quarta-feira, 10 de maio de 2017

Trabalho em grupos: desafios e aprendizagens

    Ao iniciar o trabalho com projeto de aprendizagem pude perceber o quanto as crianças tem dificuldade de trabalhar em grupo. Especialmente numa proposta tão desafiadora.
    É fácil perceber a resistência que eles tem em compartilhar e cooperar.
    E isso também é reflexo da forma como se trabalha na escola. A própria disposição dos alunos em sala (em filas) favorece o individualismo. E quando acontecem trabalhos em grupo, geralmente aqueles que "sabem mais" devem ajudar os que têm dificuldades.
    Há bastante tempo que, nas turmas onde trabalho, procuro diversificar a disposição da turma: sentam em filas, em semi círculos, em grupos, em duplas. É claro que apenas isso não garante um trabalho diferenciado. Mas ao menos provoca desacomodação e faz com que experimentem diferentes posições frente aos colegas.
    Não dá pra negar que no início essa forma de trabalho causa agitação, tumulto e alguma resistência. Mas com o passar do tempo, se torna natural.
    A partir dos estudos de Lev Vigotsky, percebemos que as interações sociais são impulsionadoras do conhecimento e que a aprendizagem se dá na troca com o outro. E o nível hierárquico em que se dá essa troca interfere muito nessa aprendizagem. Enquanto o professor se coloca no papel de quem sabe e ensina, e o aluno deve obedecer e aprender, a relação se torna quase nula.
    Já nos trabalhos em grupo, na relação com seus pares e o professor assumindo o papel de mediador, favorecendo a busca de estratégias para resolução de situações relacionadas ao contexto da criança, a aprendizagem torna-se verdadeiramente significantes.
    Além disso, nos trabalhos em grupos o aluno desenvolve valores sociais importantes: o respeito, a compreensão, a solidariedade, o saber ouvir e falar.
    A mudança não acontece de um dia para o outro, conflitos e tumultos vão acontecer. Mas isso também faz parte da aprendizagem.

3 comentários:

  1. Essa questão também me inquieta... quando sugiro que os alunos trabalhem em grupo também percebo todas essas dificuldades...
    O que tem colaborado para as minhas atividades na questão de "quem sabe mais ajuda os outros", é a formação dos Grupos Áulicos sugeridos pela tutora Renata, em que eu agrupo os alunos de acordo com seus níveis de conhecimentos/suas dificuldades, assim, todos conseguem colaborar com o trabalho.

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  2. Realmente Rosângela os alunos não estão acostumados a trabalhar desta forma, por isso a agitação inicial. Depois de tudo o que aprendemos sobre a teoria sócio-interacionista de Vigotsky e de como os alunos constroem aprendizagens em grupo, tenho proposto várias atividades em duplas ou em grupo aos meus alunos. Reduzo o tempo em que eu fico explicando ou corrigindo exercícios e dou oportunidade para que eles discutam as atividades em grupo ou em duplas. É interessante ver as discussões construtivas que eles mantém durante a execução das atividades. Parabéns por investir nestes grupos diferenciados com seus alunos!

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  3. Olá Rosângela, as colocações sobre trabalho em grupo e a proposta de organização dos espaços da escola realmente interferem na construção das possibilidades de intervenções na aprendizagem. Nesse sentido, é importante que possamos refletir sobre nosso modelo de sociedade de de escola e o quanto possibilitamos que os alunos possam realmente trabalhar de forma colaborativa. Sendo assim, precisamos refletir sobre nossas práticas e o nosso trabalho em quanto grupo na escola.
    Abraços
    Márcio Malavolta

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