Ao iniciar o trabalho com projeto de aprendizagem pude perceber o quanto as crianças tem dificuldade de trabalhar em grupo. Especialmente numa proposta tão desafiadora.
É fácil perceber a resistência que eles tem em compartilhar e cooperar.
E isso também é reflexo da forma como se trabalha na escola. A própria disposição dos alunos em sala (em filas) favorece o individualismo. E quando acontecem trabalhos em grupo, geralmente aqueles que "sabem mais" devem ajudar os que têm dificuldades.
Há bastante tempo que, nas turmas onde trabalho, procuro diversificar a disposição da turma: sentam em filas, em semi círculos, em grupos, em duplas. É claro que apenas isso não garante um trabalho diferenciado. Mas ao menos provoca desacomodação e faz com que experimentem diferentes posições frente aos colegas.
Não dá pra negar que no início essa forma de trabalho causa agitação, tumulto e alguma resistência. Mas com o passar do tempo, se torna natural.
A partir dos estudos de Lev Vigotsky, percebemos que as interações sociais são impulsionadoras do conhecimento e que a aprendizagem se dá na troca com o outro. E o nível hierárquico em que se dá essa troca interfere muito nessa aprendizagem. Enquanto o professor se coloca no papel de quem sabe e ensina, e o aluno deve obedecer e aprender, a relação se torna quase nula.
Já nos trabalhos em grupo, na relação com seus pares e o professor assumindo o papel de mediador, favorecendo a busca de estratégias para resolução de situações relacionadas ao contexto da criança, a aprendizagem torna-se verdadeiramente significantes.
Além disso, nos trabalhos em grupos o aluno desenvolve valores sociais importantes: o respeito, a compreensão, a solidariedade, o saber ouvir e falar.
A mudança não acontece de um dia para o outro, conflitos e tumultos vão acontecer. Mas isso também faz parte da aprendizagem.
Essa questão também me inquieta... quando sugiro que os alunos trabalhem em grupo também percebo todas essas dificuldades...
ResponderExcluirO que tem colaborado para as minhas atividades na questão de "quem sabe mais ajuda os outros", é a formação dos Grupos Áulicos sugeridos pela tutora Renata, em que eu agrupo os alunos de acordo com seus níveis de conhecimentos/suas dificuldades, assim, todos conseguem colaborar com o trabalho.
Realmente Rosângela os alunos não estão acostumados a trabalhar desta forma, por isso a agitação inicial. Depois de tudo o que aprendemos sobre a teoria sócio-interacionista de Vigotsky e de como os alunos constroem aprendizagens em grupo, tenho proposto várias atividades em duplas ou em grupo aos meus alunos. Reduzo o tempo em que eu fico explicando ou corrigindo exercícios e dou oportunidade para que eles discutam as atividades em grupo ou em duplas. É interessante ver as discussões construtivas que eles mantém durante a execução das atividades. Parabéns por investir nestes grupos diferenciados com seus alunos!
ResponderExcluirOlá Rosângela, as colocações sobre trabalho em grupo e a proposta de organização dos espaços da escola realmente interferem na construção das possibilidades de intervenções na aprendizagem. Nesse sentido, é importante que possamos refletir sobre nosso modelo de sociedade de de escola e o quanto possibilitamos que os alunos possam realmente trabalhar de forma colaborativa. Sendo assim, precisamos refletir sobre nossas práticas e o nosso trabalho em quanto grupo na escola.
ResponderExcluirAbraços
Márcio Malavolta