“É preciso que, pelo contrário,
desde o começo do processo, vá ficando cada vez mais claro que, embora
diferentes entre si, quem forma se forma e re-forma ao formar e quem é formado
forma-se e forma aos ser formado. É nesse sentido que ensinar não é transferir
conhecimento, conteúdos nem formar é ação pelo qual o sujeito criador dá forma,
estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado. Não há docência sem decência,
as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam não
se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e
quem aprende ensina ao aprender.” (FREIRE, 1996)
Não é possível se pensar no
contexto escolar, sem pensar nas relações que se estabelecem dentro dele. Até algum
tempo atrás, sem as descobertas das ciências que estudam o desenvolvimento
emocional e cognitivo do ser humano, os papeis que cada um desempenhava nesse
espaço eram claramente definidas: o professor ensinava, o aluno aprendia (ou
não), a direção administrava os pais cobravam dos filhos a bom conduto e o
empenho. E ficava tudo bem.
Essa relação não era questionada,
principalmente porque a escola não era para todos. Quem não estudasse teria outras
alternativas.
No entanto a democratização do
direito à educação, as necessidades do setor produtivo, os avanços técnico-científicos,
o advento da sociedade do conhecimento trouxeram à tona a necessidade de se
entender como se dão as aprendizagens à nível neural, emocional e social.
É acompanhar essas pesquisas
sobre aprendizagem, se apropriar delas nas nossas práticas e transformar as
relações entre quem, pretensamente, ensina e quem “teoricamente” deve aprender
o grande desafio do professor na pós-modernidade.
Num tempo onde o acesso à
informação é tão fácil, construir conhecimento, avaliar o que é significativo e
tornar esse conhecimento ferramenta para viver e conviver exige do professor (e
dos alunos) uma vontade muito grande de se reconstruir constantemente e assim
reconstruir nossas práticas.
Referências:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da
autonomia – saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra; 1996, p. 25
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