segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Mais reflexões sobre o ensino de história nas séries iniciais

   Durante muito tempo, o ensino de história esteve relacionado ao estudo e memorização de fatos e datas, na maioria das vezes sem relação entre eles e muito menos com o tempo presente e com o cotidiano dos alunos. Talvez se deva a isso a aversão que muitos adultos tem a essa área do conhecimento.
   Atualmente, está mais claro para educadores, e para os alunos também que o trabalho com História (desde a ed. Infantil) é fundamental "para que se compreenda a realidade em que estamos inseridos e nela possamos inferir de maneira consciente e propositiva" -Cruz (2003 p.2). Essas são competências que definem a cidadania.
   Sendo assim, o trabalho com história deve partir da história de vida do aluno, e à partir dela, a história do seu em torno.
   Segundo os PCNs (Brasil, 1997 p. 35 e 36) "O saber histórico escolar, na sua relação com o saber histórico, compreende de modo amplo, a delimitação de três conceitos fundamentais: de fato histórico, de sujeito histórico e de tempo histórico. Os contornos e as definições que são dadas a esses três conceitos orientam a concepção histórica envolvida no ensino da disciplina."
   A construção desses conceitos não se dará de forma imediata e completa. Eles precisam ser construídos interdisciplinarmente através de situações que promovam a reflexão sobre atividades cotidianas, as suas relações com outros tempos e espaços.
   A escola é, na sua essência, o espaço espaço dessa construção e os professores são aqueles que, de acordo com a Terra e Frutas 92004 p7), "Provocam reflexões sobre como o presente mantém relações com outros tempos, inserir-se numa relação temporal que inclui o passado, o presente e o futuro; ajuda a analisar os limites e as possibilidades das ações de pessoas, grupos e classes no sentido de transformar realidades ou consolidá-las; colabora para expor relações entre acontecimentos que ocorrem em diferentes tempos e localidades; auxilia a compreender o que há de comum ou diferente no ponto de vista, nas culturas, nas formas de ver o mundo e nos interesses de grupos, classes ou envolvimento político; enfim, são questões mais comprometidas em formar pessoas para analisar, enfrentar e agir no mundo."
   Dessa forma, o papel do professor também é o de pesquisador e produtor de conhecimento e não o de mero reprodutor de saberes inflexíveis e concretos.
   As palavras de Freire (1996, p.29), reforçam essa perspectiva sobre ser professor e ensinar história.
"Não há pesquisa sem ensino (...) Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para contratar, contratando intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidades."

Referências

   Cruz G.T.D. Fundamentos teóricos das ciências humanas: história. Curitiba IESDE 2003
   Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo 1996. Paz e Terra
   Terra Antonia e Freitas Denise. Referencial Curricular de História da Fundação Bradesco. Págs. 2-12. São Paulo, dezembro/2004

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