terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Avaliação da Aprendizagem

   Há bastante tempo que a questão da avaliação da aprendizagem se faz presente nas discussões e estudos sobre educação.
   Também a bastante tempo sabemos que aquele modelo de avaliação em que se aplicam instrumentos (provas trabalhos) em que se espera respostas semelhantes àquelas vistas nos livros ou passadas pelo professor cumprem apenas o papel de verificar a capacidade de memorização dos alunos.
   Muitos de nós professores, somos resultado de uma escolarização tradicional, onde a avaliação tinha como objetivo medir aprendizagens, classificar, selecionar e até mesmo disciplinar o processo pedagógico.
   Talvez por isso, seja tão difícil romper com essa cultura de direcionar nossas práticas para as avaliações.
   Ainda no final do ano, observei que na hora de formar as turmas para o novo ano letivo, é comum entre nós professores, fazer comentários como: -"Este é bom em Matemática" "Esse tem bastante dificuldade mas é esforçado" "Esse não tem interesse", etc.
   Podemos perceber por aí, como ainda é difícil, não apenas repensarmos, mas adotarmos em nossa prática uma avaliação que seja diagnóstica, processual, formativa e democrática. Ou como se apresenta na LDB 9394/96, artigo 24:
   "A avaliação do desemprenho do aluno deve ser contínua e cumulativa, prevalecendo aspectos qualitativos sobre os quantitativos e os resultados ao longo do período sobre eventuais provas finais."
   Essa forma de pensar a educação se reflete na própria postura do aluno que se preocupa em "aprender" para fazer as avaliações, passar de ano, se sair bem no ENEM e no vestibular. Diante disso, há pouco questionamento, discussão, reflexão sobre o que se está estudando e para quê?
   Para reforçar esse foco nas avaliações temos as avaliações institucionais, aplicadas de Norte a Sul do país, onde se objetiva que todas as crianças (adolescentes e adultos) assinalem a mesma resposta para as mesmas perguntas.
   E é por essas avaliações, que são classificados os alunos, professores e escolas de todo país. Independente da realidade e do processo que cada um esteja construindo.
   As discussões e reflexões do PEAD têm mostrado diferentes perspectivas e enfoques sobre a questão da avaliação. É uma aprendizagem a ser construída, experimentada, reconstruída. Essa é a dinâmica do processo. Assim deve ser também na escola.
   "Enquanto a escola der tanto peso a aquisição de conhecimentos descontextualizados e tão pouco a transferência e à construção de competências, toda avaliação correrá o risco de se transformar em um concurso de excelência." PERRENOUD, 1999 p.168

Referências

BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9394/96
PERRENOUD, Philipe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagem-entre duas lógicas. Porto Alegre: Artmed, 1999,

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