sábado, 15 de julho de 2017

Desafios do professor e da escola

“É preciso que, pelo contrário, desde o começo do processo, vá ficando cada vez mais claro que, embora diferentes entre si, quem forma se forma e re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma aos ser formado. É nesse sentido que ensinar não é transferir conhecimento, conteúdos nem formar é ação pelo qual o sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado. Não há docência sem decência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam não se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.” (FREIRE, 1996)

Não é possível se pensar no contexto escolar, sem pensar nas relações que se estabelecem dentro dele. Até algum tempo atrás, sem as descobertas das ciências que estudam o desenvolvimento emocional e cognitivo do ser humano, os papeis que cada um desempenhava nesse espaço eram claramente definidas: o professor ensinava, o aluno aprendia (ou não), a direção administrava os pais cobravam dos filhos a bom conduto e o empenho. E ficava tudo bem.
Essa relação não era questionada, principalmente porque a escola não era para todos. Quem não estudasse teria outras alternativas.
No entanto a democratização do direito à educação, as necessidades do setor produtivo, os avanços técnico-científicos, o advento da sociedade do conhecimento trouxeram à tona a necessidade de se entender como se dão as aprendizagens à nível neural, emocional e social.
É acompanhar essas pesquisas sobre aprendizagem, se apropriar delas nas nossas práticas e transformar as relações entre quem, pretensamente, ensina e quem “teoricamente” deve aprender o grande desafio do professor na pós-modernidade.
Num tempo onde o acesso à informação é tão fácil, construir conhecimento, avaliar o que é significativo e tornar esse conhecimento ferramenta para viver e conviver exige do professor (e dos alunos) uma vontade muito grande de se reconstruir constantemente e assim reconstruir nossas práticas.

Referências:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia – saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra; 1996, p. 25

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