o ensino sistemático do SEA, não propõe apenas situações didáticas frequentes desse objeto de conhecimento, mas que sejam também reflexivas e problematizadoras acerca do funcionamento do sistema de escrita.
            Os pressupostos do sistema de escrita tem como principio imperioso o respeito à diversidade dos saberes e experiências docentes e, por outro lado, dos ritmos e conhecimentos do educando.
            Sendo assim, a partir dos direito de aprendizagem coletivamente instituídos, o professor tem autonomia e liberdade para definir os conteúdos, selecionar os recursos didáticos e práticas de leitura, escrita e produção de textos, também tem a liberdade e autonomia para selecionar os instrumentos de diagnostico e avaliação, tanto para acompanhar a apropriação do SEA, como para diagnosticar os avanços no âmbito do letramento.
            Mas, em todos os momentos, o professor precisa as necessidades de alunos com diferentes ritmos de conhecimento. Para tanto, nos indica Onrubia (1996) se quisermos ajudar nossos alunos a resgatarem seus conhecimentos pré-vivos e a se apropriarem de novos conhecimentos precisamos criar, em sala de aula, diferentes “zonas de desenvolvimento”.

Referências:
 BRASIL, Ministério da Educação, secretaria de Educação Básica. Elementos Conceituais e metodologias para definição dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento do ciclo de Alfabetização do EF. Brasília: MEC/SEB, 2012
ONRÚBIA, Javier. Ensinar: criar zonas de desenvolvimento proximal e nelas intervir. In COLL. Et all. O construtivismo na sala de aula. São Paulo: ED. Atica, 1998

SOARES, Magda Becker. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autentica, 1998

2 comentários:

  1. Muito bom o teu resumo do texto, consegui esclarecer algumas dúvidas sobre alfabetização. Eu sinto muita dificuldade em saber a maneira correta de alfabetizar, qual metodologia usar e com crianças especiais o resultado é a longo prazo, então nunca sei se estou fazendo o correto. Aceito sugestões e já vi que consigo várias dicas por aqui. Bjs

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  2. Parabéns pelo resumo esclarecedor sobre "Por que defendemos um ensino sistemático da escrita alfabética " foi muito esclarecedor, além de me ajudar muito no entendimento em busca de novos saberes. Bjs

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